sábado, 30 de maio de 2015
Para Dilma, há conservadorismo perigoso no País
Estadão
Elizabeth Lopes e Carla Araújo
7 horas atrás
Em evento do PCdoB na noite desta sexta-feira, 29, em São Paulo, na qual foi a estrela principal, a presidente Dilma Rousseff (PT) advertiu que há um conservadorismo muito perigoso na sociedade brasileira. E se posicionou novamente contra a maioridade penal. "Penalize o adulto, mas resolver a questão da violência do menor com internação em prisões, não resolve."
No discurso de pouco mais de uma hora, a presidente lamentou a queda da CPMF, derrubada no Congresso Nacional, na gestão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com o apoio dos parlamentares do PSDB. E disse que a destinação de 25% do fundo do pré-sal para a saúde não dá para muita coisa. Neste momento, alguém da plateia gritou: "CPMF neles!" e ela riu e disse: "Não sou eu quem está dizendo."
Ao criticar o conservadorismo presente no País, voltou a elogiar o PCdoB, dizendo que eles sabem o que é prioridade. E defendeu sua gestão: "Posso garantir que a agenda do meu governo é popular, inclusiva, e tenho discutido o ajuste fiscal de forma equilibrada, com justiça. Tenho certeza que posso continuar contando com o PCdoB, quero a militância ao meu lado."
Cela
No final do discurso, disse que não se sente sozinha no Palácio do Planalto. "Sozinha me sino dentro de uma cela", emendou, em resposta a algumas críticas de que vive 'encastelada' na sede do executivo federal.
A vinda de Dilma para o evento do PCdoB não estava na agenda prévia do Palácio do Planalto e foi decidida na tarde desta sexta-feira, 29. No início do discurso, ela disse que ficou muito honrada e comovida pelo convite. "Neste convite tem toda confiança recíproca que eu tenho em vocês e queria muito que vocês tenham em mim."
Dilma falou que o Brasil tem uma trajetória política na qual, o PCdoB, com 90 anos, passou por muitas lutas. "Muitos partidos ficaram para trás e o PCdoB, sem abrir mão de seus ideais e bandeiras, da cor vermelha, de seus compromissos e socialismo, tornou-se um País democrático. E se transformou sem abandonar suas crenças ou suas convicções." E lembrou de João Amazonas e falou de Renato Rabelo.
Dilma chamou Rabelo de irmão de luta. "Podemos ter, em vários momentos, alguns erros. Sempre respondo que devemos ter orgulho de muitos erros e deste orgulho eu compartilho com Rabelo, quando lutei no Brasil, num período muito difícil de lutar." E disse que um dos motivos que motivaram sua vinda à conferência da legenda foi a homenagem a Rabelo, que está deixando a presidência do PCdoB.
Crise
Durante seu discurso, o presidente nacional do PCdoB, Renato Rabelo, fez críticas ao projeto de terceirização, conseguindo arrancar aplausos da presidente, mas também defendeu "o grande esforço do governo Dilma em proteger a economia nacional em tal situação de crise". "A presidente começou a procurar saída com medidas estruturantes", disse.
Rabelo criticou também o papel da oposição de trabalhar "para o quanto pior, melhor" e disse que é preciso evitar medidas antidemocráticas. Segundo ele, é preciso trabalhar pela defesa do mandato legítimo e constitucional da presidente Dilma. "Eles querem derrubar a presidenta, nós queremos sustentá-la", afirmou.
Apesar das críticas em relação a terceirização, Rabelo defendeu que o ajuste proposto pelo governo é necessário por conta de um período de crise internacional. "Acredito que a presidente tenha nitidez quanto alternativa a seguir", afirmou. Segundo ele, o apoio ao ajuste está ligado ao compromisso do governo em manter seus compromissos sociais. "É preciso de um ajuste que permita a retomada do crescimento, voltado para o progresso social", afirmou.
Filiação
O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), em breve discurso na 10ª Conferência Nacional do PCdoB, brincou com a presidente Dilma Rousseff, dizendo que assim que ela terminasse o mandato, iria convidá-la para se filiar ao seu partido. O governador disse acreditar que Dilma levará o País a um porto seguro depois dessa crise e garantiu que seu partido está ao lado da petista em todos os momentos, mesmo os mais difíceis.
