Rússia estimula produção de milho para alavancar setor agropecuário
21/10/13 - 00:00
Medida deve aumentar potencial de concorrência da Rússia no mercado internacional, fazendo frente a grandes produtores, como EUA e Brasil
O ministro da Agricultura, Nikolai Fiodorov, recomendou aos agricultores russos que aumentem o plantio de milho para “elevar a produtividade na pecuária de corte e leiteira”. Isso porque o país pode perder até 11 milhões de toneladas da safra do próximo ano devido à redução da semeadura de grãos no inverno.
Esse é o caso da holding “Talin”, que, segundo a vice-diretora geral da área de criação de suínos, Evguênia Tolstikh, não cultiva milho para alimentar os seus porcos. "Somos completamente autossuficientes em relação às matérias-primas que compõem a ração combinada, mas não utilizamos o milho para essa finalidade. Esse vegetal não cresce muito bem na região do Volga, além disso, ele pode acumular toxinas, por isso, é provável que seja até perigoso inclui-lo na formulação da ração”, justifica a especialista.
Por outro lado, Evguêni Mikhailov, chefe do departamento de projetos e investimentos da maior agro holding russa, JSC Grupo “Cherkizovo”, observa que para as regiões com um clima apropriado ao cultivo do milho a proposta do Ministério da Agricultura é bastante racional.
“É um produto altamente energético e de fácil assimilação. Contém carotenoides, gordura, amido e açúcar, também possui baixo teor de fibras, mas é muito rico em proteínas. Se for de boa qualidade, o milho permite a obtenção de elevados indicadores econômicos e de produtividade na criação de aves e suínos", comenta.
Potencial de exportação
Mesmo antes do anúncio do governo, os agricultores russos já vêm aumentando a safra de milho, cuja importação chegava a 1 milhão de toneladas até pouco tempo atrás.
“Desde o ano passado, o volume de exportação do milho se igualou ao da cevada, que ocupa o segundo lugar depois do trigo, e este ano esperamos um novo recorde de produção – mais de 10 milhões de toneladas. Provavelmente, o milho se tornará a segunda maior cultura em volume de exportação”, comenta Andrei Sizov, diretor-executivo do Centro Analítico SovEkon.
Segundo dados do Instituto de Estudos do Mercado Agrícola (IKAR), com base na safra deste ano o potencial de exportação é de 2 milhões de toneladas. O produto deve ser comercializado nos mercados tradicionais de exportação de grãos da Rússia, ou seja, no norte da África, Oriente Oriente Médio e, talvez, no sul da Europa.
Por enquanto, o milho russo não irá para a China, por causa dos preços de transporte, dificuldades de logística e simples ausência de certificado. Além disso, seria necessário concorrer com a Ucrânia, que produz, em média, 10 vezes mais milho do que a Rússia e já o fornece com êxito para o Japão e para a China.
A Rússia, assim como a Ucrânia, possui uma vantagem importante: ambos os países são os únicos fornecedores de milho não OGM (geneticamente modificado) no mercado mundial. “Os outros grandes exportadores, EUA, Argentina e Brasil, podem oferecer apenas variedades de OGM”, afirma Sizov.
Lembrança soviética
A recente declaração do ministro da Agricultura, Nikolai Fiodorov, de que o milho pode ser a salvação para a safra de grãos, suscitou muitas comparações com o líder soviético Nikita Khruschov. Quando, no final dos anos 1950 e início dos anos 1960, Khruschov estimulou a produção de milho na agricultura soviética, a iniciativa resultou na escassez de pão e na necessidade de importar grãos para a Rússia em 1963 – fato que não repetia desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Daquele momento em diante, qualquer proposta para aumentar as áreas de plantio do "rei dos campos", como o milho era chamado na URSS, acaba dando fruto a opiniões pouco favoráveis.
