segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Glauber inspeciona plantio de soja e milho em mais Estados nos EUA

Glauber inspeciona plantio de soja e milho em mais Estados nos EUA 26/08/2013 09:19 O presidente da Aprosoja Brasil e produtor em Mato Grosso, Glauber Silveira, continua nos Estados Unidos 'inspecionando' as lavouras de milho, na missão brasileira do projeto Soja Brasil. Ele aponta que "mais alguns dias de calor e tempo seco nos EUA. Nossa última visita nesse final de semana foi no estado de Kansas e os termômetros não baixaram dos 33 graus. De acordo com o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), até a segunda-feira (18), 41% das lavouras de milho estavam em condições boas e excelentes e as lavouras de soja atingiram 61%. Chuvas irregulares atrapalham o desenvolvimento das lavouras de milho e soja Chuvas irregulares atrapalham o desenvolvimento das lavouras de milho e soja "Como pudemos comprovar andando por algumas fazendas do estado é que o desenvolvimento das duas culturas é bastante irregular. Algumas espigas de milho com falhas na formação dos grãos e outras com boas produtividades. A soja também encontra os mesmos problemas. Mas apesar do calor intenso na região, os produtores comentaram que esperam uma boa safra. Ontem pela manhã, inclusive, havia chovido cerca de 10 mm naquela manhã. Nas palavras dele, “este ano não foi tão ruim. Temos problemas, claro, mas de uma maneira geral vamos ter médias razoáveis. Algumas curiosidades durante nossa passagem pelo estado é que existe um grande número de áreas sem plantio de soja ou milho. De acordo com produtores da região, grande parte dessas áreas foram semeadas na safra passada com outras culturas como trigo e alfafa", diz Glauber. .577802_403414676430048_692624933_n Glauber Silveira prossegue seu relato: "Outra curiosidade é que de acordo com o relatório do USDA, muitas áreas mais baixas do estado sofreram com o excesso de chuva. Mas a maioria, assim como foi visto nos outros estados, o solo estava bastante seco. E nas áreas que está faltando chuva e as condições não são tão boas, os produtores estão aplicando pesticidas e preparando os campos para o plantio de trigo de inverno. "Neste domingo partimos para o Missouri. Após cortar a zona produtora dos EUA de leste a Oeste, saindo de Illinois e chegando ao Colorado, passando por Iowa e Nebraska, foi possível ter um sentimento importante que a safra dos EUA está frente a sérios riscos. Primeiro porque teve o plantio muito atrasado, segundo porque a pouca chuva que seria até normal em anos anteriores pegou a maior parte da soja e o milho em uma fase sensível, que é o enchimento de grãos. O detalhe é que há um agravante: existe risco de geada mais adiante na colheita. Nos EUA, de forma geral, a melhor época para plantio do milho é em abril e para a soja até 15 de maio. Geralmente, os produtores plantam 70% de milho e 30% de soja em suas propriedades, iniciando com o milho e na sequência semeiam a soja. Neste ano foi diferente, pois o frio e as chuvas se estenderam até maio prejudicando os plantios. eua nebraska 11 Em conversa com produtores em Iowa, eles nos disseram que desde 1983 não tinham um clima tão irregular. A primavera foi chuvosa e fria e se estendeu, o que atrasou o plantio. Depois secou de vez por um período longo demais, prejudicando as culturas no início. Em seguida, o clima esfriou por duas semanas, o que já impactou no desenvolvimento das plantas. E por fim, agora em algumas regiões está quente demais. Todos estes fatores fizeram com que a safra dos EUA ficasse muito irregular. Tanto que o percentual de lavouras boas e ótimas está diminuindo e aumentando o percentual de regulares. E isto foi possível constatar em nosso percurso: soja desparelha, muitas não fecharam a carreira, milho com enchimento de grãos muito desuniformes na mesma área. Ao conversarmos com os produtores, eles nos disseram que os períodos de seca ou chuvas escassas não ocorrem todo ano, mas neste ano se agravou pelo plantio atrasado, no qual as plantas não cresceram tanto. O período mais frio alongou o ciclo o que fez com que a condição de estresse hídrico se agravasse. eua 10 nebraska Sendo assim, por mais que o USDA diga que está tudo normal, não é o que vimos e sentimos dos produtores. Eles esperam produtividades menores do que o previsto, claro que nada de muito baixo. Um exemplo é a previsão para o milho em Nebraska: a média prevista é de 154 bushel por acre, a média do ano passado foi de 132,8 bushel. E a média histórica é de 147,9 bushel por acre. Agora, se não chover nos próximos dias, essa produtividade esperada pode cair. E por mais que se fale que a seca não está afetando tanto as condições das lavouras, o que constatamos em áreas onde se tinha irrigação foi uma diferença gritante. O que demonstrou que a pouca chuva está prejudicando, tanto na soja quanto no milho. Para o milho, o ideal seria 50 mm de chuva por semana e está longe disto. Tem chovido, mas a chuva que cai é escassa. Na soja foi possível comparar claramente. Em uma área onde parte tinha irrigação e parte era de sequeiro com a mesma variedade, a soja tinha 30 cm de diferença, 20% a mais de vagens e as vagens todas completas. Enquanto isso, nas de sequeiro, havia muitas vagens de três grãos com apenas dois formados, ficando notória a falta de água. Quero ressaltar que nestes dias, nos 1600 km rodados de leste a oeste, só vi chuva em Denver no Colorado a 200 km da zona produtora de soja. Os próximos dias serão cruciais para a consolidação dos prognósticos de produção, afinal a umidade do solo caiu muito a níveis críticos. A soja e o milho em mais quinze dias completam seu ciclo de enchimento de grãos, na maior parte das lavouras. E daí vem a principal preocupação dos produtores. Se houver atraso de dez dias na colheita e o inverno chegar mais cedo, pode significar uma tragédia, pois haverá chuvas e geadas. Para nós produtores, a safra dos EUA é crucial na formação do preço futuro da nossa safra. Mas não estaríamos tão dependentes de preços melhores se os custos da safra brasileira não estivessem 25% mais altos, afinal eles já não seriam tão baixos. Aí ficamos assim, esperando que a safra do vizinho quebre para que nós produtores brasileiros não quebremos". Fonte: Só Notícias/Agronotícias com assessoria

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