segunda-feira, 21 de outubro de 2013

CIB denuncia “erro alarmista” da Revista Galileu contra transgênicos

CIB denuncia “erro alarmista” da Revista Galileu contra transgênicos CIB denuncia “erro alarmista” da Revista Galileu contra transgênicos 21/10/13 - 14:38 por Leonardo Gottems O CIB (Conselho de Informações sobre Biotecnologia) divulgou artigo denunciando o que qualifica como “conteúdos alarmistas sobre organismos geneticamente modificados (OGM) na internet”. “É o caso da matéria ‘Sete alimentos transgênicos que você deveria evitar’”, publicada pela Revista Galileu, da editora Globo, baseada em um texto originalmente publicado no Blog Care2. A reportagem, de acordo com os especialistas Adriana Brondani, Luciana Liboni e Marcelo Gravina, “comete erros” que precisam ser “elucidados”. O primeiro ponto do artigo afirma que a “comunidade científica internacional reconhece biossegurança de transgênicos”. “Embora, de fato, haja desinformação a respeito dos OGM, a falta de conhecimento ocasiona o equívoco de considerar esses produtos inseguros, não o contrário. Nunca foi registrado impacto negativo na saúde humana ou animal nos mais de 15 anos em que os transgênicos são amplamente utilizados em, pelo menos, 50 países. Afirmação contrária a essa não encontra respaldo na literatura científica mundial”, sustentam. O artigo cita um balanço da Comissão Europeia divulgado em 2010: “a principal conclusão é a de que “não há nenhuma evidência científica associando os OGM a maiores riscos que as suas variedades convencionais”. “Além da referência bibliográfica da Comissão Europeia, há diversos estudos científicos internacionais que ressaltam os benefícios para o meio ambiente oriundos do cultivo de transgênicos. Um exemplo é a pesquisa da Graham Brookes e Peter Barfoot (2011), segundo a qual houve redução no uso de inseticidas nas lavouras desde a adoção das culturas transgênicas em 1996. No Brasil, uma estimativa da consultoria Céleres para os próximos 10 anos indica que o Brasil pode economizar cerca de US$ 80 bilhões com a adoção da biotecnologia agrícola. O estudo prevê a redução do uso de 133,95 bilhões de litros água (em virtude da diminuição de aplicação de defensivos químicos), volume suficiente para prover as cidades de Recife e Porto Alegre por um ano”. Outro ponto contestado afirma que os transgênicos “não causam alergias nem são tóxicos para a saúde humana – Também é preciso esclarecer que alergenicidade é uma reação adversa que certos grupos de alimentos podem causar. Basicamente, onze grupos de alimentos provocam 90% das alergias. Entretanto, essas reações independem de o alimento ser transgênico ou não. Até hoje, não há estudos que comprovem a ocorrência de alergenicidade associada ao consumo/ingestão de OGM. Neste ponto, deve-se observar que os transgênicos também podem apresentar teores nutricionais mais elevados”. Os especialistas ressaltam ainda que a biotecnologia tonou a produção de substâncias mais fácil e segura. “Para além da alimentação, hoje, graças às técnicas de biotecnologia moderna, é possível produzir por meio de microrganismos geneticamente modificados substâncias que antes eram obtidas via métodos menos estáveis e potencialmente mais inseguros. A insulina, por exemplo, até a década de 1980 era extraída de gado e de suínos e, frequentemente, causava alergias. De lá para cá, foi desenvolvida a técnica que permite que ela seja produzida por microrganismos transgênicos, o que a tornou mais segura e aumentou a eficiência dos tratamentos. O mesmo raciocínio pode ser aplicado à produção do hormônio do crescimento (hGH), hoje feito de maneira segura a partir de técnicas da biotecnologia. Anteriormente, ele era extraído da hipófise de cadáveres e houve casos de pessoas que se contaminaram com doenças neurológicas”, exemplificam. Por fim, eles lembram que a legislação sobre transgênicos no Brasil é reconhecida por seu rigor e estabilidade. “Os transgênicos disponíveis comercialmente são submetidos a rigorosas análises de biossegurança – avaliações pelas quais não passam os alimentos convencionais. Só depois disso são aprovados para cultivo e consumo. O País possui um sistema regulatório complexo, eficiente e respeitado mundialmente. A Lei de Biossegurança (Lei nº 11.105/05) exige que qualquer OGM passe pela avaliação criteriosa da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança, a CTNBio, formada por 54 doutores em todas as áreas relacionadas à segurança dos transgênicos. A rotulagem dos produtos transgênicos nada tem a ver com questões de segurança do produto e não é um sinal de alerta para o consumo. Trata-se de respeitar o direito de informação do consumidor, que pode, assim, escolher o que deseja comer”, concluem. Adriana Brondani é graduada em Ciências Biológicas, possui mestrado e doutorado em Bioquimica, todos pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFGRS). É diretora-executiva do Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB). Luciana Liboni é graduada em Engenharia de Alimentos pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), possui mestrado, doutorado e pós-doutorado em Ciência e Tecnologia de Alimentos pelas instituições Universidade Federal de Viçosa (UFV), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e Universidade de São Paulo (USP) respectivamente. É conselheira do Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB). Marcelo Gravina é graduado em Agronomia e possui mestrado em Microbiologia Agrícola e do Ambiente, ambos pela Universidade Federal do Rio grande do Sul (UFRGS), e doutorado em Agrolink Autor: Leonardo Gottems

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