terça-feira, 26 de novembro de 2013
Corol negocia dívidas que devem chegar a R$ 800 mi
Corol negocia dívidas que devem chegar a R$ 800 mi
26/11/13 - 00:00
Valor é 166% maior que o divulgado no último balanço da cooperativa; técnicos adiaram anúncio de auditoria por divergências em números desde 2009
Os diretores da Corol Cooperativa Agropecuária se reuniram nesta segunda-feira (25), em Curitiba, com os maiores credores da organização de Rolândia, para negociar dívidas estimadas em R$ 800 milhões. Apesar de a auditoria interna contratada em julho não ter acabado ainda, o assessor jurídico da associação, Anacleto Giraldeli Filho, diz que há informações de que o valor seja 166% maior do que os R$ 300 milhões do último balanço, relativo a 2011.
No encontro de ontem, o advogado e o presidente da Corol, João Menolli, pediram paciência aos principais credores da cooperativa, instituições como o Banco do Brasil, o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) e a Fertipar Fertilizantes. Eles, que assumiram o grupo em julho, buscaram convencer os executivos de que as dívidas são altas e que é melhor para todos que sejam quitadas. A outra opção é que a cooperativa seja liquidada em leilões, o que reduziria o valor arrecadado. "Temos R$ 800 milhões em dívidas e R$ 400 milhões em patrimônio, então muita gente ficaria sem receber", diz Giraldeli Filho.
A cooperativa sofre com a ameaça de processos antigos, que pedem a venda das instalações do grupo em leilões para quitar débitos. No início deste mês foi anunciado que itens como a sede, a fábrica de sucos e os barracões seriam vendidos pelo maior lance no dia 5 de dezembro, mas Giraldeli Filho conseguiu cancelar o pregão. "Mostramos avaliações de mercado recente que comprovaram que existiam instalações que seriam vendidas por R$ 7 milhões, quando na verdade valiam R$ 45 milhões. O juiz da 2ª Vara da Fazenda Pública de Londrina entendeu que a venda não poderia ser por valor vil."
Os representantes da Corol dizem que a auditoria não acabou ainda porque foram identificados erros nos balanços desde 2009, ano em que a associação entrou em crise. "Os técnicos não aceitaram fechar os números de 2012 porque os de 2009 a 2011 estavam maquiados", diz o advogado. Ele diz que a situação não é boa, mas que é possível resolvê-la.
A Corol contratou a PricewaterhouseCoopers para fazer o balanço patrimonial e a Martinelli Advocacia Empresarial para levantar questões societárias, trabalhistas, previdenciárias, tributárias, cíveis e certidões. Quem analisa o patrimônio e determina o valor de mercado da cooperativa é a Engeval Engenharia de Avaliações. A expectativa dentro da cooperativa é que os números finais sejam finalizados até o próximo dia 15, para que depois sejam apresentados aos associados, em assembleia.
Histórico
A Corol enfrenta uma crise desde 2009 e entrou em racha interno no início deste ano. Um grupo de 600 produtores havia assinado 903 Notas de Crédito Rural (NCRs), no valor de R$ 15 milhões. A administração anterior usou os papéis como garantia na busca por crédito com o BRDE, mas não quitou as NCRs e alguns cooperados acabaram com o nome executado no Serasa.
Como a diretoria anterior não havia apresentado o balanço de 2012 até junho, o que é exigido pelo estatuto da Corol, uma comissão de associados forçou a destituição da administração da cooperativa, em assembleia. O mesmo grupo, capitaneado por Menolli, assumiu a cooperativa em julho, com a missão de renegociar as dívidas.
Fábio Galiotto
Folha Web
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