segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Clima prejudica desenvolvimento do feijão e compromete a safra em SP

Clima prejudica desenvolvimento do feijão e compromete a safra em SP 02/12/2013 08h51 Em Itaberá, sudoeste do estado, produtores começaram a colher. Muitos tiveram perdas e estão in A colheitadeira começa a retirar os primeiros grãos de feijão desta safra. Leandro Gomes plantou 270 hectares, 10% mais que no ano passado, mas o investimento não foi nada bom para o produtor de Itaberá, sudoeste de São Paulo. Ele estima que 40% da produção foi perdida e o principal motivo foi a geada que atingiu a região há quatro meses. Outro problema que os produtores enfrentam agora é motivado pela chuva que caiu nos dias que eles iam começar a colher. Agora, os grãos estão mais úmidos e vão precisar passar pela secadora antes de serem beneficiados. Foi o que aconteceu na propriedade de Ricardo Veiga, que além de perder na qualidade por causa da umidade, também sofreu com a geada. Segundo a Casa de Agricultura, o município de Itaberá já colheu 40% do feijão. Foram cultivados nesta safra 8 mil hectares do grão, redução de 10% em relação ao ano passado. Só uma cooperativa de Itaberá deve receber até o fim de janeiro 100 mil sacas de feijão. Mesmo com a queda na oferta, o preço continua baixo para o produtor. A tendência seria que o preço aumentasse, mas o mercado não depende somente de São Paulo e o Nordeste produziu bem, além dos estados de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso, que ainda têm produto estocado. José Ribeiro da Cruz, assessor de comercialização da Castrolanda, explica se o valor cobre os custos dos agricultores e a expectativa de preços para os próximos meses. Confira a entrevista no vídeo com a reportagem completa. tópicos: ItaberáDo Globo Rural

Termina o vazio sanitário e algodão já pode ser semeado em MT

Termina o vazio sanitário e algodão já pode ser semeado em MT 02/12/2013 07h57 Vazio sanitário do algodão durou 60 dias em Mato Grosso. Fiscais do Instituto de Defesa Agropecuária fiz Em uma fazenda, em Sorriso, no norte de Mato Grosso, foram cultivados 280 hectares de algodão na safra passada. No início de outubro, logo no início do vazio sanitário, o fiscal do Instituto de Defesa Agropecuária, Indea, esteve lá e não encontrou problemas, mas agora, na visita de retorno, encontrou plantas vivas de algodão no meio da lavoura de feijão. O gerente explica as dificuldades para manter a área livre de invasoras. "Jogamos a química, mas sempre sobra muita soqueira por causa da época que é de seca, não tem umidade, então a absorção do veneno é pouca”, diz Clóvis Schaffer. As chamadas soqueiras são os restos de plantas que ficam nas lavouras depois da colheita e que devem ser eliminadas antes do início do vazio. Se a limpeza não é bem feita, elas acabam brotando com a volta das chuvas. “Sendo encontrada planta viva de algodão, a gente notifica o produtor para que seja feita a destruição em um prazo de até 15 dias. Depois disso, se o produtor destruiu, nós fazemos novo termo. Caso não tenha sido feita a destruição do algodão, aí o produtor é autuado e outras medidas são tomadas quando necessário”, explica Rodrigo Vicenzi, fiscal do Indea. O vazio sanitário tem o objetivo de combater o bicudo do algodoeiro. Sem plantas para hospedar a praga na entressafra, a população fica mais controlada. O bicudo do algodoeiro é uma espécie de besouro de cor cinza ou castanha com grande capacidade de infestação. O ataque provoca queda dos botões florais e impede a abertura das maçãs, o que reduz de forma considerável a produção. Durante o vazio sanitário, o Indea fez quase 600 fiscalizações em Mato Grosso, que resultaram em mais de 270 notificações e 22 autuações. tópicos: SorrisoDo Globo Rural

