terça-feira, 30 de dezembro de 2014

30/12/2014 - 16:00

Ano foi de resgate dos prejuízos anteriores, declara presidente da Acrismat Da Redação - Viviane Petroli Foto: Assessoria e Reprodução/Internet Ano foi de resgate dos prejuízos anteriores, declara presidente da Acrismat Após cerca de dois anos em crise o setor da suinocultura em Mato Grosso começa a dar sinais de recuperação de fôlego em 2014. Embargos, em especial por parte da Rússia, e mercado oscilativo foram os principais motivos que levaram o segmento a amargar prejuízos nos últimos anos. Segundo o setor produtivo, hoje o custo de produção é de aproximadamente R$ 2,70 por quilo do animal vivo, enquanto preço pago ao produtor oscila na casa dos R$ 3,88 o quilo vivo. A expectativa para 2015, de acordo com o presidente da Associação de Criadores de Suínos em Mato Grosso (Acrismat), Raulino Teixeira Machado, é que o consumo de carne suína cresça ainda mais e a cadeia produtiva tenha boa rentabilidade. Em entrevista ao Agro Olhar, Raulino comenta que o consumo de carne suína per capta saltou de 6 quilos em 2001 para 11,5 quilos. Ele comenta que diversas ações realizadas pela Acrismat auxiliaram para este incremento, em especial nas escolas municipais. Confira a entrevista com o presidente da Acrismat: Agro Olhar - Como o setor da suinocultura avalia o ano de 2014 em Mato Grosso e no Brasil? Raulino Teixeira Machado - Tendo em vista que saímos de crises acentuadas lá atrás, o ano de 2014 foi um ano muito próspero para a suinocultura. Desde meados de 2013 e ao entrar em 2014 os preços já estavam acima do custo de produção. Isso fez com que o produtor se animasse consideravelmente, trabalhasse de uma maneira diferente e o mercado promissor, a partir de maio, veio dar esse alento aos produtores visto que os preços subiram consideravelmente em função do mercado internacional. Tendo em vista a tudo isso tivemos um ano bastante interessante de resgate dos prejuízos anteriores para o custo, pelo menos esse ano. No Brasil se observou essa mesma sistemática, com bom volume de carne suína no mercado. O que a gente observa é que os produtores animaram, a tendência desse ano com muito pé no chão é que os produtores comecem a alojar algumas matrizes, isso quer dizer aumentar a sua produção, em função desse mercado consistente que encontramos agora, mesmo ele caindo um pouco no final do ano. O mercado a nível de Brasil também foi bastante salutar, visto que todo mundo vendeu suíno acima dos custos de produção. Agro Olhar - Como está o setor hoje? Está conseguindo recuperar-se da crise verificada há cerca de dois anos? Raulino Teixeira Machado - O setor não está totalmente recuperado ainda. O que houve foi um belo fôlego, mas lembrando que o produtor passou um ano e meio, dois anos em crise. E essa crise com sérios prejuízos. Tanto é que várias pessoas saíram da atividade. Podemos dizer que os suinocultores estão começando a se recuperar, alguns deles começam a alojar mais matrizes, aqueles que saíram da atividade começam a alojar poucas matrizes de novo, tentando inserir-se novamente no mercado da suinocultura. Precisamos ressaltar, e é isso que todas as associações pelo Brasil tem feito, que o produtor preste muita atenção nessa tendência de júbilo da suinocultura. De repente sai à Rússia ou entra alguma doença no país e o suinocultor pode ter uma queda grande na produtividade. Então a indicação é se trabalhar com muita cautela, principalmente quando se fala em grandes investimentos.
