segunda-feira, 4 de setembro de 2017

PAC 2017 das raças Hereford e Braford traz novidade com dados de Consumo Alimentar Residual



Os resultados da Prova de Avaliação a Campo (PAC) das raças Hereford e Braford pela Embrapa Pecuária Sul foram divulgados e conteve dados de animais com maior eficiência alimentar



Os touros vencedores da Prova de Avaliação a Campo (PAC) 2017 das raças Hereford e Braford foram divulgados em um Dia de Campo realizado, no dia 22/08, na sede da Embrapa Pecuária Sul, em Bagé (RS). O diferencial desta edição foi a inclusão de novos dados à prova, referentes ao Consumo Alimentar Residual (CAR) dos touros, visando medir a eficiência alimentar de cada um deles. Neste ano participaram da PAC 16 touros da raça Hereford e 18 Braford, oriundos de 13 criatórios do Rio Grande do Sul.
A PAC é desenvolvida em parceria entre a Embrapa e a Associação Brasileira de Hereford e Braford (ABHB). Em sua 26ª edição com a raça Braford e 13ª edição com a raça Hereford, a PAC vem contribuindo para oferecer ao mercado sêmen de touros jovens testados por sua genética superior. “Notamos a evolução da qualidade dos animais e o reflexo disso na cadeia produtiva. Esse ano foi incorporada uma avaliação nova, em função das balanças eletrônicas e de precisão instaladas na área para avaliação de consumo que, além de avaliar os animais a campo, avalia também os animais confinados e concentrados por um período curto”, explica o Chefe Geral da Embrapa Pecuária Sul, Alexandre Varella.
De acordo com o coordenador da PAC, Roberto Collares, o ganho médio diário de peso dos animais que participaram desta edição da PAC para a raça Braford foi de 0,835 Kg/dia, enquanto que os da raça Hereford o ganho foi de 0,800 Kg/dia. “Foi um desempenho muito bom, especialmente pelo fato de que os animais permanecem durante todo o período no campo, sujeitos a mudanças de temperatura e também de oferta de pastagem”, ressaltou Collares. Ainda segundo Collares, esse resultado mostra mesmo que os animais testados na PAC possuem mesmo uma genética superior e com futuro promissor como reprodutores.
O objetivo da PAC de reprodutores de Hereford e Braford é comparar, dentro de um mesmo ambiente físico, reprodutores de diferentes criatórios do sul do Brasil, com a finalidade de identificar animais superiores em termos de genética, para produção de carne em sistema de pastejo. Os animais permanecem nos campos experimentais por cerca de 150 dias, convivendo em um mesmo ambiente e com mesma oferta de alimentos, tornando possível avaliar quais são superiores a partir de parâmetros pré-estabelecidos. “Não tem nada parecido com essa prova no Brasil, e dificilmente parecido no mundo. Com o passar dos anos vimos ouvindo sugestões e críticas, tentando melhorar a cada edição. A inserção do aspecto de consumo alimentar residual foi graças a um esforço grande da Embrapa. É uma tecnologia que estava faltando. É uma prova em que os animais são realmente testados em todas as condições climáticas, de 5º a 40ºC; uma prova que tem uma pré-seleção genética, através de programas de melhoramento”, elogia Fernando Lopa, CEO da 
Associação Brasileira de Hereford e Braford.
Resultados
Na raça Hereford, a primeira, segunda e terceira colocações ficaram com o touro da de Walter José Pötter, da Estância Guatambu, de Dom Pedrito (RS). Já entre os animais na raça Braford, a Estância Guatambu também teve o touro campeão, ficando em segundo, o touro de Ney Arthur Azambuja, da Fazenda Santa Tereza, de Arambará-RS, e em terceiro, outro touro da Estância Guatambu.
Já com relação aos ganhadores no quesito Consumo Alimentar Residual, os ganhadores foram, da raça Hereford, em 1º lugar, da Estância Guatambu; 2º lugar, da Fazenda São Fernando, de Alegrete (RS), de propriedade de João Souza Cavalcante e o 3º lugar, o touro da Wolf Parceria Agropecuária, de D. Pedrito (RS). Os melhores touros da raça Braford foram da Sucessão Doralício Lorentz Borges, de São Sepé (RS), que levou o 1º lugar; o touro de Gustavo e Gilberto Camponogara, de Bagé (2º lugar) e o touro de Alfeu de Medeiros Fleck, de Alegrete (RS).
Consumo Alimentar Residual
Durante a prova são avaliados diferentes quesitos, definidos em conjunto entre a ABHB e a Embrapa Pecuária Sul, como ganho de peso diário, o ganho de peso total, morfologia, área de olho de lombo, gordura subcutânea, área escrotal entre outros. Porém, nesta edição da PAC, a novidade foi a inclusão de uma nova avaliação, o Consumo Residual Alimentar (CAR) que visa medir a eficiência alimentar dos touros. Para isso, os animais foram deslocados para uma área controlada, com cochos automatizados, que controlam tanto a entrada e saída de cada animal, como o consumo por ele realizado. Por meio de chips nos animais e balanças nos cochos, todos dados são registrados e enviados em tempo real para um computador e também diretamente para os técnicos da PAC.
Porém, antes de os animais irem para a prova que avalia o CAR, eles passaram por um período de 45 dias de adaptação no cocho para se acostumarem a comer. “Inicialmente precisamos de uns 20 dias para adaptar as bactérias do rúmen do animal para comerem o concentrado. Os alimentos no início eram fornecidos duas ou três vezes por dia, à medida que ia faltando alimento na caixa a gente ia repondo, para que nunca faltasse alimento. E íamos avaliando a questão metabólica de cada animal”, explica a pesquisadora Renata Suñé, responsável por acompanhar a parte nutricional da prova.
“O nosso interesse em confiná-los durante esse período foi medir a Eficiência Alimentar, tanto o Consumo Alimentar Residual quanto o Ganho de Peso Residual. Com essas informações sabemos como o animal aproveita esse alimento, de forma eficiente ou não, como ele ganha peso e a correlação entre essa eficiência de aproveitar o alimento, ganhar peso e o crescimento. Ou seja, como a genética afeta o desempenho do animal”, explica o pesquisador em melhoramento genético Marcos Yokoo, responsável por acompanhar o andamento da prova.

Como o CAR é calculado
De acordo o Yokoo, o consumo de matéria seca (consumo alimentar) é ajustado ao peso metabólico do animal e pelo ganho de peso deste referido animal. Assim, o Consumo Alimentar Residual é a diferença entre o consumo de alimento observado e o estimado. Desta forma, quanto mais negativo o CAR de um animal, melhor. O Ganho de peso residual é a diferença entre o GMD observado e o estimado com base no consumo de alimento e do peso metabólico. Assim, valores maiores de Ganho de peso residual são favoráveis.
“Por exemplo, um animal de 500 kg que consumiu determinada quantidade de alimento, consumiu mais ou menos do que ele necessitava” explica o pesquisador. Então para aliar essa medida do CAR (Consumo Alimentar Residual), temos que trabalhar junto com o ganho de peso residual. Quer dizer, queremos aquele animal que realmente consumiu menos e que ganhou mais peso, ou seja, que cresceu mais”, resume Yokoo.



Data de Publicação: 04/09/2017 às 15:00hs
Fonte: Embrapa Pecuária Sul

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