Região do Alto Uruguai tem apenas 0,2% de áreas irrigadas
04/09/13 - 10:30
Para que seja viável economicamente, o sistema precisa garantir e potencializar a produtividade. Estudo da Farsul indica atraso em mais de uma década na economia gaúcha devido a problemas com estiagens
Somente 0,2% das áreas cultivadas na região possuem sistemas de irrigação. O percentual equivale a pouco mais de 500 dos 280 mil hectares agriculturáveis. Embora alto, o investimento na tecnologia é a aposta de um estudo da assessoria econômica do Sistema Farsul, para frear os prejuízos deixados pelas sucessivas estiagens. A pesquisa calcula, inclusive, que em 2040 a renda per capita dos gaúchos pode ficar abaixo da média nacional, caso os olhares do Estado não se voltem para as demandas do campo.
"As estiagens de 2004 e 2012 causaram um atraso de 13 anos no desenvolvimento do Rio Grande do Sul", afirmou o economista da Farsul, Antônio da Luz, no estudo divulgado no final de agosto.
Segundo a assessoria de Desenvolvimento Sustentável do Sistema, se o Brasil (8,66%) tivesse o mesmo percentual de área irrigada do que os Estados Unidos (28,26%), a safra brasileira de grãos passaria de 184 milhões de toneladas para 245 milhões de toneladas.
"Com esses dois anos de seca, o Rio Grande do Sul cresceu a uma média anual de 1,67% desde 2002. Se não fossem os anos de queda no PIB por conta das perdas na safra causadas pelo clima, esse percentual teria sido de 2,4%, semelhante à média nacional", aponta o estudo.
Para a Farsul, neste ritmo a renda per capita gaúcha só deverá dobrar em 2054, quando atingirá R$ 55.028 mil. Enquanto isso, a renda nacional deverá ser de R$ 61.157 mil. "Sem estiagem, nesse mesmo ano, a renda do Rio Grande do Sul atingiria R$ 74.499 mil, 35% superior do que aquela com estiagem", explica a assessoria econômica no levantamento.
Mas para o engenheiro agrônomo da Emater, Carlos Angonese, embora a irrigação seja uma prática importante na garantia das produções e uma boa forma de alavancar a produtividade, ainda há muito caminho a percorrer. Segundo ele, é preciso atuar fortemente na construção de uma consciência para a adoção e ampliação do sistema. "Além disso, temos problemas ambientais a serem resolvidos para a captação e reserva de água, dificuldades relacionadas à topografia (quanto mais declives, mais difícil e caro o projeto), problemas de oferta de energia elétrica e grandes dificuldades com os custos de implantação dos projetos de irrigação, muito embora hoje existam projetos que subsidiam atividade. Alguns destes problemas podem [inclusive] inviabilizar a atividade", destaca.
Para que seja viável economicamente, a irrigação precisa garantir e potencializar a produtividade. "Se bem manejada ela tem potencial para tal. É nesse sentido que precisamos (Emater, Universidades, órgãos de assistência técnica, poder público, etc.) trabalhar junto aos agricultores", ressalta.
Bons exemplos chegaram a ser desenvolvidos na região. Segundo Angonese, no município de Sertão três produtores adotaram sistemas de irrigação em 100 hectares cada um, mas acabaram desistindo. Viadutos chegou a ter 70 hectares irrigados e hoje tem apenas cinco.
"Na época pensei que a tecnologia ainda não estava em condições de ser implementada. Mas para os próximos anos se estima, pelos projetos em andamento, um aumento muito significativo da área, talvez a percentuais de 3% a 5% da área plantada", explica.
Os projetos a que o agrônomo se refere são três: "Irrigando a Agricultura Familiar", da Secretaria de Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo (SDR), "Mais água, Mais renda", da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa) e "Pró-Irrigação", da Secretaria de Obras Públicas.
Em um debate sobre o uso da água na agricultura, durante esta edição da Expointer, o vice-presidente do Sistema Farsul, Gedeão Pererira, mencionou o programa "Mais água, Mais renda", que pretende incentivar e facilitar a expansão da irrigação, viabilizando a prática entre os agropecuaristas do Estado, além de aumentar a produtividade e a renda dos produtores, estimulando, também a melhoria da renda pública. "Queremos mais eficiência e rapidez, pois o agronegócio é setor mais importante para a economia brasileira. Reservar água não se trata de uma política agrícola, mas de Estado", falou em nota divulgada pela Farsul.
Alternativas possíveis
Enquanto os índices de área irrigada não avançam, o engenheiro agrônomo Carlos Angonese aposta em outros meios de melhorias no campo. "Alterando a matriz produtiva, industrializando, produzindo frutas, olerícolas, culturas permanentes e aproveitando microclimas com alternativas", sugere. "Acredito que [a irrigação] seja uma das formas de garantir renda, mas é cara e temos, sim, outros métodos", pontua.