A próxima presidente do PCdoB, Luciana Santos, que assume no lugar de Rabelo, disse em seu discurso que a presidente Dilma se tornou um exemplo para gerações de mulheres, com coragem para enfrentar as adversidades. "Sua trajetória política de coração valente pode nos conduzir a uma saída que garanta o desenvolvimento do País e os investimentos sociais."
Lula diz que nova candidatura depende de reação de Dilma
Notícias ao Minuto
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9 horas atrás
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse a aliados que só teria condições de ser candidato do PT e concorrer nas eleições de 2018 caso a avaliação da presidente Dilma Rousseff melhore e, então, ele tenha um legado para defender junto ao seus eleitores.
Segundo informações da Folha de S. Paulo, o político está preocupado com a crise política que atinge sua sucessora. A reportagem do jornal entrou em contato com alguns amigos e aliados de Lula. Eles relataram que o ex-presidente citou as eleições presidenciais de 1944, quando Leonel Brizola perdeu para o nanico Enéas Carneiro, terminando em quinto lugar. Esse fato ilustra o medo de Lula do que pode acontecer em 2018. Ainda de acordo com as fontes da Folha de S. Paulo, o político diz que não adianta pensar que ganharia votos apenas por ter decidido se candidatar, pois o eleitor olha para o futuro e não para o passado.
Para se candidatar, então, Lula considera que o governo precisa ter uma avaliação, no mínimo, de 'regular'. Caso contrário, o PT deve escolher outro nome como candidato. Lula teria, inclusive, apresentado esses argumentos à Dilma.
No entanto, aliados ponderam que Lula tem se colocado como responsável pelo projeto petista e, como tal, a possibilidade de ver seu legado terminar dessa forma mexe com ele. A esperança do ex-presidente é que, após o lançamento do plano de concessões prometido para 9 de junho, Dilma organize uma agenda positiva e consiga melhorar sua imagem.
sexta-feira, 29 de maio de 2015
Economistas alertam para risco de alta excessiva do juro no Brasil
O Banco Central corre o risco de prejudicar desnecessariamente a economia brasileira se continuar a subir os juros nos próximos meses
Economistas de sete dos principais bancos do país demonstraram em conversas recentes com a Reuters desconforto com a possibilidade de que a taxa básica Selic suba além do atual patamar de 13,25 por cento ao ano.
Embora as expectativas de inflação continuem acima do centro da meta de 4,5 por cento para o fim de 2016, há dúvidas sobre a confiabilidade dos modelos estatísticos usados para as projeções, que podem estar subestimando o efeito do aumento do desemprego sobre os salários e os preços de serviços.
Em vez de continuar a subir os juros, o BC deveria coordenar as expectativas de inflação, sinalizando com mais clareza que não pensa em reduzir a Selic no futuro próximo, disseram os economistas.
O Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne na próxima semana e deve elevar a Selic em mais 0,5 ponto percentual, para 13,75 por cento ao ano. Com base na comunicação atual do BC, vários economistas acreditam que a Selic pode continuar subindo em julho e setembro, chegando talvez a 14,50 por cento.
A continuidade da alta dos juros contrasta com a piora da economia. Em abril, a taxa de desemprego subiu a 6,4 por cento e quase 100 mil postos de trabalho foram fechados.
"Já tem uma pressão (inflacionária) muito fraca por conta da recessão. Nesse sentido, (subir os juros) é um exagero", disse o economista-chefe do Banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves, em São Paulo.
O economista-chefe do Bradesco, Octavio de Barros, afirmou recentemente no Twitter que o discurso de continuidade da alta dos juros diante do aumento do desemprego é "caricato".
"É compreensível e legítimo que o Banco Central tenha a ambição de chegar ao centro da meta, mas dadas as circunstâncias... bastaria manter a taxa de juros inalterada por um determinado período", disse Barros à Reuters.
A taxa Selic subiu 3,25 pontos percentuais desde outubro. No mesmo período, as expectativas de crescimento da economia desabaram: hoje, o consenso de mercado é de que o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil encolherá 1,2 por cento neste ano, na maior recessão em 25 anos.
