Publicado em 03/07/2019 18:27 e atualizado em 03/07/2019 20:00
SÃO PAULO (Reuters) - O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quarta-feira em discurso a militares em São Paulo que a reforma da Previdência atingirá a todos e que os sacrifícios também serão divididos por todos.
"A reforma da Previdência atenderá a todos, fiquem tranquilos meus colegas das forças auxiliares. O acrifício tem que ser dividido para todos, para que possamos colher os frutos lá na frente", disse o presidente ao discursar durante posse do novo comandante do Comando Militar do Sudeste, na zona sul da capital paulista.
No discurso, o presidente também disse que Executivo e Legislativo não precisam de qualquer pacto assinado no papel, mas sim trabalhar juntos na prática para apresentar e votar projetos que fujam do populismo e permitam que cada um receba aquilo que merece por seu trabalho.
"Nós não precisamos de pacto assinado no papel. O pacto de que nós precisamos com o Poder Legislativo e o Poder Executivo é o nosso exemplo de votarmos matérias, de apresentarmos proposições que fujam do populismo, que estimulem a cada um ser realmente responsável em receber aquilo que recebe pelo suor do seu rosto, pela competência, por sua dedicação", disse.
"O que nós queremos e podemos fazer com a nossa união é um Brasil melhor para todos. Isso tem que sair do papel. Tem que sair do discurso fácil de político, nós temos que dar exemplo, nós do Executivo e do Legislativo. Temos que dar exemplo", acrescentou.
No fim de maio, Bolsonaro realizou um encontro com os presidentes da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, no qual ficou acertado que os chefes de Poderes trabalhariam na assinatura de um pacto --anteriormente já aventado por Toffoli-- em favor do país.
Ainda não está claro, no entanto, se este pacto irá adiante, após ressalvas feitas por Maia.
A cerimônia marcou a despedida do general Luiz Eduardo Ramos da chefia do Comando Militar do Sudeste para assumir o cargo de ministro da Secretaria de Governo, no qual será responsável pela articulação política do governo com o Congresso.
Bolsonaro também comemorou no discurso o acordo comercial fechado entre Mercosul e União Europeia. Segundo ele, só foi possível avançar depois que os países sul-americanos abriram mão da ideologia política nas negociações.
"Nós consolidamos um dos acordos mais promissores de todo o mundo, o Mercosul. Isso aconteceria quando esse grande bloco da América do Sul não mais se pautasse pelo viés ideológico, e sim pelo viés do livre comércio", afirmou.
(Por Pedro Fonseca, no Rio de Janeiro)
No ESTADÃO: Pressão para anistia de dívidas do Funrural (BR18)
O relatório do deputado Samuel Moreira (PSDB-SP) para a reforma da Previdência não incluiu a possibilidade de anistia das dívidas dos produtores rurais. Por isso, o deputado Jerônimo Goergen (PP-RS) vai se reunir com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, para tentar virar o jogo, uma vez que ele é autor de projeto que prevê a anistia das dívidas do Funrural.
Nem o governo sabe o valor da dívida dos ruralistas, mas cálculos preliminares apontam que a anistia ao setor pode chegar a R$ 17 bilhões, segundo o Estadão.
Onyx na casa de Maia (em O Antagonista)
Onyx Lorenzoni participa da reunião com lideranças partidárias na casa de Rodrigo Maia.
Eles tentam novos acordos sobre a reforma da Previdência.
Bolsonaro convence relator a adotar regras diferenciadas para policiais (em O Antagonista)
Jair Bolsonaro conseguiu convencer líderes de centro e o relator da reforma da Previdência, Samuel Moreira, a incorporar à proposta uma regra diferenciada para policiais mantidos pela União, relata o Painel da Folha.
Segundo dirigentes ouvidos pelo jornal, o acordo inclui idade mínima diferenciada para a categoria –53 anos para homens e 52 anos para mulheres– e condições mais vantajosas de aposentadoria.
Bolsonaro sempre defendeu atender a policiais, diz porta-voz
Jair Bolsonaro pediu que Onyx Lorenzoni transmita suas “percepções sobre categorias da segurança pública na reforma da Previdência” a Rodrigo Maia, disse hoje o porta-voz Otávio Rêgo Barros.
Segundo o porta-voz, o presidente sempre defendeu “especificidades das forças de segurança pública, como (…) das Forças Armadas”, e é um “defensor do atendimento das necessidades” dessas categorias.
Rêgo Barros acrescentou que, apesar disso, “todos darão sua cota de sacrifício” na reforma.
Ontem, em protesto na Câmara, Bolsonaro foi chamado de “traidor” por policiais que querem alterar a reforma e abrandar as regras para sua aposentadoria.
Fonte: Reuters
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