sexta-feira, 8 de março de 2013

Carretas de soja de Mato Grosso levam nove dias para descarga em portos

Carretas de soja de Mato Grosso levam nove dias para descarga em portos Há dois anos viagem levava três dias a menos Carretas carregadas com 50 toneladas de soja em Sapezal, no meio-norte de Mato Grosso, levam três dias a mais para fazer a descarga nos Portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR). A viagem de 2,2 mil quilômetros, que há dois anos levava seis dias, ficou mais demorada este ano em razão das precárias condições das estradas e do gargalo nos portos. Como os veículos demoram mais para retornar, há falta de caminhões. Com isso, o custo do frete dobrou e absorve 27% do valor da soja na região, uma das principais produtoras desse grão no Estado. Mato Grosso lidera a produção nacional de soja que, nesta safra, chegará a 66,3 milhões de toneladas, de acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Na quinta, dia 7, o produtor e presidente do Sindicato Rural de Sapezal, Claudio José Scariote, tentava monitorar os veículos que seguiam com soja para os portos de São Paulo e Paraná. — As estradas estão em péssimas condições e os caminhões viajam em comboios, com velocidade reduzida. Nesse momento, tem filas no corredor BR-163/BR-364 (principal via de escoamento da soja em Mato Grosso), nos portos e no entreposto da ferrovia em Alto Araguaia — descrevia. A demora obrigava o produtor a tentar fretar carretas extras. — Está difícil, pois estão pedindo R$ 300,00 a tonelada posta em Paranaguá — disse. Em 2012, o frete não chegava a R$ 180,00 por tonelada. — Culpam até o aumento no diesel — disse. A opção ferroviária, segundo Scariote, não atrai porque as operações de transbordo são demoradas e o preço não é competitivo. — Comparando com a rodovia, o custo sai elas por elas — disse. Os produtores de Sapezal têm a opção de embarcar a soja na Hidrovia do Madeira, em Porto Velho, mas os 950 quilômetros de estradas até o terminal de embarque estão muito ruins. O frete, que em 2012 era de R$ 80,00 por tonelada, agora custa exatamente o dobro. — Estamos colhendo uma safra gigante, mas da porteira para fora está um caos — disse. Para o operador Joel Soares, coordenador de logística de uma das maiores transportadoras de Rondonópolis, na região sul do Mato Grosso, o principal gargalo está nos portos. — Uma carreta perde de 24 a 30 horas na descarga, o que é um absurdo. Em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, as estradas não comportam o volume de caminhões. O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) anunciou o recapeamento da BR-163 a partir da próxima semana entre o Posto Gil, a 140 km de Cuiabá, e Nova Mutum (MT), mas as obras não ficam prontas para esta safra. A previsão é de que o serviço se estenda até Sinop (MT). No sul, a rodovia será duplicada entre Rondonópolis e Jaciara (MT). De acordo com Soares, no Estado de São Paulo, entre as dificuldades, estão as restrições ao tráfego de caminhões nas regiões metropolitanas e o alto custo dos pedágios. Agência Estado

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