Gazeta Russa
Autor: Iliá Dachkóvski, especial para Gazeta Russa
segunda-feira, 21 de outubro de 2013
Rússia estimula produção de milho para alavancar setor agropecuário
Rússia estimula produção de milho para alavancar setor agropecuário
Rússia estimula produção de milho para alavancar setor agropecuário
21/10/13 - 00:00
Medida deve aumentar potencial de concorrência da Rússia no mercado internacional, fazendo frente a grandes produtores, como EUA e Brasil
O ministro da Agricultura, Nikolai Fiodorov, recomendou aos agricultores russos que aumentem o plantio de milho para “elevar a produtividade na pecuária de corte e leiteira”. Isso porque o país pode perder até 11 milhões de toneladas da safra do próximo ano devido à redução da semeadura de grãos no inverno.
Esse é o caso da holding “Talin”, que, segundo a vice-diretora geral da área de criação de suínos, Evguênia Tolstikh, não cultiva milho para alimentar os seus porcos. "Somos completamente autossuficientes em relação às matérias-primas que compõem a ração combinada, mas não utilizamos o milho para essa finalidade. Esse vegetal não cresce muito bem na região do Volga, além disso, ele pode acumular toxinas, por isso, é provável que seja até perigoso inclui-lo na formulação da ração”, justifica a especialista.
Por outro lado, Evguêni Mikhailov, chefe do departamento de projetos e investimentos da maior agro holding russa, JSC Grupo “Cherkizovo”, observa que para as regiões com um clima apropriado ao cultivo do milho a proposta do Ministério da Agricultura é bastante racional.
“É um produto altamente energético e de fácil assimilação. Contém carotenoides, gordura, amido e açúcar, também possui baixo teor de fibras, mas é muito rico em proteínas. Se for de boa qualidade, o milho permite a obtenção de elevados indicadores econômicos e de produtividade na criação de aves e suínos", comenta.
Potencial de exportação
Mesmo antes do anúncio do governo, os agricultores russos já vêm aumentando a safra de milho, cuja importação chegava a 1 milhão de toneladas até pouco tempo atrás.
“Desde o ano passado, o volume de exportação do milho se igualou ao da cevada, que ocupa o segundo lugar depois do trigo, e este ano esperamos um novo recorde de produção – mais de 10 milhões de toneladas. Provavelmente, o milho se tornará a segunda maior cultura em volume de exportação”, comenta Andrei Sizov, diretor-executivo do Centro Analítico SovEkon.
Segundo dados do Instituto de Estudos do Mercado Agrícola (IKAR), com base na safra deste ano o potencial de exportação é de 2 milhões de toneladas. O produto deve ser comercializado nos mercados tradicionais de exportação de grãos da Rússia, ou seja, no norte da África, Oriente Oriente Médio e, talvez, no sul da Europa.
Por enquanto, o milho russo não irá para a China, por causa dos preços de transporte, dificuldades de logística e simples ausência de certificado. Além disso, seria necessário concorrer com a Ucrânia, que produz, em média, 10 vezes mais milho do que a Rússia e já o fornece com êxito para o Japão e para a China.
A Rússia, assim como a Ucrânia, possui uma vantagem importante: ambos os países são os únicos fornecedores de milho não OGM (geneticamente modificado) no mercado mundial. “Os outros grandes exportadores, EUA, Argentina e Brasil, podem oferecer apenas variedades de OGM”, afirma Sizov.
Lembrança soviética
A recente declaração do ministro da Agricultura, Nikolai Fiodorov, de que o milho pode ser a salvação para a safra de grãos, suscitou muitas comparações com o líder soviético Nikita Khruschov. Quando, no final dos anos 1950 e início dos anos 1960, Khruschov estimulou a produção de milho na agricultura soviética, a iniciativa resultou na escassez de pão e na necessidade de importar grãos para a Rússia em 1963 – fato que não repetia desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Daquele momento em diante, qualquer proposta para aumentar as áreas de plantio do "rei dos campos", como o milho era chamado na URSS, acaba dando fruto a opiniões pouco favoráveis.