Agro Olhar - O que agravou a crise no setor da suinocultura em Mato Grosso? Preços, custo de produção ou o embargo por parte da Rússia? Raulino Teixeira Machado - Basicamente o que causou tamanho prejuízo foram os embargos e o mercado que oscila consideravelmente. E para nós que estamos longe dos mercados consumidores, dentro do Centro-Oeste, especificamente o Mato Grosso, por ter que levar longe os nossos produtos, com uma logística extremamente deficitária, com frete alto e todos aqueles problemas que os produtores enfrentam, então temos mais dificuldade do que outros estados. Quando se tem um volume maior de carne no mercado, uma oferta muito maior do que a procura, tendenciosamente os Estados que estão mais próximos dos centros consumidores levam vantagem. Nós que ficamos distantes, temos que criar oportunidades e possibilidades, isso faz com que Mato Grosso sinta muito mais as crises do que outros Estados. Agro Olhar - Como está hoje o preço do quilo do suíno vivo? E o custo de produção? O que o produtor recebe hoje dá para cobrir o custo de produção e obter rentabilidade para novos investimentos no setor? Raulino Teixeira Machado - O preço do suíno vivo já esteve melhor, já chegou a quase R$4,50 em média aqui no Estado. Hoje a nossa média está em torno de R$3,88, mas tem produtores vendendo a R$3,50 até R$3,40. Já esteve melhor, mas ainda se mantém acima dos custos de produção, que oscila em média de R$2,70 o quilo. O custo de produção depende do produtor, se ele também for produtor de milho ou farelo de soja, ele terá o custo um pouco mais baixo. Hoje esse preço está bom, visto que o preço de venda é em torno de 3,50 e o custo de produção em 2,70, você tem 0,80 centavos de lucro por quilo. Para exemplificar, um produtor que vai vender um animal de 100 quilos, se ele tem o lucro de 80 centavos por quilo, o total é de 80 reais de lucro líquido por cabeça. Porém, temos que lembrar que esse lucro de hoje está sendo para bancar os prejuízos que tiveram na crise. Sendo assim, os investimentos no setor ainda estão muito tímidos. Agro Olhar - Aos poucos verifica-se que as exportações de carne suína estão crescendo, apesar de ainda seguirem abaixo do ano passado. Como o setor vê a recuperação das exportações? Raulino Teixeira Machado - Enxergamos isso com bastante otimismo, apesar de as exportações ainda serem bastante restritas, pelo percentual de exportações serem basicamente Ucrânia, Rússia, Honk Kong. Então é o seguinte, o que exportamos, o grosso está nesses países. Então precisamos tentar melhorar as questões sanitárias, adequação às novas regras da OIE, para que possamos melhorar esse mercado. Nós precisamos do mercado internacional, acredito que pode melhorar no ano que vem seguindo o mesmo patamar, porém o mercado continua restrito, com grande volume para poucos países. Agro Olhar - Como está o consumo de carne suína em Mato Grosso?
Raulino Teixeira Machado - Nós saímos nos meados de 2001 de 6 kg per capta e hoje estimamos o consumo de 11,5 Kg per capta. Com os trabalhos que a associação realiza melhorou muito o consumo da carne suína, um resultado considerável. Para exemplificar isso, fechamos uma parceria com a Secretaria Municipal Educação de Cuiabá, para capacitar mais de 600 técnicas em nutrição escolar, com teoria sobre a carne suína e com curso de gastronomia, ensinando novas receitas e cortes da carne para serem inseridas na merenda escolar. O programa prevê também teatros de fantoches e história em quadrinho sobre a carne suína para as crianças de toda a rede municipal, o que engloba ai mais de 60 mil crianças. As ações começam no final de janeiro. Agro Olhar - Como está a negociação do PGPM da carne suína? Raulino Teixeira Machado - No início de dezembro recebeu voto desfavorável em Brasília. Na realidade, mesmo com esse voto estaremos firmes na luta para a aprovação porque entendemos que ele garante e dá sustentabilidade à cadeia nos momentos de crise. Para que o preço não caia a baixo do custo de produção. É necessário que se levante um preço mínimo, a nível de Estado, para que em base futuramente o Governo colocar a inserção do PGPM especificamente à carne suína. Agro Olhar - Quais as expectativas do setor para 2015? Raulino Teixeira Machado - São as melhores possíveis. Entendemos e os números vêm mostrando que a carne suína está se firmando no mercado, as pessoas estão conhecendo as vantagens do consumo, que é uma carne saudável, apetitosa e com preços bons para o consumo. Esperamos que no ano que vem o consumo aumente ainda mais. E para a cadeia produtiva e para o suinocultor seja um ano de boa rentabilidade, principalmente trazendo divisas para o Estado de Mato Grosso.

