segunda-feira, 2 de junho de 2014
Chicago: demanda dá suporte ao mercado da soja que fecha no misto
Chicago: demanda dá suporte ao mercado da soja que fecha no misto
02/06/2014 16:32
Nesta segunda-feira (2), o mercado da soja fechou o pregão regular em campo misto na Bolsa de Chicago. Os primeiros vencimentos se mantiveram sustentados pelo quadro fundamental, enquanto as posições de mais longo prazo foram pressionados pelo plantio da nova safra dos Estados Unidos.
Segundo explicam analistas, o mercado se mantém bem dividido, refletindo duas realidades distintas, sendo uma da safra velha e outra da safra nova.
De um lado, os baixos estoques norte-americanos e a escassez de produto nos Estados Unidos continuam esbarrando na aquecida e ainda presente demanda pela soja do país. Enquanto a última estimativa do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) aponta que a nação deva exportar 43,5 milhões de toneladas da oleaginosa na temporada 2013/14, os embarques efetivos já somam mais de 42 milhões e o volume comprometido de produto dessa safra passa de 44,5 milhões de toneladas.
Nesta segunda-feira, o departamento informou que, na semana que terminou no último dia 29, os EUA embarcaram 156,364 mil toneladas. O número não é tão grande, porém, é maior do que o da semana anterior - de pouco mais de 90 mil toneladas.
"Os preços nos Estados Unidos devem ficar fortes até julho, começo de agosto, até lá não tem soja e é necessário restringir a demanda", acredita o consultor em agronegócio Ênio Fernandes. Assim, a primeira posição, julho/14, trabalha com um suporte entre US$ 14,60 e US$ 14,70 por bushel, e uma resistência entre US$ US$ 15 e US$ 15,10.
No mercado brasileiro, de acordo com Fernandes, o produtor "não deve errar muito nos preços" com o que ainda tem de soja da safra 2013/14 para comercializar. "No final do ano, temos os prêmios de disputa pela soja no mercado interno brasileiro. Então, ele pode errar o melhor momento, mas não erra muito com os preços porque o mercado está firme. Porém, para a próxima safra, temos um mercado de clima muito nervoso e o produtor tem que aproveitar para tentar travar seus custos", explica o consultor.
E é esse mercado de clima que deverá dar o tom, cada vez mais, aos negócios nas posições mais longas praticadas em Chicago em função do andamento do plantio da nova safra norte-americana. Até o momento, as condições climáticas são bastante favoráveis e os trabalhos de campo têm evoluído de forma muito satisfatória, com índices de plantio acima da média tanto para a soja quanto para o milho nas principais regiões produtoras.
"O produtor não deve se assustar com um plantio evoluindo bem. Quando os Estados Unidos estiver com algo entre 85 e 90% da soja plantada, por volta do dia 10 de junho, aí o mercado de clima vai falar mais alto. Assim, entre os dias 10 de junho e 10 de julho, nós poderemos ter as maiores oscilações de mercado. Conforme o clima vai se desenvolvendo, os preços vão reagindo", diz Ênio Fernandes.
Com isso, o consultor reafirma a necessidade de acompanhamento do clima nos Estados Unidos, principalmente, no desenvolvimento e enchimento de grãos no país, além do andametno das vendas futuras, que já estão ocorrendo. "Clima e a demanda para a próxima safra serão os determinantes para o mercado. Os sinais da demanda são muito positivos, mas a incerteza sobre o clima é muito grande. Quando chegarmos à florada e ao enchimento de grãos, o clima tem que ser acompanhado diariamente", diz.
Fonte: Notícias Agrícolas
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