Jornal Bom Dia
Autor: Diana Rocha
quarta-feira, 4 de setembro de 2013
Região do Alto Uruguai tem apenas 0,2% de áreas irrigadas
Região do Alto Uruguai tem apenas 0,2% de áreas irrigadas
Região do Alto Uruguai tem apenas 0,2% de áreas irrigadas
04/09/13 - 10:30
Para que seja viável economicamente, o sistema precisa garantir e potencializar a produtividade. Estudo da Farsul indica atraso em mais de uma década na economia gaúcha devido a problemas com estiagens
Somente 0,2% das áreas cultivadas na região possuem sistemas de irrigação. O percentual equivale a pouco mais de 500 dos 280 mil hectares agriculturáveis. Embora alto, o investimento na tecnologia é a aposta de um estudo da assessoria econômica do Sistema Farsul, para frear os prejuízos deixados pelas sucessivas estiagens. A pesquisa calcula, inclusive, que em 2040 a renda per capita dos gaúchos pode ficar abaixo da média nacional, caso os olhares do Estado não se voltem para as demandas do campo.
"As estiagens de 2004 e 2012 causaram um atraso de 13 anos no desenvolvimento do Rio Grande do Sul", afirmou o economista da Farsul, Antônio da Luz, no estudo divulgado no final de agosto.
Segundo a assessoria de Desenvolvimento Sustentável do Sistema, se o Brasil (8,66%) tivesse o mesmo percentual de área irrigada do que os Estados Unidos (28,26%), a safra brasileira de grãos passaria de 184 milhões de toneladas para 245 milhões de toneladas.
"Com esses dois anos de seca, o Rio Grande do Sul cresceu a uma média anual de 1,67% desde 2002. Se não fossem os anos de queda no PIB por conta das perdas na safra causadas pelo clima, esse percentual teria sido de 2,4%, semelhante à média nacional", aponta o estudo.
Para a Farsul, neste ritmo a renda per capita gaúcha só deverá dobrar em 2054, quando atingirá R$ 55.028 mil. Enquanto isso, a renda nacional deverá ser de R$ 61.157 mil. "Sem estiagem, nesse mesmo ano, a renda do Rio Grande do Sul atingiria R$ 74.499 mil, 35% superior do que aquela com estiagem", explica a assessoria econômica no levantamento.
Mas para o engenheiro agrônomo da Emater, Carlos Angonese, embora a irrigação seja uma prática importante na garantia das produções e uma boa forma de alavancar a produtividade, ainda há muito caminho a percorrer. Segundo ele, é preciso atuar fortemente na construção de uma consciência para a adoção e ampliação do sistema. "Além disso, temos problemas ambientais a serem resolvidos para a captação e reserva de água, dificuldades relacionadas à topografia (quanto mais declives, mais difícil e caro o projeto), problemas de oferta de energia elétrica e grandes dificuldades com os custos de implantação dos projetos de irrigação, muito embora hoje existam projetos que subsidiam atividade. Alguns destes problemas podem [inclusive] inviabilizar a atividade", destaca.
Para que seja viável economicamente, a irrigação precisa garantir e potencializar a produtividade. "Se bem manejada ela tem potencial para tal. É nesse sentido que precisamos (Emater, Universidades, órgãos de assistência técnica, poder público, etc.) trabalhar junto aos agricultores", ressalta.
Bons exemplos chegaram a ser desenvolvidos na região. Segundo Angonese, no município de Sertão três produtores adotaram sistemas de irrigação em 100 hectares cada um, mas acabaram desistindo. Viadutos chegou a ter 70 hectares irrigados e hoje tem apenas cinco.
"Na época pensei que a tecnologia ainda não estava em condições de ser implementada. Mas para os próximos anos se estima, pelos projetos em andamento, um aumento muito significativo da área, talvez a percentuais de 3% a 5% da área plantada", explica.
Os projetos a que o agrônomo se refere são três: "Irrigando a Agricultura Familiar", da Secretaria de Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo (SDR), "Mais água, Mais renda", da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa) e "Pró-Irrigação", da Secretaria de Obras Públicas.
Em um debate sobre o uso da água na agricultura, durante esta edição da Expointer, o vice-presidente do Sistema Farsul, Gedeão Pererira, mencionou o programa "Mais água, Mais renda", que pretende incentivar e facilitar a expansão da irrigação, viabilizando a prática entre os agropecuaristas do Estado, além de aumentar a produtividade e a renda dos produtores, estimulando, também a melhoria da renda pública. "Queremos mais eficiência e rapidez, pois o agronegócio é setor mais importante para a economia brasileira. Reservar água não se trata de uma política agrícola, mas de Estado", falou em nota divulgada pela Farsul.
Alternativas possíveis
Enquanto os índices de área irrigada não avançam, o engenheiro agrônomo Carlos Angonese aposta em outros meios de melhorias no campo. "Alterando a matriz produtiva, industrializando, produzindo frutas, olerícolas, culturas permanentes e aproveitando microclimas com alternativas", sugere. "Acredito que [a irrigação] seja uma das formas de garantir renda, mas é cara e temos, sim, outros métodos", pontua.
