Citricultores de Pirassununga e Aguaí, SP, acumulam prejuízos com furtos
'Direto estão vindo roubar', desabafa o produtor Brayan Palhares.
Com medo, empresário quer intensificar segurança em propriedade.
Depois de vários casos de furto de sacas de café, agora são os produtores de laranja que estão sendo vítimas de ladrões na região.
O citricultor Brayan Palhares, de Pirassununga (SP), contou que sofreu dois furtos em menos de um mês. "A gente trabalha o ano inteiro. É adubação, são os tratamentos, é domingo, feriado, e chega na hora da colheita eles arrombam o cadeado e roubam", disse. "Está difícil a situação, direto estão vindo roubar".
O último caso aconteceu à tarde. Os criminosos aproveitaram que o pomar é bem fechado e não foram vistos enquanto colhiam as frutas. Só quando estavam de saída é que foram flagrados pelo produtor, que chamou a policia.
"Eles roubaram, no mínimo, 50 caixas porque encheram o porta-malas inteiro, o banco de trás do carro inteiro estava lotado de laranja", afirmou. "Há 20 dias, nós também conseguimos pegar um, ele foi preso também, arbitraram fiança e alguns dias depois ele saiu".
Dono de uma propriedade em Aguaí, Antônio Carlos Simonetti também foi vítima de vários furtos. "Fingem que estão trocando o pneu, que o carro está quebrado, e o pessoal está dentro da fazenda roubando laranja e colhendo a laranja", relatou.
Com medo, ele instalou câmeras de monitoramento na fazenda e pretende intensificar a segurança. "A gente vai investir mais em ronda na propriedade".
Escolha
Os criminosos não estão escolhendo a laranja por acaso. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo, o clima prejudicou a produção e, com uma oferta menor, o preço da caixa subiu. Em 2015, ela era vendida por R$ 16. Neste ano, o valor médio foi de R$ 20 e agora, no fim da colheita, chega a R$ 35.
Além do preço, a falta de fiscalização na hora da venda também facilita a prática do crime, de acordo com a Polícia Militar. "Aqueles carrinhos ou o pessoal vendendo na feira com sacolinhas", exemplificou o capitão Neymar dos Santos. "Facilita a receptação desses produtos para a venda no mercado".
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