O BC tem aumentado os juros para reduzir a inflação, atualmente acima de 8 por cento ao ano, para o centro da meta do governo até o fim do ano que vem. A alta da Selic também é parte dos esforços do governo para recuperar credibilidade entre investidores, após anos de políticas criticadas por economistas e agências de risco.
Na terça-feira, o presidente do BC, Alexandre Tombini, reiterou que a política monetária precisa estar "vigilante" para reduzir as expectativas de inflação. Atualmente, a projeção do cenário de referência do BC para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que baliza a meta de inflação, ao fim de 2016 é de 4,9 por cento.
Comentários do diretor de Política Econômica do BC, Luiz Awazu Pereira, em reuniões recentes com economistas também foram interpretados como sinais de continuidade da alta dos juros na semana que vem, segundo participantes dos encontros.
Procurado, o BC disse que não comentaria sobre avaliações de analistas de mercado.
Projeções incertas
Integrantes da equipe econômica, em condição de anonimato, também expressaram desconforto recentemente com a continuidade da alta dos juros, mas evitaram críticas ao BC.
Os juros altos têm diminuído os investimentos, piorando a situação da economia e a arrecadação de impostos necessária para o ajuste fiscal. Agricultores, por exemplo, reduziram praticamente à metade a compra de colheitadeiras no primeiro trimestre, segundo dados da Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).
Os economistas que agora questionam a necessidade de mais aumentos dos juros são os mesmos que criticaram o BC pelo corte da Selic entre 2011 e 2012. Na época, o crescimento econômico não decolou e a inflação continuou a piorar.
"Esse é um Banco Central que perdeu a credibilidade, então para resgatar a credibilidade perdida ele tem que dar uma dose adicional (de juros)", disse o ex-diretor do BC Paulo Vieira da Cunha.
Muitos economistas ainda veem a continuidade do aumento dos juros como "apropriada". Mas, mesmo entre eles, há a avaliação de que os modelos estatísticos e econométricos não são robustos o bastante para prever o impacto do desemprego sobre a inflação.
A questão foi debatida durante as reuniões de Awazu com economistas na semana passada, segundo participantes.
Para o economista-chefe do Bradesco, outro problema é a própria meta de inflação, que usa o ano-calendário como referência e mantém o BC preso ao fim de 2016 como horizonte relevante para a política monetária.
Nenhum economista consultado pela Reuters defende que o BC passe a cortar a Selic. A sugestão é que o banco comunique com mais clareza que pretende manter a Selic estável por tempo prolongado e não cortá-la no início do ano que vem, como projeta a curva de juros local.
A intenção ecoa dentro da equipe econômica. Segundo disse um integrante da equipe à Reuters na semana passada, em condição de anonimato, o BC só pensará em reduzir a Selic quando as expectativas de inflação caírem abaixo de 4,5 por cento.
Data de Publicação: 29/05/2015 às 20:00hs
Fonte: Reuters
Prefeito entrega certificado de registro no SIM para fábrica de queijos de Sorriso 29/05/2015 17:20
A prefeitura de Sorriso entregou, esta manhã, o certificado de registro no Serviço de Inspeção Municipal - Produtos de Origem Animal (SIM) do estabelecimento Queijaria Nossa Senhora de Fátima. O documento foi entregue pelo prefeito Dilceu Rossato ao empresário Lenoir Landskron.
A fábrica produz queijo colonial no assentamento Jonas Pinheiro há três anos. Com o selo de inspeção, a queijaria adquire legitimidade para a comercialização de produtos inspecionados. “Agradecemos muito a Prefeitura e toda a equipe da secretaria de Agricultura que foi muito importante para que conseguíssemos esse selo. Com ele, poderemos comercializar nossos produtos no mercado”, disse Lenoir.
Segundo o secretário de Agricultura, Afrânio Migliari, com a certificação a agricultura familiar consegue competir no mercado com produtos de qualidade. “Essa é uma experiência nova, resultado de um trabalho que a Prefeitura vem fazendo desde 2013. Agora, o produtor rural terá condições de produzir com excelência e o consumidor levar para sua mesa produtos de qualidade”.