Jornal Bom Dia
Autor: Diana Rocha
Região do Alto Uruguai tem apenas 0,2% de áreas irrigadas
04/09/13 - 10:30
Para que seja viável economicamente, o sistema precisa garantir e potencializar a produtividade. Estudo da Farsul indica atraso em mais de uma década na economia gaúcha devido a problemas com estiagens
Somente 0,2% das áreas cultivadas na região possuem sistemas de irrigação. O percentual equivale a pouco mais de 500 dos 280 mil hectares agriculturáveis. Embora alto, o investimento na tecnologia é a aposta de um estudo da assessoria econômica do Sistema Farsul, para frear os prejuízos deixados pelas sucessivas estiagens. A pesquisa calcula, inclusive, que em 2040 a renda per capita dos gaúchos pode ficar abaixo da média nacional, caso os olhares do Estado não se voltem para as demandas do campo.
"As estiagens de 2004 e 2012 causaram um atraso de 13 anos no desenvolvimento do Rio Grande do Sul", afirmou o economista da Farsul, Antônio da Luz, no estudo divulgado no final de agosto.
Segundo a assessoria de Desenvolvimento Sustentável do Sistema, se o Brasil (8,66%) tivesse o mesmo percentual de área irrigada do que os Estados Unidos (28,26%), a safra brasileira de grãos passaria de 184 milhões de toneladas para 245 milhões de toneladas.
"Com esses dois anos de seca, o Rio Grande do Sul cresceu a uma média anual de 1,67% desde 2002. Se não fossem os anos de queda no PIB por conta das perdas na safra causadas pelo clima, esse percentual teria sido de 2,4%, semelhante à média nacional", aponta o estudo.
Para a Farsul, neste ritmo a renda per capita gaúcha só deverá dobrar em 2054, quando atingirá R$ 55.028 mil. Enquanto isso, a renda nacional deverá ser de R$ 61.157 mil. "Sem estiagem, nesse mesmo ano, a renda do Rio Grande do Sul atingiria R$ 74.499 mil, 35% superior do que aquela com estiagem", explica a assessoria econômica no levantamento.
Mas para o engenheiro agrônomo da Emater, Carlos Angonese, embora a irrigação seja uma prática importante na garantia das produções e uma boa forma de alavancar a produtividade, ainda há muito caminho a percorrer. Segundo ele, é preciso atuar fortemente na construção de uma consciência para a adoção e ampliação do sistema. "Além disso, temos problemas ambientais a serem resolvidos para a captação e reserva de água, dificuldades relacionadas à topografia (quanto mais declives, mais difícil e caro o projeto), problemas de oferta de energia elétrica e grandes dificuldades com os custos de implantação dos projetos de irrigação, muito embora hoje existam projetos que subsidiam atividade. Alguns destes problemas podem [inclusive] inviabilizar a atividade", destaca.
Para que seja viável economicamente, a irrigação precisa garantir e potencializar a produtividade. "Se bem manejada ela tem potencial para tal. É nesse sentido que precisamos (Emater, Universidades, órgãos de assistência técnica, poder público, etc.) trabalhar junto aos agricultores", ressalta.
Bons exemplos chegaram a ser desenvolvidos na região. Segundo Angonese, no município de Sertão três produtores adotaram sistemas de irrigação em 100 hectares cada um, mas acabaram desistindo. Viadutos chegou a ter 70 hectares irrigados e hoje tem apenas cinco.
"Na época pensei que a tecnologia ainda não estava em condições de ser implementada. Mas para os próximos anos se estima, pelos projetos em andamento, um aumento muito significativo da área, talvez a percentuais de 3% a 5% da área plantada", explica.
Os projetos a que o agrônomo se refere são três: "Irrigando a Agricultura Familiar", da Secretaria de Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo (SDR), "Mais água, Mais renda", da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa) e "Pró-Irrigação", da Secretaria de Obras Públicas.
Em um debate sobre o uso da água na agricultura, durante esta edição da Expointer, o vice-presidente do Sistema Farsul, Gedeão Pererira, mencionou o programa "Mais água, Mais renda", que pretende incentivar e facilitar a expansão da irrigação, viabilizando a prática entre os agropecuaristas do Estado, além de aumentar a produtividade e a renda dos produtores, estimulando, também a melhoria da renda pública. "Queremos mais eficiência e rapidez, pois o agronegócio é setor mais importante para a economia brasileira. Reservar água não se trata de uma política agrícola, mas de Estado", falou em nota divulgada pela Farsul.
Alternativas possíveis
Enquanto os índices de área irrigada não avançam, o engenheiro agrônomo Carlos Angonese aposta em outros meios de melhorias no campo. "Alterando a matriz produtiva, industrializando, produzindo frutas, olerícolas, culturas permanentes e aproveitando microclimas com alternativas", sugere. "Acredito que [a irrigação] seja uma das formas de garantir renda, mas é cara e temos, sim, outros métodos", pontua.
Jornal Bom Dia
Autor: Diana Rocha
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