sexta-feira, 1 de março de 2019

China x EUA: Acordo estaria pronto para ser assinado em meados de março por Xi e Trump



Publicado em 01/03/2019 16:43 e atualizado em 01/03/2019 17:24



A agência internacional de notícias Bloomberg informou que China e Estados Unidos estariam, finalmente, na fase final de suas negociações e prontos para assinar um acordo em meados de março. Trata-se de uma ordem executiva de aproximadamente 150 páginas e que precisaria de mais alguns ajustes para que seja, enfim, assinada por Donald Trump e Xi Jinping.
Isso se dá, ainda segundo a agência, mesmo com alguns debates ainda acontecendo em Washington sobre alguns pontos em que Pequim poderia fzer algumas concessões. Agora, representantes de dois países arranjam para que seja definida uma data de ida de Xi à Flórida para uma reunião com o presidente americano. 
O acordo, como explicaram especialistas, conta com os seis pontos do Memorando de Entendimento que foi definido na última ida da delegação chinesa à capital americana, incluindo os pontos de consenso definidos sobre a questão da propriedade intelectual. 
Larry Kudlow, assessor econômico da Casa Branca, acredita que os EUA estão prestes a concordar com um pacto histórico, que poderia, inclusive, obrigar o governo chinês a cortar os subsídios de empresas estatais e a divulgar quando seu banco central intervier no mercado de câmbio. 
O acordo prevê ainda que a China garanta compras de US$ 1,2 trilhão de dólares em produtos dos EUA nos próximos 6 anos para reduzir o déficit comercial dos chineses com os americanos. 

Segundo analistas e especialistas da ARC Mercosul, esse montante incluiria a compra já informada na semana passada adicional de US$ 30 bilhões pela nação asiática em produtos agrícolas dos EUA, o que levaria o total anual bruto a US$ 50 bilhões. O acordo, afinal, também já estaria prevendo a retirada da tarifa de 25% sobre a soja americana por parte da China
"Essa demanda é considerável e mudaria completamente o panorama da agricultura dos EUA, o que é, diga-se de passagem, altistas para os preços, com a China sendo ameaçada com a devolução das tarifas, caso não mantivessem seu compromisso anual de compra de produtos americanos", dizem os analistas da ARC. 
Em cima dessas expectativas, as ações tanto no mercado financeiro chinês quanto no americano subiram nesta sexta-feira, porém, com um mercado ainda bastante cauteloso diante de tantos rumores e nenhuma confirmação em uma disputa que já dura um ano. 
Segundo Stefan Tomkiw, analista de mercado da consultoria internacional Société Genéralé, o contexto começa a ficar mais favorável para os Estados Unidos e exige atenção no Brasil. 
Como explica o executivo, a efeitvação desse acordo, como há muito se comenta, poderia acelerar a demanda chinesa pela soja americana, em detrimento da brasileira, o que seria consideravelmente positivo para os preços na Bolsa de Chicago. 
"A bolsa reflete muito mais uma realidade local de oferta e demanda", diz Tomkiw. Dessa forma, explica ainda que mesmo que com isso os prêmios sejam ainda mais pressionados no Brasil, a compensação poderia vir para o produtor brasileiro, com futuros mais altos na CBOT. 
Além disso, ainda é preciso que tudo isso entre em vigor e comece a valer para provocar qualquer efeito prático e duradouro no mercado, segundo o diretor da ARC Mercosul, Matheus Pereira. 
"O mercado só irá reagir ao otimismo quando Xi Jinping confirmar a agenda para o encontro na Flórida, em meados de março. Já temos um ano de novela. A especulação calejou! Não vai ser noticiário que vai sustentar os preços", diz Pereira. 
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Por Carla Mendes
Fonte Notícias Agrícolas

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