domingo, 1 de dezembro de 2013

Qualidade do queijo artesanal depende de limpeza e cuidados

Qualidade do queijo artesanal depende de limpeza e cuidados 01/12/2013 08h52 Antes da ordenha, úbere deve ser lavado e deve ser feita a assepsia. Curral deve estar sempre lim Marcos Antonio da Silva, de Luislândia, Minas Gerais, faz queijo no sítio da família, e diz que, no período da seca, vai tudo bem. Mas, nas águas, a massa incha tanto que passa da forma. Guilherme Ferreira, veterinário e produtor de queijo explica que uma contaminação pode ser a causa do problema. “Faça chuva ou faça sol, o queijo tem que sair com qualidade o ano inteiro. O tempo não influencia, basta ter capricho e salientar que nas águas, tem muita incidência de barro e sujeira nas vacas, o que pode favorecer a contaminação do leite lá no curral”, diz o especialista. Bactéria não anda nem rasteja, ela nada. É o que vai favorecer pra ela entrar na teta da vaca e provocar uma doença ou entrar no latão e contaminar o leite e isso chega na queijaria. “Do lado de fora do curral, pode estar a lama que for, mas dentro, tem que estar tudo higienizado”. No tempo de chuva, tem enchente, enxurrada e isso pode afetar o abastecimento de água. Antes da ordenha, o úbere deve ser lavado e ser higienizado com solução de iodo. Muita gente só faz isso antes da ordenha, mas deve ser feito depois também. É importante lavar bem as mãos se fizer a ordenha manualmente ou deixar impecavelmente limpas as peças da ordenhadeira. Os recipientes para armazenar o leite, tanto no curral quanto na queijaria, tem de ter todo o asseio, e com filtros. “A pessoa que freqüenta o curral tem que tomar um banho antes de entrar na queijaria. Queijo contaminado não consegue maturar”, explica Guilherme. Quando o queijo incha, o problema está relacionado na maioria das vezes com contaminação e temperatura. Passa de 100 o número de procedimentos e ítens que devem ser observados para a produção de um queijo artesanal de qualidade. Veja abaixo instituições que podem orientar na produção de queijos artesanais: Instituição: CATI - Coordenadoria de Assistência Técnica Integral/Beatriz Endereço: Avenida Brasil, 2340, Jardim Chapadão Município: Campinas (SP) CEP: 13070-178 E-mail: faleconosco@cati.sp.gov.br ou beatriz@cati.sp.gov.br Site: www.cati.sp.gov.br Telefone: (19) 3743-3700 / (19) 3743-3819 Instituição: UFLA - Universidade Federal de Lavras/Prof. Sandra Maria Pinto (Departamento de Ciência Endereço: Campus Universitário da UFLA, Departamento de Ciência dos Alimentos - Caixa Postal 3037 Município: Lavras (MG) Cep:37200-000 E-mail: dca@ufla.br ou sandra@dca.ufla.br Site: www.ufla.br Telefone: (35) 3829-1391 / (35) 3829-1024 Instituição: EMATER - Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Distrito Federal Endereço: Parque Estacão Biológica, s/nº, Edifício Sede - Asa Norte - Caixa Postal 8735 Município: Brasília (DF) CEP: 70770-915 E-mail: gedes@emater.df.gov.br Site: www.emater.df.gov.br Telefone: (61) 3340-3088 / (61) 3340-3030 Instituição: Instituto de Laticínios Cândido Tostes Endereço: Rua Tenente Luiz de Freitas, 116, Santa Terezinha Município: Juiz de Fora (MG) CEP: 36045-560 E-mail: ilct@epamig.br Site: www.candidotostes.com.br Telefone: (32) 3224-3116 Instituição: ESALQ - Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz/Casa do Produtor Rural da Esalq Endereço: Avenida Pádua Dias, 11, São Dimas - Caixa Postal 09 Município: Piracicaba (SP) CEP: 13400-970 E-mail: cprural@esalq.usp.br Site: www.esalq.usp.br Telefone: (19) 3429-4178 Do Globo Rural

