sábado, 26 de outubro de 2013

Riscos climáticos ou de produção?

Riscos climáticos ou de produção? Em anos de neutralidade climática, fica mais difícil culpar as estações AGROMETEOROLOGIA 26/10/2013 | 13h23Pryscilla Paiva Esta primavera tem apresentado um clima típico da estação: grande variabilidade de chuva e temperatura. Embora a primavera seja conhecida pelas pessoas como a estação das flores, não podemos esquecer que ela marca justamente a transição do inverno seco e frio para o verão, que é quente e chuvoso. Como estamos sob a influência de um ano neutro, ou seja, com a temperatura do oceano Pacífico Equatorial dentro da normalidade, as variações se tornam mais visíveis. Há praticamente duas décadas não se observava dois anos sem El Niño ou La Niña. A última vez que tivemos dois anos neutros foi em 1992 e 1993. Depois disso, foram sequências dos dois fenômenos seguidos ou intercalados. Claro que a palavra “neutro” dá a impressão que tudo vai correr dentro da normalidade climática específica de cada região. Acontece que o clima possui outras vertentes que não os fenômenos globais. A temperatura do oceano Atlântico também tem o poder de potencializar ou não as chuvas nas regiões costeiras do Brasil. A distribuição das chuvas, por mais que esteja dentro da condição média da estação, dificilmente vai representar a condição ideal esperada pelo produtor. Esse conflito é evidenciado nesta época do ano no Centro-Oeste, devido ao calendário agrícola. A expectativa do produtor é de que chova o quanto antes para que seja possível fazer duas safras dentro do período úmido. Só que este período não se estica muito, afinal o clima continua sendo o mesmo no Brasil em anos de neutralidade. O que mudou, na realidade, foi a produção. De acordo com as previsões climáticas, o verão vai apresentar condições favoráveis à produção agrícola de um modo geral. A nova estação, que começa no dia 21 de dezembro, marca a colheita da maior safra de grão do país. Justamente por esta razão, as expectativas ficam tão voltadas para a estação. Que o verão é o período chuvoso no Brasil, a maioria sabe, a grande questão está na variabilidade e na distribuição dessa chuva em função dos ciclos das lavouras. As lavouras com os ciclos mais curtos e concentrados ficam muito mais suscetíveis a esses riscos climáticos que, na realidade, são mais riscos da janela de produção. O mesmo não ocorre com as culturas perenes ou de ciclos anuais como o café, cana-de-açúcar e pastagens. Neste aspecto, podemos citar aqui alguns riscos regionais. O Centro-Oeste teve uma certa regularidade das chuvas na hora da implantação das lavouras. O problema talvez seja a hora da colheita, que é feita entre janeiro e feveiro. Esses são dois meses chuvosos entre Mato Grosso e Goiás, o que deve paralisar os trabalhos de campo. Já para as lavouras do Sul do Brasil, que não apresentaram problemas para o plantio, afinal, umidade é o que não faltou nesses últimos dias, o risco está associado a alguns períodos de estiagem entre dezembro e janeiro. Essas janelas de tempo seco, mesmo não sendo de longa duração, podem afetar o desenvolvimento das lavouras caso as pequenas estiagens coincidam com a fase crítica como floração e enchimento de grão. Para as áreas produtoras de milho, soja e algodão da região do Mapitoba (Tocantins, oeste da Bahia, sul do Maranhão e sul do Piauí) normalmente temos problemas na instalação das lavouras, já que as chuvas começam mais tarde. Além disso, durante todo o ciclo, o produtor é obrigado a conviver com a falta de chuva, a exemplo do que já se observou na safra passada. Só que o aparente problema do atraso do plantio indiretamente contribui para reduzir o risco de estiagens prolongadas entre janeiro e fevereiro. Quando as lavouras são instaladas mais tarde, o regime de chuvas associado às frentes frias vai de encontro à contribuição de chuvas associadas à Zona de Convergência Intertropical, proveniente do Atlântico, algo que ocorre a parir de fevereiro. CANAL RURAL

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