Conab vai reduzir apoio para o milho em 2015 30/12/2014 17:30

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) planeja mudar em 2015 a estratégia de subsídio aos principais produtos agrícolas brasileiros. Conforme o presidente da estatal, Rubens Rodrigues dos Santos, o plano é manter operações de suporte ao mercado de algodão, mas reduzir as investidas na cadeia de milho. Na avaliação do gestor ainda há necessidade de apoio a cotonicultura em virtude dos baixos preços internacionais da pluma — pressionados pelo elevado estoque do produto na China. Por outro lado, o mercado de milho é considerado acomodado, e deve atingir um ponto de equilíbrio naturalmente. “Além de os preços estarem acima do mínimo atualmente, a previsão de que a área plantada será menor na safra de verão também ajuda a balizar os preços”, aponta Santos. Em seu último levantamento, divulgado em 10 de dezembro, a Conab estimou a lavoura de milho verão em 6,1 milhões de hectares, 6,6% menor que a cultivada no ciclo passado, o que aponta para uma produção de 29,3 milhões de toneladas (-7,5%). Fonte: Gazeta do Povo (foto: Só Notícias/arquivo)

Mercado do milho fecha sessão com perdas de até 6,25 pts 30/12/2014 17:10

As cotações futuras do milho negociadas na Bolsa de Chicago (CBOT) terminaram o pregão desta terça-feira (30) em campo negativo. Ao longo da sessão, as principais posições do cereal ampliaram as quedas e encerraram o dia com perdas entre 6,00 e 6,25 pontos. O vencimento março/15 conseguiu se sustentar acima dos US$ 4,00 por bushel, finalizando a US$ 4,06 por bushel. De acordo com informações de agências internacionais, os investidores optaram por um movimento de realização de lucros diante do final de ano e também dos bons ganhos registrados recentemente. Durante a sessão, o mercado também observoy o comportamento do dólar. O câmbio mais forte influencia os preços, já já que pode comprometer as exportações dos Estados Unidos, de acordo com dados do site Farm Futures. Nesta segunda-feira, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) reportou um recuo nos embarques semanais que, passaram de 802.368 mil para 609.613 mil toneladas do cereal. Em contrapartida, as vendas líquidas foram indicadas pelo departamento em 1.705.600 milhão de toneladas de milho, no acumulado no ano comercial 2014/15. Paralelamente, a atenção do mercado também está voltada aos preços do petróleo. A situação afeta, especialmente, o mercado de milho, pois no país, boa parte da produção do grão é destinada para a produção de etanol. Como fator de suporte ao mercado, o USDA divulgou a venda de 157.500 mil toneladas de milho ao México. Essa é a segunda operação reportada recentemente, na semana anterior, o órgão indicou a venda de 166 mil toneladas do cereal para destinos não revelados. BM&F Bovespa As principais posições do milho na BM&F Bovespa terminaram a sessão desta terça-feira em queda. Os contratos do cereal registraram desvalorizações entre 0,17% e 0,49%. Apenas o vencimento maio/15 encerrou o dia em alta, de 0,86%, cotado a R$ 29,35 a saca. O março/15 finalizou o pregão a R$ 30,30 a saca. Os preços futuros acompanharam a queda observada no câmbio. A moeda norte-americana terminou o dia cotada a R$ 2,6587 na venda, com desvalorização de 1,78%. Entretanto, segundo dados divulgados pelo site G1, durante o ano de 2014, o dólar acumulou alta de 12,78%, em comparação com o fechamento do dia 30 de dezembro de 2013, quando a moeda era negociada a R$ 2,3575. No dia 16 dezembro, o câmbio atingiu a maior cotação do ano, ao chegar a R$ 2,7355. Fonte: Notícias Agrícolas

Soja tem sessão de pouca movimentação e fecha com leve baixa nesta 3ª feira 30/12/2014 16:45

