quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Dólar sobe 9% no mês, maior alta em três anos

O dólar até caiu diante do real no pregão de ontem, o último do mês Mas o pequeno ajuste num dia sem novidades nos planos doméstico e externo pouco fez para impedir que a moeda terminasse setembro e o trimestre com a maior valorização acumulada em três anos. O dólar fechou ontem em queda de 0,32%, a R$ 2,4476. No mês, contudo, a alta ficou em 9,34%, a mais forte desde setembro de 2011, quando a moeda ganhou 18,14%. No trimestre, a valorização é de 10,76%, a maior desde o terceiro trimestre também de 2011 (20,49%). No acumulado deste ano, o dólar sobe 3,84%. Três anos atrás, o voo do dólar foi ditado pelo medo crescente de um calote da Grécia, que poderia pôr em risco a integridade da zona do euro. A desaceleração da economia global e as medidas impostas pelo governo brasileiro para dificultar a venda de dólares no mercado futuro também pesaram. O real liderou as perdas frente à divisa americana em setembro, considerando o grupo das 34 moedas mais líquidas globalmente. E investidores não descartam que outubro seja mais um mês de perdas para a divisa brasileira, já que os fatores por trás do movimento deste mês - incerteza eleitoral, expectativa de normalização da política monetária americana e desaceleração na economia chinesa - devem persistir nas próximas semanas. De certo mesmo, o mercado deve seguir lidando com uma maior volatilidade, em boa parte ditada pela realização das eleições presidenciais em outubro. Esse vaivém nos preços já tem impactado o apetite de investidores estrangeiros por ativos locais, o que por tabela mexe com o preço do dólar aqui. "O que eu tenho percebido é uma postura de esperar para ver do estrangeiro. Há muita incerteza, e nem um juro de 11% compensa se arriscar agora", diz o economista chefe para a América Latina do banco ING, Gustavo Rangel. A volatilidade afeta sobretudo a demanda por operações de "carry trade", em que o investidor toma recursos a juros mais baixos em países como Japão e os aplica em ativos de mercados com taxas mais elevadas, caso do Brasil. Numa conta rápida, quem realizou esse tipo de operação no início de setembro viu seu lucro anualizado ser reduzido a um décimo do esperado caso o dólar tivesse se mantido estável. O economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Rosa,concorda que a volatilidade ainda deve marcar os negócios com câmbio no Brasil ao longo de outubro. Mas ele pondera que, à medida que o cenário ficar mais claro - ou seja, quem ganhará as eleições -, deve haver alguma acomodação no dólar passada uma reação mais forte. "O Banco Central tende a manter as intervenções por meio de derivativos. A liquidação desses contratos é em reais, e as reservas ainda oferecem um bom respaldo para esse tipo de atuação", afirma, minimizando as chances de o BC ter de atuar por meio de ofertas de dólares no mercado à vista. Além dos resultados das pesquisas eleitorais, o mercado deve reagir hoje ao anúncio das rolagens de swaps cambiais com vencimento em novembro. O BC vai ofertar até 8 mil papéis, equivalente a US$ 400 milhões. Com isso, deve completar a rolagem de praticamente todo o lote a vencer no próximo mês, que soma US$ 8,84 bilhões.
Data de Publicação: 01/10/2014 às 11:20hs Fonte: Canal do produtor

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