Mãos unidas semeando o desenvolvimento no cerrado





Mãos unidas semeando o desenvolvimento no cerrado
02/07/13 -
No primeiro sábado do mês de julho, dia 07 neste ano, comemora-se o Dia Internacional do Cooperativismo. Relembre como o Distrito Federal desenvolveu sua produção agrícola atravez da Coopa-DF na matéria do Portal Agrolink publicada em 2012:
Mãos unidas semeando o desenvolvimento no cerrado
por Joana Cavinatto*
"Deste planalto central desta solidão que em breve se transformará em cérebro das altas decisões nacionais, lanço os olhos sobre o amanhã do meu país e ante vejo esta alvorada com fé inquebrantável e uma confiança sem limites no seu grande destino" foram as palavras rufladas pelos lábios do então presidente do Brasil, Juscelino Kubitschek, em uma terça-feira de 1956. Dia este, 2 de outubro, em que JK não só eternizou seu discurso como também assinou o primeiro ato no local da futura capital federal, que nomeava Mário Meneghetti como ministro da Agricultura.
Este ato, o primeiro em solo brasiliense, demarcou a importância da principal fonte da economia brasileira, mas não por isso foi prioridade nos primeiros anos. Em 1977, vinte e um anos depois, o Governo do Distrito Federal (GDF) implantou o PAD/DF - Programa de Assentamento Dirigido, que tinha como objetivo incorporar ao processo produtivo áreas rurais do DF, até então inexploradas. Segundo o Secretário da Cooperativa Agropecuária da Região do Distrito Federal (Coopa-DF), Derci Cenci, para ter resultados mais fortes, o programa buscou agricultores de outras regiões que tivessem tradição na atividade agrícola e alguma ligação com cooperativas.
No início, houve muitos interessados e curiosos, mas sobretudo a resistência e descrença de investidores dificultou o começo dos trabalhos. "Entretanto, a fé e o trabalho de convencimento do Secretário de Agricultura e Produção, Pedro Dantas, encontrou a esperança e o pioneirismo dos 15 primeiros ocupantes da Área A do PAD/DF", registrou em documento Luiz Vicente Ghesti, primeiro presidente da Coopa-DF. Os quinze lotes, totalizando cinco mil hectares, foram divididos entre 12 produtores do Sul, tradicionais de soja e trigo, e dois paulistas, produtores de batata. Esses trouxeram maquinários, tecnologias, recursos e experiências que transformaram a região em uma referência do agronegócio.
http://www.coopadf.com.br/img/fotos/historia/foto02.jpgDe acordo com o superintendente da Organização das Cooperativas do Distrito Federal (OCDF), Remy Gorga, nas décadas de 70 e 80, a região apresentava deficiências em estrutura de suporte à produção agrícola, principalmente com relação a desenvolvimento tecnológico, armazenamento e comercialização. "Essas características transformaram as regiões de fronteira agrícola em terreno fértil para o surgimento de novas cooperativas tornando-se, na maioria das vezes, a única opção que os produtores encontraram para a viabilização das carências existentes", explica. Assim, o décimo quinto lote deu chão para a futura instalação da Coopa-DF, que ganhou vida em 1978.
"Cooperativa é por excelência a negação absoluta da possibilidade individual de resolver problemas e a afirmação categórica da capacidade coletiva de se encontrar soluções", dizia Jarbas Pires Machado, ex-secretário da Agricultura do RS. Partindo dessa concepção, os agricultores ao se associarem em uma cooperativa, buscam, de forma organizada, maximizar os seus recursos, se beneficiando de estrutura comum. "Dessa forma, o produtor terá condições de otimizar a sua capacidade produtiva e conseguir melhores condições para comercialização dos seus produtos, tendo a cooperativa como extensão da sua propriedade", ressalta Gorga.