Agricultores de MT apostam no refúgio de soja contra as pragas

Agricultores de MT apostam no refúgio de soja contra as pragas 01/12/2013 08h33 Produtores enfrentam uma forte infestação de lagartas nesta safra. Técnicas de combate mudam, d Produtores de soja de Mato Grosso estão enfrentando uma forte infestação de lagartas nesta safra. As técnicas de combate mudam, de acordo com a semente plantada. Os produtores da região terminaram há poucos dias o plantio da safra e têm este ano uma preocupação a mais: está difícil o combate às várias espécies de lagarta que atacam a lavoura. Em uma propriedade, em Lucas do Rio Verde, o agricultor só fez uma pulverização de inseticida nessa mesma época do ano passado. Este ano, já fez quatro. O trabalho acontece à noite. Sem o calorão do dia, é possível ajustar o pulverizador para lançar gotas mais finas, diminuindo custos e melhorando os resultados. Outra tecnologia que começou a ser usada é a soja transgênica de segunda geração, a RR2, que já ocupa 5% da área no estado. Do mesmo modo que a soja transgênica de primeira geração, ela é resistente ao herbicida Glifosato. A diferença é que ela também tem uma toxina conhecida como "bt", capaz de eliminar as principais lagartas que atacam a soja. Características que convenceram o agricultor Giorgio Nava a testar a nova tecnologia em sua fazenda. "Esperamos que dê um resultado satisfatório, positivo, e que traga rendimento a mais do que já se tem com a primeira geração dos transgênicos", diz. Uma vez que esta soja tem a toxina bt, para que ela seja eficiente, o agricultor deve plantar as chamadas “áreas de refúgio”. Elas servem para evitar que as lagartas fiquem resistentes ao transgênico. No refúgio, ao lado da soja RR2, é preciso plantar um outro tipo de semente. Pode ser a soja convencional, ou qualquer uma transgênica, desde que não contenha a toxina bt. O plantio de áreas de refúgio não é uma novidade no brasil. Há algum tempo muitos produtores de algodão e também de milho adotam esta tecnologia já nas lavouras. Mas em se tratando de áreas de soja, esta é a primeira safra em que a medida é recomendada para os produtores. O agricultor Giorgio fez o refúgio seguindo a orientação da empresa de sementes: numa área de 600 hectares, plantou a nova soja transgênica em dois talhões que somam 480 hectares. No meio e após o último talhão, colocou duas áreas de refúgio com 60 hectares cada uma. O refúgio tem que corresponder a 20% do plantio total. O refúgio funciona assim: na população total de lagartas numa lavoura, algumas são resistentes à toxina bt. A tendência é que elas se multipliquem, gerando grupos cada vez maiores de lagartas resistentes. Mas se elas cruzarem com as mariposas não resistentes que estão na área de refúgio, os filhos desse casamento tendem a ser novamente suscetíveis, isto é, perdem a resistência ao bt. O refúgio, portanto, limita o aumento do número de mariposas resistentes. “A manutenção desta tecnologia está na mão dos agricultores. O tamanho da preocupação é o tamanho da perda que nós teremos caso nós percamos esta tecnologia”, explica o agrônomo Rafael Carmona Do Globo Rural