Durante toda a sessão, nesta terça-feira (30), os preços da soja operaram com movimentações bem pouco expressivas na Bolsa de Chicago e fecharam o dia com perdas de 5,25 a 7 pontos nos principais vencimentos. Com a proximidade do feriado de Ano Novo, os investidores já se mostram mais tranquilos e operando na defensiva, em busca de um melhor posicionamento antes do início de 2015. O mesmo foi registrado no mercado internacional de ações, principalmente no europeu e no americano, segundo reportaram agências internacionais de notícias. Assim, no encerramento do pregão desta terça, o contrato janeiro/15 terminou o dia a US$ 10,36 por bushel, enquanto a posição maio/15, referência para a safra brasileira, fechou em US$ 10,49. Ainda segundo analistas internacionais, as enchentes na Malásia que têm comprometido a produção do óleo de palma ainda dão algum suporte às cotações, porém, os ganhos nesse produto no mercado internacional também já mostram alguma desaceleração. Câmbio - No último pregão para o dólar frente ao real, a moeda americana fechou em de 1,78%, mas encerrou 2014 acumulando uma alta de 12,78%. A divisa terminou o ano em R$ 2,6587. Em 30 de dezembro de 2013, o dólar ficou cotado em R$ 2,3575. Segundo analistas consultados pelo portal G1, os investidores e operadores promoveram alguns últimos ajustes de posições, aproveitando o momento para realizarem lucros e liquidarem algumas posições. Fonte: Notícias Agrícolas

Ministério da Fazenda admite que PIB deve ter alta de apenas 0,2% 30/12/2014 16:20

O Ministério da Fazenda admitiu nesta terça-feira (30) que a economia brasileira deverá registrar um crescimento de somente 0,2% neste ano. A expectativa foi informada por meio de edição especial do relatório "Economia Brasileira em Perspectiva" - documento que não era divulgado desde março de 2013. A previsão do Ministério da Fazenda coincide com a estimativa divulgada na semana passada pelo Banco Central, por meio do relatório de inflação, mas continua acima da expectativa do mercado financeiro - que prevê uma alta do PIB de 0,14% para este ano. Em novembro deste ano, o governo informou que o crescimento da economia deverá ser de 0,5% em 2014. Fonte: G1

Janeiro começa chuvoso em áreas de soja do Rio Grande do Sul, diz Somar 30/12/2014 15:59

A virada de ano deve ser bastante chuvosa em áreas de plantio de soja no Sul do país, enquanto outras regiões do país terão tempo seco, disse nesta terça-feira a Somar Meteorologia. Deverá haver precipitações acumuladas superiores a 150 milímetros no oeste do Rio Grande do Sul até o dia 2 de janeiro, disse a Somar em relatório diário. "Trata-se de um bloqueio atmosférico, fenômeno que segura as frentes frias sobre o Sul deixando a maior parte do Brasil com tempo seco e bastante quente." O noroeste gaúcho registrou até segunda-feira chuvas acumuladas de 323 milímetros em dezembro, 146 por cento acima da média história do mês inteiro. As previsões apontam ainda para um aumento de chuva em Santa Catarina, Paraná e na costa do Sudeste entre 3 e 7 de janeiro, mas a maior parte do país permanecerá com tempo seco e quente. Fonte: Reuters

Mudanças climáticas fazem agricultor investir em adaptação de caprinos e ovinos 30/12/2014 15:45

