Da Redação - André Garcia Santana
04 Set 2017 - 09:15
Complexidade de produção, altos investimentos e maior sensibilidade a doenças. Estes são alguns dos desafios apresentados pela cultura do algodão, especialmente se comparada à soja. Os mesmos fatores que mantém restrito o número de produtores no país, que conta com aproximadamente 300, garante rentabilidade até 30% maior do que a do grão, o que possibilitará aumento de 23,3% na produtividade da pluma para a próxima safra. O cenário foi analisado pelo gerente de território da Basf em Cuiabá, Alexandre Kurosaki, durante o 11º Congresso do Algodão, em Maceió – AL, na última semana.
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Em Mato Grosso, líder isolado com 63% do total da produção nacional, os produtores já deram início ao planejamento pra safra 2017/18, que começa a ser plantada em janeiro. Aliada a questões climáticas, a recuperação do mercado, atribuída em grande parte aos estoques internacionais, principalmente o da China, tem animado os agricultores, que devem expandir a área plantada em 15% no Estado. Diante disso, negociações para safra futura e aumento na aquisição de defensivos já foram registrados pela Basf.
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O 11º CBA foi realizado entre os dias 29 de agosto e 1 de setembro.
De acordo com ele os valores não estavam muito atraentes e, como o investimento na cultura é muito alto, muitos vinham reduzindo suas área aos mínimos. “Mato Grosso não reduziu tanto porque os produtores têm maquinário e compromissos que não dá pra simplesmente abandonar. Além disso, a segunda opção, nesse caso, é o milho, que também não está com o preço tão bom. Inclusive temos observado muitos produtores que pararam e estão voltando agora.”
É o caso Jorge Picinini. Em Campo Verde (100 km de Cuiabá) desde 1984, quando começou plantando arroz e soja, ele aderiu à pluma em 2002, tendo interrompido a atividade em 2014, por conta do cenário mercadológico. Dentre os impedimentos que pesaram na decisão estava o baixo preço do dólar na época. “Eu vendia por U$ 25 até R$30 a arroba, mas há dois anos caiu pra U$ 22. Agora deu uma valorizada e resolvi voltar. Isso também foi necessário por causa da rotação de cultura e porque quero ter mais um produto pra vender”, disse ao Agro Olhar.
Habituado a cultivar de 800 a 1000 hectares, este ano ele vai manter a meta, pensando também na rotação de cultura. “Até pra evitar o problema de nematóide, pra fazer um manejo melhor.” A comparação entre a pluma e o grão volta ao centro do debate: “é um investimento de risco menor. O algodão você investe muito e se algo der errado por conta do clima, por exemplo, o prejuízo é muito maior. O serviço também é muito mais complexo. As aplicações [de defensivos], não saem com menos de 24/25, já a soja sai com quatro ou cinco aplicações.”
Cresce a área plantada, mantém-se o número de produtores
Dos já mencionados poucos produtores do Brasil, Mato Grosso concentra 80% do número. A explicação está na viabilidade econômica e climática do Estado, que oferece diversos incentivos ao setor. “O estado é atrativo economicamente, até por sua própria vocação em produzir algodão, apresentar excelente clima em várias regiões, tem maquinário disponível, tem conhecimento disponível, não é necessário importar ninguém pra ensinar a fazer algodão, pelo contrário. Então a perspectiva é que o mercado continue crescendo”, diz o agrônomo.
Congresso do Algodão começa com anúncio de aumento de 23% na safra; MT lidera produção
Os grupos também se concentram muito também por questão de conhecimento. “Quem já planta o algodão é que vem crescendo, são poucos os entrantes. Tem alguns aspectos que contribuem para que esse número se mantenha baixo. Um deles é a própria complexidade da lavoura, que demanda um esforço técnico muito maior que o da soja.” No grão a aplicação de fungicida é de três a média, enquanto que na pluma é de oito, por exemplo.
Por outro lado a pluma por hectare rende muito mais que o grão, podendo apresentar rentabilidade até 30% maior, a depender do ano. “É proporcional ao investimento. O rendimento de um hectare de algodão é três vezes o da soja.A palavra chave é planejamento pro produtor que quer começar no algodão. Tem que se estruturar a longo prazo, tanto na questão de solo quanto de financiamento, crédito, pessoas. Não é um projeto que você entra e sai rapidamente. O algodão não permite isso.”
Despesas estimadas com a soja em MT
Fonte: Instituto Matogrossense de Economia Agropecuária (IMEA) - Boletim do dia 8 de agosto.
Despesas estimadas com algodão em MT


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