quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Sorriso fortalece produção de peixes

Sorriso fortalece produção de peixes 24/10/2013 09:43 Peixes piscicultura em Sorriso 2013 (ass) 1 / “Estamos empenhados em igualar o PIB da produção de peixe aos números hoje gerados pela produção de grãos e fomentar ainda mais a produção da Capital Nacional do Agronegócio”, pontuou o prefeito Dilceu Rossato no “1º Dia de Campo Sobre Piscicultura”, realizado ontem (23), que reuniu aproximadamente 120 empresários sorrisenses ligados ao cultivo e comercialização de peixes. A meta é transformar Sorriso no maior produtor nacional de peixe. Rossato apontou que as condições climáticas de Sorriso são ideais para isso, com características próprias em uma região quente, com terras planas, em que o custo de ração é baixo, devido à própria produção local, às águas quentes, o baixo custo de alevinos e a possibilidade de realização de até quatro safras anuais quando isso tudo é feito de maneira correta e com acompanhamento técnico. Para as quatro safras, são necessárias barragens e canais de criação. Condições que o doutor em piscicultura Ricardo Ribeiro, da Universidade Estadual de Maringá (PR), detalhou como as formas que transformam a atividade extrativista em produção profissional. Sob o tema “Retorno econômico do melhoramento de peixes no Brasil”, Ricardo ressaltou qual é o valor de um casal de peixes com melhoramento genético, visto que é um produto singular. O especialista detalhou que uma fêmea de tambaqui pode produzir até 10% de seu peso em ovo em um ano quando melhorada, o que, em um casal geneticamente melhorado, em um cálculo para simulação significa R$ 72.000,00. Um experimento da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), de Cuiabá, demonstrou que em condições geneticamente melhoradas o ganho de um peixe é de 6 gramas/dia, ou, ainda superior, chegando a atingir 7,5 gramas/dia. “Depende em que variável de mercado o piscicultor quer investir: tempo de cultivo ou peso de abate”, detalhou Ricardo. Porém, na atualidade, a principal aposta é o tempo de cultivo, dispôs. Ao detalhar isso, o pesquisador expôs aos produtores condições como qualidade e variedade da água e a dieta ofertada ao peixe que interferem de forma direta para que o mesmo leve apenas dez meses para atingir o peso ideal de venda, de 1,8 quilo ou 2 quilo ao preço de comércio de R$ 6,00 ao quilo ao “pé” da própria lagoa de criação. Para o também doutor em piscicultura, Darci Carlos Fornari, os peixes nativos são os que apresentam os melhores resultados, espécies como o pintado, que está sendo melhorado em nosso próprio ambiente. “Durante muito tempo realizamos experiências com a tilápia, que é um peixe exótico, não pertence à nossa fauna. Agora com peixes nativos, os resultados são outros. Atualmente o Brasil importa 50% do peixe que consome e poderemos fomentar a produção nacional”, explicou. Darci comentou que conheceu a produção da Colômbia na semana passada e pode visualizar como o Brasil cresceu nos últimos anos. “Eles estão em um patamar que estivemos há 20 anos atrás”, apontou. De acordo com o pesquisador, a produção regional hoje é de aproximadamente 20 mil toneladas, e que há condições de ampliar para 200 mil. “Sorriso tem potencial para isso, pois temos disponibilidade de água e inúmeros ambientes degradados que podem ser recuperados para a produção de peixes”, salientou. Em uma demonstração de produção de um viveiro, com área de 0,4/hectares foram produzidas 38 toneladas de peixe com um custo de produção de 3,35/tonelada e conversão alimentar de 1,66/1 com lucro liquido de R$ 100 mil/tonelada. Para o empresário da piscicultura Luiz Carlos Nardi, o ramo é um investimento com lucratividade muito boa. Segundo ele, as lagoas de sua propriedade foram povoadas em 30 de setembro e a estimativa do lucro líquido que estão apresentando equivale a 3,3 mil sacas de soja, com renda de 60 sacas por hectare, em uma área de 25 hectares.Para se obter o mesmo rendimento com a soja, seriam necessários 110 hectares. “Hoje o Brasil importa 500 mil toneladas/ano e, se aumentar o consumo do peixe na mesma proporção que nos últimos anos, em 2030 teremos que produzir 2,2 milhões de toneladas para suprir a demanda nacional. Para isso, o nosso desafio é ter pessoas qualificadas atuando na piscicultura e sabendo utilizar a tecnologia de forma correta, trabalhando com sustentabilidade, conhecendo as leis e respeitando os limites ambientais”, enfatizou o pesquisador Darci Fornari. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda o consumo de 12 kg de peixe por ano por habitante. De acordo com dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), no território brasileiro, o consumo per capita aumentou de 4 kg/ano para 9 kg/ano nos últimos 8 anos, através de políticas e campanhas para incentivar o consumo. Atualmente 40% do peixe consumido América Latina e Caribe vêm de outras regiões. Presente no evento, o diretor de uma empresa que atua no desenvolvimento de genética e melhoramento de peixe, João Pedro Silva, anunciou para 29 de novembro a inauguração de um frigorífico com capacidade de abate de 120 toneladas de peixe por dia. João Pedro lembrou que está sediada em Sorriso a terceira melhor empresa no mundo de referência em melhoramento genético de piscicultura. “Nossos estudos iniciaram há 22 anos, desde 91. Já em 1994 viajamos pela primeira vez para os Estados Unidos em comitiva com representantes da Prefeitura para buscar tecnologia e ver como eles trabalhavam com o peixe por lá. O peixe é a proteína mais pura que temos, a que menos agride o meio ambiente e que temos condições de produzir com outras culturas, com sustentabilidade”, ressaltou. O “1º Dia de Campo Sobre Piscicultura” foi uma realização conjunta da Prefeitura Municipal de Sorriso e da Genetic Fish. Fonte: Assessoria (foto: Thiago Luz)

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