No município de Irauçuba, um dos mais atingidos pela desertificação no Ceará, o produtor Francisco de Assis Sousa mantém um plantel de 30 ovinos, que ele assegura ser boa aposta para o contexto local, principalmente após três anos de chuvas irregulares na Zona Norte do estado – realidade também em diversas outras regiões do Semiárido brasileiro neste período. "Aqui é melhor que bovino. O ovino produz comendo e bebendo menos. Um bovino usa mais ração que mais de cinco ovinos juntos. Onde se cria dez vacas, dá para criar 50 ovelhas", afirma o produtor que trabalha na Fazenda Aroeira. Características como essas tornam esses animais interessantes em regiões que sofrem com clima árido. Pesquisas buscam adaptar a criação aos desafios das mudanças climáticas. Segundo o médico veterinário Olivardo Facó, pesquisador da área de Melhoramento Genético Animal da Embrapa Caprinos e Ovinos (CE), a melhor adaptação de caprinos e ovinos a regiões áridas ou semiáridas é um fenômeno global: "em geral, essas espécies, por terem menor porte, apresentam também menor exigência para se manter em ambientes extremos". Facó alerta, porém, que as comparações com outras espécies não podem ser generalizadas, pois dentro mesmo de cada uma delas há especificidades. "Há bovinos muito bem adaptados ao Semiárido, como os chamados curraleiros pé-duros. Um animal como esse vai ter uma melhor adaptação do que um caprino ou ovino de origem europeia, por exemplo. Entre os pequenos ruminantes mesmo, há diferenças marcantes", ressalta ele. Para Facó, os fatores importantes que devem ser observados são as repercussões que as mudanças climáticas trarão para a produção pecuária. "Já se percebe um quadro de elevação da temperatura global e de instabilidades climáticas. Uma consequência disso são as secas se agravando e surgindo em regiões onde não havia esse cenário. Em uma situação como essa, a busca por espécies de animais capazes de se manter viáveis, resilientes a oscilações de temperatura será muito importante", explica. Sendo o Semiárido brasileiro uma das regiões mais afetadas pelas mudanças climáticas, a sustentabilidade da produção de caprinos e ovinos, mesmo com a boa adaptação, dependerá da adoção de métodos que reduzam os impactos do aquecimento global, com aproveitamento da biodiversidade e dos recursos hídricos, inclusive por conta da perspectiva de déficit hídrico progressivo na região. Esse quadro gera novas demandas para pesquisa, como o melhoramento genético de raças adaptadas, recuperação de solos degradados, melhoramento de espécies vegetais para alimentação e eficiência alimentar, áreas em que a Embrapa tem investido em pesquisas voltadas para minimizar ou se antecipar a consequências das mudanças climáticas. Novas demandas para a pesquisa O pesquisador Olivardo Facó avalia que a busca por animais adaptados ao Semiárido, por exemplo, pode crescer em novas regiões onde quadros de desertificação e seca surjam no futuro, tanto em termos de uso dessas raças, como em cruzamentos que possibilitem crias mais resistentes. Daí, a relevância das pesquisas em melhoramento genético com foco nas raças de caprinos e ovinos localmente adaptadas, que mobilizam atualmente cinco centros de pesquisa da Embrapa com núcleos de conservação no âmbito da Plataforma de Recursos Genéticos. "Os programas de melhoramento genético especializado podem precisar de variações genéticas presentes nas raças adaptadas, com objetivos de ter rebanhos com mais resistência contra estresse térmico, doenças, oscilações de chuvas e ofertas de alimentos", destaca Facó, citando as possibilidades de cruzamento entre raças de animais adaptadas e outras consideradas "exóticas", mas com boa produção de leite ou carne, para geração de crias com tendência a serem produtivas e adaptadas ao ambiente. O pesquisador alerta, porém, que esses acasalamentos devem ser orientados por pessoal especializado, pois cruzamentos de forma indiscriminada podem resultar, em uma terceira ou quarta geração de animais mais frágil, sem boas condições de adaptação. "Essas demandas já são realidade e, para uso futuro, há muito o que a Embrapa estudar". Consolidar caprinos e ovinos como opção produtiva em um contexto de mudanças climáticas requer, porém, preocupações com a viabilidade dos sistemas de produção, como a oferta de alimentos para os animais. Em virtude disso, a Embrapa tem intensificado a pesquisa e o desenvolvimento de tecnologias que integrem as áreas de nutrição animal, forragicultura, melhoramento vegetal e solos. Há pesquisas em andamento com foco na eficiência alimentar, redução da emissão de gases e fertilidade do solo para plantio de forrageiras. Esta última tem sido testada com experimentos em parceria com o produtor Francisco Sousa, da Fazenda Aroeira, que tem ajudado na implantação de parcelas de terra onde materiais como bagana, esterco e leguminosas da caatinga trituradas são usados na tentativa de melhorar a fertilidade do solo em região