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sábado, 26 de outubro de 2013
USP estuda uso de óleo de macaúba para a produção de biodiesel
USP estuda uso de óleo de macaúba para a produção de biodiesel
ENERGIA
26/10/2013 | 10h11
Macaúba apresenta alta produtividade, podend
Uma pesquisa da Escola de Engenharia de Lorena (EEL) da USP trabalha na viabilidade do uso do óleo de macaúba na produção de biodiesel. A espécie, encontrada do Mato Grosso até o Rio Grande do Sul, possui substâncias que garantem boas propriedades automotivas para o combustível. A macaúba apresenta alta produtividade, podendo render até 4 mil litros de óleo por hectare a cada ano.
O objetivo principal da pesquisa foi desenvolver uma metodologia para produzir biodiesel a partir de óleo de macaúba com elevado índice de acidez e avaliar a influência das ondas ultrassônicas no processamento.
– A macaúba pode ser encontrada desde o sul do México e Antilhas, até o sul do Brasil, chegando ao Paraguai e Argentina – explica a pesquisadora Sara Aparecida Machado, que realizou o estudo durante a produção de dissertação de mestrado na EEL.
– No Brasil, são encontrados povoamentos naturais nos Estados de Minas Gerais, Ceará, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Normalmente, os frutos são colhidos de forma extrativista mas já existem algumas lavouras comerciais no Estado de Minas Gerais – aponta a pesquisadora.
De acordo com Sara, a principal vantagem da macaúba como matéria-prima para a obtenção de biodiesel é a alta produtividade em óleo.
– Da macaúba são extraídos dois óleos: o de polpa e o de amêndoa. A produção é de aproximadamente 4 mil litros por hectare/ano, enquanto a soja, que é uma cultura anual, produz aproximadamente 420 litros por hectare/ano – explica.
Mudanças
A pesquisadora afirma que o óleo de macaúba exige mudanças no processo de produção do biodiesel para ser utilizado como matéria-prima.
– Devido ao tipo de colheita e ao processamento do óleo, principalmente o de polpa, apresenta elevada acidez e desta maneira não pode ser processado pelo processo convencional de transesterificação alcalina.
No estudo, a produção de biodiesel ocorreu em duas etapas.
– Na primeira [pré tratamento], o óleo foi submetido à reação de esterificação para diminuição do índice de acidez até chegar a valores inferiores a 2 miligramas de hidróxido de potássio (KOH) por grama (mgKOH/g) de óleo o que possibilitou a segunda etapa que foi a reação de transesterificação alcalina – relata a engenheira química. As ondas ultrassônicas servem como um potencializador da reação de transesterificação alcalina sendo que a principal vantagem foi a redução do tempo de reação de 30 para 10 minutos.
A macaúba apresenta como principal vantagem para a produção do combustível a alta produtividade e a composição dos óleos.
– O óleo de amêndoa é rico em ácido láurico e oleico. O óleo extraído da polpa é rico em ácido oléico e palmítico e tem boas características para o processamento industrial, além de conferir aos óleos excelentes propriedades automotivas.
De acordo com Sara, existem vários estudos em andamento sobre biodiesel utilizando o óleo de macaúba.
– Em Minas Gerais já existem lavouras cultivadas com o objetivo de fornecer matéria prima para usinas produtoras de biodiesel a partir de 2015 – destaca. A pesquisa foi coordenada pelo professor Domingos Sávio Giordani, da EEL. Os estudos tiveram a colaboração do grupo coordenado pela professora Heizir Ferreira de Castro e da professora Jayne Carlos de Souza Barboza.
AGÊNCIA USP
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