Falta de agrotóxico autorizado dificulta combate à broca em cafezais

Falta de agrotóxico autorizado dificulta combate à broca em cafezais 01/12/2013 08h34 Produtores reclamam da demora do governo na liberação de novo produto. Broca é conhecida como um dos piores Os produtores de café estão terminando o ano com um problema. Não existe no mercado nenhum agrotóxico autorizado para combater um dos piores inimigos do cafezal: a broca. A equipe do Globo Rural subiu a região serrana do Espírito Santo. São 650 metros de altitude até chegar ao município de Marechal Floriano, a 40 quilômetros de Vitória. Uma região cheia de belezas naturais e com um clima ameno. Nesta época do ano, a temperatura média da região é de 19 ºC. O que predomina é o café arábica. É comum encontrar agora alguns cafezais que ainda estão com grãos maduros. Bem diferente de outras regiões, como o sul de Minas, onde a colheita já acabou. Aqui, a safra pode se estender até o final do ano. É nessa época que os cafeicultores precisam combater um dos principais inimigos da lavoura: a broca. Ela tem menos de dois milímetros. Mesmo muita pequena, pode fazer um estrago gigantesco em uma lavoura de café. A broca perfura o fruto e pode comprometer boa parte da produção. Há alguns anos, o agrônomo Cesar Krohling se dedica a pesquisar os efeitos da broca nos pés de café. "Quando você faz um corte no caroço de café, você observa que ele tem o ataque da broca, que causa prejuízo, deformação do grão de café” O besourinho é a fêmea na idade adulta. É ela que perfura o grão do café para depositar os ovos no interior. Cada fêmea pode botar mais de 70 ovos. Deles, nascem as larvas que se alimentam do fruto e comprometem o seu desenvolvimento. "Em função do furo da broca pode ocorrer fermentações indesejáveis no grão, que vai comprometer a qualidade desse grão". O problema é que, em julho deste ano, foi proibido o uso do inseticida que, segundo os cafeicultores, era o mais eficiente para combater a broca. Esse agrotóxico tem como princípio ativo o endosulfan. O agrônomo José Braz Matiello é pesquisador da fundação Prócafé, ligada ao Ministério da Agricultura. Ele aponta os motivos que levaram o governo a retirar o produto do mercado. "Problemas de doença, em muita gente pode causar problema de pele e até câncer foi visto". O produtor José Stockl compreende os riscos do agrotóxico, mas por outro lado, se sente agora desarmado para combater a broca. Os inseticidas que existem no mercado atualmente, segundo ele, não são eficientes. "Estamos aguardando o que vai acontecer no futuro. Não temos estoque no mercado hoje. Está proibido e os novos não chegaram”. Em setembro de 2011, as indústrias encaminharam ao governo os pedidos de registro de dois novos produtos para combater a broca. Eles têm como princípios ativos as substâncias cyazypyr e rynaxypyr , que são menos tóxicas. “Oha, foram feitos vários trabalhos nas mais diversas regiões, tanto de arábica como de conilon, e tem comprovado boa eficiência sim”, diz César. A questão é que já se passaram dois anos e, até agora, os novos produtos não foram liberados. Para ser usado na lavoura, um agrotóxico precisa da aprovação de três ministérios: o da agricultura, o da saúde e o do meio ambiente. Luís Rangel, diretor do Departamento de Sanidade Vegetal, informou que eles já tem um parecer do ponto de vista de eficiência agronômica de ambos os produtos e que trabalha para que todos os procedimentos necessários para a liberação comercial sejam feitos. Ele acredita que a liberação de um dos dois produtos em estudo - o Rynaxypyr - pode acontecer até fevereiro. tópicos: Marechal Floriano Do Globo Rural

Conheça histórias de quem fez a vida trabalhando em colheitas pelo Brasil

Conheça histórias de quem fez a vida trabalhando em colheitas pelo Brasil 01/12/2013 09h00 O avanço das colheitadeiras ameaça os empregos dos safristas. Em São Paulo, família construiu Durante a safra, as fazendas de café, laranja e cana atraem uma multidão de trabalhadores. São 90 mil colhedores de laranja, 170 mil cortadores de cana e 2,3 milhões apanhadores de café. Nos meses de colheita, as fazendas de café, laranja e cana de açúcar atraem 2,5 milhões trabalhadores temporários, também conhecidos como safristas. Na semana passada, o Globo Rural mostrou um pouco da rotina e das dificuldades desse pessoal: gente que dá duro no campo e, muitas vezes, passa boa parte do ano longe de casa. Desta vez, o programa conta histórias de outras pessoas, que fizeram a vida na colheita. E mostra qual o futuro desses trabalhadores com o avanço da mecanização. Veja reportagem completa no vídeo. Antônio Ramalho colhe laranja nas fazendas de São Paulo há 14 anos. No período de safra, entre maio e janeiro, ele consegue uma renda média de R$ 900 por mês. Roberto Rezende, conhecido como Seu Falcão, é safrista de café, em Minas Gerais. Entre maio a outubro, ele garante um ganho mensal de R$ 1200... e só trabalha cantando. Já Geni Pinheiro corta cana em São Paulo desde menina. Durante a colheita, de abril a novembro, ela recebe cerca de R$ 800 por mês. Geni, Falcão e Antônio sempre ganharam vida como safristas. Todos trabalham com carteira assinada e o salário varia de acordo com a produção. Do Globo Rural