Com base forte na produção de grãos, na década de 80 a soja foi o carro-chefe das culturas, e também principal desafio. Diferente das terras do Sul, o solo do cerrado era seco e pobre. Mas com tecnologia, cooperação e pesquisa, a intensificação do cultivo levou à produção da variedade “cristalina”, estimulando com isso novos investimentos logísticos.
http://www.coopadf.com.br/img/fotos/moinho/foto01.jpgNos anos 90, entretanto, os produtores começaram a ter dificuldades com doenças do solo causadas pelo cultivo sucessivo do grão. Segundo registros de Cláudio Malinski, responsável técnico da Coopa-DF, a alternativa mais viável seria rotação com culturas de inverno. O milho , muito cultivado na região, não apresentava bom desempenho na segunda safra. Já o trigo tinha boa produtividade, mas as empresas que compravam o cereal não tinham interesse no produto nacional alegando baixa qualidade. Portanto, aproveitando as variedades desenvolvidas pela Embrapa e interesse dos associados, em 1995 a Cooperativa investiu na indústria de farinha, contruindo um moinho. Este, com capacidade de processar 40 toneladas de trigo por dia, usa o grão cultivado pelos cooperados e abastece todo o Distrito Federal e alguns municípios de Minas Gerais e Goiás com seu resultado.
O sonho virou realidade. E cresceu. Com quase 900 associados e seis entrepostos espalhados por Minas Gerais, Bahia e Goiás, a Coopa-DF desempenhou um importante papel na alavancagem do desenvolvimento da região, principalmente nas áreas de pesquisa e desenvolvimento tecnológico. Contudo, neste ponto começaram a aparecer contratempos. "Como cresceu muito rápido, começaram as dificuldades administrativas", comenta Derci Cenci. Para resolver os entraves, ainda em 1984, os cooperados em cada região assumiram as unidades (Formosa-GO, Unaí-MG, Salinas-MG e na Bahia). Hoje, a Cooperativa conta com 102 cooperados.
Uma das principais conquistas foi a realização da Agrobrasília, que este ano teve sua quinta edição e que recebeu 77 mil pessoas em cinco dias. "Me perguntaram quanto achava que iria faturar. R$250 milhões, respondi. Toda feira que passa de R$250 mi em negócios já é emancipada, vem para ficar. Chegamos a R$400 milhões", Cenci comenta com satisfação. Os negócios fechados renderam 88% a mais que em 2011.
Cooperativas constroem um mundo melhor
Segundo a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), existem no Brasil 1.523 cooperativas agrícolas, envolvendo 969,6 mil associados, 155,9 mil empregos diretos e gerando US$ 6,1 bilhões em exportações.
O Distrito Federal, por sua extensão territorial, não possui número expressivo de cooperativas agrícolas. São apenas nove, envolvendo produtores de grãos, leite, orgânicos, hortifruti e plantas ornamentais, com um universo de quinhentos e vinte e três associados.
Para Remy Gorga, superintendente da OCDF, as cooperativas desempenharam e continuam desempenhando um papel fundamental no desenvolvimento do agronegócio brasileiro. Foram instrumento de disseminação e implantação de políticas públicas destinadas ao fomento do setor rural, servindo como vetor importante para a evolução das práticas que transformaram o Brasil em uma das principais potências mundiais na produção de alimentos.
Inúmeras famílias continuam exercendo suas atividades produtivas em decorrência da participação em cooperativas, que possibilitaram a viabilidade de seu negócio, fortalecendo o tecido social no meio rural, reduzindo o êxodo para os centros urbanos. Cenci ressalta que um dos pontos mais importantes da Coopa-DF é que todos se conhecem e incentivam a sucessão familiar, trazendo para seus filhos para perto e, junto dos outros produtores, criando uma grande família unida. "Somos pequenos, mas completos".
"Dessa forma podemos inferir que as cooperativas possuem importante participação na construção de um mundo melhor promovendo a geração e a distribuição de riquezas; o cuidado com a dimensão ambiental; difusão da cultura da democracia, universalizando o direito de expressão, proposição e decisão no coração da atividade econômica", conclui Gorga, remetendo ao tema instituído pela ONU para 2012, Ano Internacional do Cooperativismo.
"Minha mensagem é que as pessoas passem a se desvestir das indumentárias individualistas e reflitam sobre as práticas de cooperação, autoajuda, solidariedade e que possam ter, na forma organizacional cooperativada, o modelo de realização de objetivos econômicos com responsabilidade social, praticando a democracia e contribuindo, junto com um bilhão de pessoas em todo mundo, para a construção de um mundo mais fraterno e melhor", finaliza.
*Colaboração de Lucas Amaral
Matéria publicada em 07/07/2012
Agrolink
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