Gazeta Russa
Autor: Iliá Dachkóvski, especial para Gazeta Russa
Rússia estimula produção de milho para alavancar setor agropecuário
21/10/13 - 00:00
Medida deve aumentar potencial de concorrência da Rússia no mercado internacional, fazendo frente a grandes produtores, como EUA e Brasil
O ministro da Agricultura, Nikolai Fiodorov, recomendou aos agricultores russos que aumentem o plantio de milho para “elevar a produtividade na pecuária de corte e leiteira”. Isso porque o país pode perder até 11 milhões de toneladas da safra do próximo ano devido à redução da semeadura de grãos no inverno.
Esse é o caso da holding “Talin”, que, segundo a vice-diretora geral da área de criação de suínos, Evguênia Tolstikh, não cultiva milho para alimentar os seus porcos. "Somos completamente autossuficientes em relação às matérias-primas que compõem a ração combinada, mas não utilizamos o milho para essa finalidade. Esse vegetal não cresce muito bem na região do Volga, além disso, ele pode acumular toxinas, por isso, é provável que seja até perigoso inclui-lo na formulação da ração”, justifica a especialista.
Por outro lado, Evguêni Mikhailov, chefe do departamento de projetos e investimentos da maior agro holding russa, JSC Grupo “Cherkizovo”, observa que para as regiões com um clima apropriado ao cultivo do milho a proposta do Ministério da Agricultura é bastante racional.
“É um produto altamente energético e de fácil assimilação. Contém carotenoides, gordura, amido e açúcar, também possui baixo teor de fibras, mas é muito rico em proteínas. Se for de boa qualidade, o milho permite a obtenção de elevados indicadores econômicos e de produtividade na criação de aves e suínos", comenta.
Potencial de exportação
Mesmo antes do anúncio do governo, os agricultores russos já vêm aumentando a safra de milho, cuja importação chegava a 1 milhão de toneladas até pouco tempo atrás.
“Desde o ano passado, o volume de exportação do milho se igualou ao da cevada, que ocupa o segundo lugar depois do trigo, e este ano esperamos um novo recorde de produção – mais de 10 milhões de toneladas. Provavelmente, o milho se tornará a segunda maior cultura em volume de exportação”, comenta Andrei Sizov, diretor-executivo do Centro Analítico SovEkon.
Segundo dados do Instituto de Estudos do Mercado Agrícola (IKAR), com base na safra deste ano o potencial de exportação é de 2 milhões de toneladas. O produto deve ser comercializado nos mercados tradicionais de exportação de grãos da Rússia, ou seja, no norte da África, Oriente Oriente Médio e, talvez, no sul da Europa.
Por enquanto, o milho russo não irá para a China, por causa dos preços de transporte, dificuldades de logística e simples ausência de certificado. Além disso, seria necessário concorrer com a Ucrânia, que produz, em média, 10 vezes mais milho do que a Rússia e já o fornece com êxito para o Japão e para a China.
A Rússia, assim como a Ucrânia, possui uma vantagem importante: ambos os países são os únicos fornecedores de milho não OGM (geneticamente modificado) no mercado mundial. “Os outros grandes exportadores, EUA, Argentina e Brasil, podem oferecer apenas variedades de OGM”, afirma Sizov.
Lembrança soviética
A recente declaração do ministro da Agricultura, Nikolai Fiodorov, de que o milho pode ser a salvação para a safra de grãos, suscitou muitas comparações com o líder soviético Nikita Khruschov. Quando, no final dos anos 1950 e início dos anos 1960, Khruschov estimulou a produção de milho na agricultura soviética, a iniciativa resultou na escassez de pão e na necessidade de importar grãos para a Rússia em 1963 – fato que não repetia desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Daquele momento em diante, qualquer proposta para aumentar as áreas de plantio do "rei dos campos", como o milho era chamado na URSS, acaba dando fruto a opiniões pouco favoráveis.
Gazeta Russa
Autor: Iliá Dachkóvski, especial para Gazeta Russa
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