marcada pela desertificação. O objetivo é recuperar áreas degradadas para, em 2015, plantar variedades de milho e milheto que possam servir para a alimentação do rebanho de ovinos da propriedade. Segundo o pesquisador Henrique Souza, da área de Meio Ambiente e Pastagens da Embrapa Caprinos e Ovinos, em áreas como essa, há a preocupação com o chamado superpastejo, uma quantidade de animais acima do suporte de alimento que a área é capaz de fornecer, fator que intensifica a degradação e pode tornar determinadas áreas inviáveis para produção. "Observamos algumas áreas como esta e perguntamos logo: o que esses animais vão comer? Por isso, é fundamental tentar a reposição de nutrientes para enriquecimento do solo", afirma. Fernando Guedes, também pesquisador da Embrapa Caprinos e Ovinos, complementa que em regiões de poucas chuvas, o poder de recuperação da vegetação tende a se tornar mais lento. "Aqui em Irauçuba, há uma média histórica de 300 a 400 mm de precipitações no período chuvoso. Em Sobral, mesmo sendo também sertão, a média varia entre 700 a 800 mm de chuva no inverno. Em regiões com médias baixas, é possível que, com a mesma lotação de animais, as áreas se degradem mais ainda que em outras com médias de chuva maiores", ressalta Guedes. As sementes que serão levadas para plantio na Fazenda Aroeira, estão sendo testadas na Casa de Vegetação da Embrapa Caprinos e Ovinos, em Sobral (CE), simulando condições de temperatura próximas à realidade local, em amostras de solo e lâminas d´água que foram coletadas no próprio terreno da propriedade rural. As variedades integram uma estratégia da Embrapa em testar plantas forrageiras que possam ser produtivas nas condições ambientais de regiões semiáridas. Eficiência alimentar Aliados à pesquisa com plantas forrageiras, estão experimentos que, em uma perspectiva futura, servirão para avaliar a eficiência alimentar dos caprinos e ovinos, ou seja, conhecer que animais podem, comendo menos, obter o mesmo ganho de peso de outros ou comer a mesma quantidade que outros e, ainda assim, ganhar peso. Para isso, a Embrapa investiu em equipamento de Grow Safe para caprinos e ovinos, que permitirá a análise individualizada do comportamento de animais se alimentando, de modo a fornecer informações para os testes de desempenho de programas de melhoramento genético. No Grow Safe, cada animal é identificado com um brinco eletrônico e sensor que revela quando e quanto ele se alimenta, ao identificar a diferença de peso de ração no comedouro antes e depois. Os testes serão feitos com dietas padronizadas, para que se determinem os animais de melhor desempenho alimentar. "A ideia é chegarmos a uma equação que possa predizer o ganho de peso e o consumo, a partir deste acompanhamento individual. Mas a perspectiva futura é identificar, nestes animais de melhor desempenho, marcadores moleculares que reconheçam genes para a melhor eficiência e, quem sabe, chegar a identificar os mais eficientes a partir de coletas de sangue", explica o pesquisador Diego Galvani, da área de Nutrição Animal da Embrapa Caprinos e Ovinos. A identificação de animais, nos rebanhos, que aproveitem melhor os nutrientes pode contribuir para sistemas de produção mais sustentáveis, inclusive ecologicamente: a melhor nutrição pode reduzir a emissão de gases de efeito estufa e de resíduos, que saem na urina e fezes e podem até contaminar o lençol freático. A Embrapa também trabalha para o balanceamento de dietas com compostos que reduzam a emissão de metano e maximizem a eficiência alimentar. "Antes, para reduzir os custos de produção relacionados à alimentação, você buscava substituir os ingredientes por outros mais baratos. Isso até reduz custo, mas nem sempre contribui para a eficiência do sistema, pois o valor nutricional da dieta pode piorar", ressalta Galvani. A intenção é encontrar, na biodiversidade da Caatinga, plantas ricas em compostos secundários que, uma vez inseridas na dieta, acrescentem nutrientes que possam equilibrar a dieta, reduzindo a fermentação de metano e a emissão de gases por parte do animal. Caprinos no Brasil No Nordeste brasileiro, estão concentrados alguns dos maiores rebanhos de caprinos e de ovinos no país. Sozinha, a região concentra 90% da população de caprinos, cerca de 8,4 milhões de cabeças, e de 57% de ovinos, aproximadamente 9,8 milhões de animais, de todo o território nacional. No caso dos caprinos, Bahia, Pernambuco, Piauí e Ceará são os únicos estados brasileiros a terem rebanhos com mais de um milhão de cabeças. Os mesmos quatro estados se somam ao Rio Grande do Sul como os cinco maiores rebanhos de ovinos do Brasil. Esses animais, em geral, têm boa adaptação, produzindo leite, carne e pele, mesmo em condições extremas de temperatura, chuvas e oferta de alimentos irregulares. Esses fenômenos climáticos são verificados não somente no Brasil, mas em diversas outras regiões do planeta com condições climáticas semelhantes. Fonte: Assessoria