Agricultores da Bahia colhem safra recorde de milho em área semi-árida

Agricultores da Bahia colhem safra recorde de milho em área semi-árida 01/12/2013 08h15 São mais de 40 mil hectares de lavoura em pleno semi-árido. Região é beneficiada pela proximidade Agricultores do nordeste da Bahia colhem uma safra recorde de milho. A repórter Cristina Vieira esteve no local para entender como é possível produzir bastante numa região semi-árida, mais conhecida pela seca do que pela fartura. São mais de 40 mil hectares de lavoura em pleno semiárido. Na região de Paripiranga e Adustina, no sertão da Bahia, os coqueiros dividem espaço com um milharal a perder de vista. As chuvas foram regulares entre abril e agosto, época de plantio e desenvolvimento das lavouras. Acima de 700 milímetros, bem distribuídos. Uma condição excepcional, diferente da maior parte do semi-árido, castigado pela seca. Em Aracajú, o meteorologista Overland Amaral explica essa condição particular de clima. “Essa região está mais próxima do litoral e recebe mais facilmente a umidade que vem do oceano”. Paripiranga deve colher até janeiro 260 mil toneladas de milho. A safra é recorde no município. Um alívio para os agricultores que no ano passado sofreram com a seca e colheram apenas 30 mil toneladas. Em 2012, choveu menos da metade do normal para essa região. Eraldo Carvalho, agricultor que vai colher 19 mil sacas de milho em 150 hectares, quer esquecer a safra passada, mas não perde o bom humor. “Ano passado não teve, 2012 foi perda total, milho pequeno e espiga feia”. O cultivo do milho ganhou força na região de quatro anos pra cá, quando os agricultores passaram a investir em tecnologia: melhoraram a adubação do solo e usaram sementes selecionadas. A produtividade média passa de sete toneladas por hectare. O agrônomo da empresa baiana de desenvolvimento agrário, Jobson Peixoto, observa outra mudança. “Muito produtor que vinha plantando feijão agora ta passando a plantar o milho por vários fatores. Na colheita do feijão necessita muito da mão de obra, que está muito cara e escassa”. Nem todos os produtores de milho conseguem comprar máquinas, mas se viram pra fazer a colheita. “Aqui a maioria é agricultura familiar só que eles não tem a máquina. Os maiores vão colher a roça dos pequenos, cobram 1,50 por saco”, diz José Hildo Santana, presidente do sindicato rural da região. É mais um custo para os agricultores, que reclamam do preço da saca, vendida em média por R$ 24. Essa super produção expõe outro problema: a falta de armazéns. Quando a safra é boa, muitos agricultores não tem onde guardar o milho, e o grão que é colhido vai direto pra carreta. Em quase toda a roça tem um caminhão sendo carregado para seguir viagem. É tanto movimento que em um posto de combustíveis, entre Paripiranga e Adustina, ganhou o nome de rota do milho. Lá os caminhoneiros pesam as cargas e descansam. Motoristas de todo o Nordeste, acostumados a cruzar o país em busca do grão, economizam com a safra farta na Bahia. A produção de milho mexe com o comércio. Em Paripiranga, não tem lojista que não fique de olho lá no campo. No centro de Adustina uma imagem que chama a atenção é a praça, que virou um depósito a céu aberto, onde o milho fica debaixo do sol pra perder a umidade. Genílsondo Nascimento é agricultor, e também trabalha como intermediário: compra pra revender. Ele é dono de um dos sete depósitos ao redor da praça. “Como não cabe o milho nos depósitos, cada um coloca um pouquinho na praça”, diz. O armazém da Conab mais próximo fica em Ribeira do Pombal, também na Bahia, a cerca de 80 km de distância. O transporte é difícil e os agricultores, preferem ter alguém que compre em sua porta, mesmo pelo preço abaixo de mercado, do que ter mais gasto para vender à Conab. Na propriedade de Ivo, sacos de milho viram paredes. Ele usou a criatividade, e com a ajuda do filho Tarcísio, de 16 anos, está montando piscinões de lona para guardar o grão. Quando a colheita terminar, o agricultor Ivo Andrade vai encher cada piscinão com o equivalente a três mil sacas de milho. “Vou guardar porque a gente precisa ganhar um pouco mais. Como o preço agora a gente acha que não está suficiente para as contas, vamos guardar o milho, esperar janeiro pra que a gente possa ganhar um pouco mais”. Do Globo Rural