Fonte: Assessoria
Louisiana lidera plantio de soja nos EUA
29/05/15 - 15:46
O estado americano do Louisiana está na frente no plantio de soja nos Estados Unidos. O estado chegou a 90% da superfície prevista no último domingo, segundo o relatório divulgado pelo Departamento da Agricultura (USDA) do país no dia 24 de maio. Tradicionalmente, os estados do Sul começam e, portanto, terminam o plantio da oleaginosa antes que os demais.
Entre os estados com volume significativo de produção, Nesbraka, no Meio-Oeste, lidera o progresso do plantio de soja com 85% da área. Em todo o país, os trabalhos chegaram a 55% do previsto, o que está de acordo com a média de anos anteriores.
Agrolink
Autor: Leonardo Gottems
Inscrição com desconto para participar do CBSoja termina dia 5
29/05/15 - 15:25
Os interessados em participar do VII CBSOJA e do Mercosoja 2015 têm até o dia 5 de junho para fazer a inscrição antecipada e garantir desconto no valor. As inscrições antecipadas deverão ser feitas via internet, pelo site www.cbsoja.com.br. São esperados cerca de 2 mil participantes para debater as perspectivas para a cultura da soja, tanto os aspectos tecnológicas quanto os de mercado.
A programação técnica tratará de questões relacionadas à produção de soja, ao armazenamento e transporte e à comercialização. Também terá espaço de destaque as novas tecnologias que irão mudar os paradigmas de produção, a discussão sobre as mudanças climáticas e as estratégias de mitigação do problema para a agricultura, entre outros temas. O CBSoja irá contar com 75 palestrantes, sendo 25 internacionais, 15 painéis e 12 conferências.
Trabalhos científicos - A comissão organizadora do VII CBSOJA e do Mercosoja 2015 selecionou ainda 370 trabalhos técnico-científicos para apresentação em formato pôster. As pesquisas selecionadas representam os resultados atualizados de pesquisa em áreas como: Biotecnologia, Ciência e Tecnologia de Alimentos, Economia Rural, Comercialização e Transferência de Tecnologia, Entomologia, Fisiologia Vegetal, Agrometeorologia e Práticas Culturais, Fitopatologia, Genética e Melhoramento, Microbiologia, Fertilidade e Nutrição de Plantas, Plantas Daninhas e Tecnologia de Sementes. O grande número de trabalhos aprovados pela comissão organizadora mostra que a discussão científica das inovações em diferentes áreas de conhecimento será amplamente debatida no evento.
Informações e inscrição pelo site do evento: www.cbsoja.com.br
Agrolink com informações de assessoria
29/05/2015 - 16:23
Produtores de queijo artesanal questionam legislação federal
ALMG
"É uma grande indústria que clama por um marco regulatório definitivo”. A afirmação, em tom de desabafo, foi feita pelo presidente da Associação dos Produtores de Queijo da Serra da Canastra (Aprocan), sediada em São Roque de Minas (Centro-Oeste de Minas), João Carlos Leite, em audiência pública realizada na tarde desta quarta-feira (27/5/15) pela Comissão de Política Agropecuária e Agroindustrial da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).
A declaração ilustra o dilema vivido atualmente pelo setor em Minas, que conta com uma legislação estadual avançada, mas que tem sua atuação restrita pela falta de sintonia com a regulamentação em nível federal. Esse descompasso dificulta a legalização de produtores e, sobretudo, a comercialização do queijo artesanal mineiro, de qualidade reconhecida nacionalmente, em outros Estados.
Resultado de amplo processo de pesquisa, consulta e negociações com os produtores e órgãos de fiscalização sanitária, a Lei 20.549, de 2012, fruto de um projeto do deputado Antônio Carlos Arantes (PSDB) aprovado pela ALMG, representou mais do que a simples valorização do queijo artesanal mineiro, estabelecendo um novo marco legal para a expansão do negócio, incluindo, além do queijo curado (termo que designa o tempo de maturação do produto), outros tipos de queijo artesanal, como o meia-cura (o preferido pelo mercado), o cabacinha e o requeijão artesanal, abrindo a possibilidade ainda para que outros, que podem ou não ser produzidos com leite de vaca, sejam reconhecidos no futuro.
A grande diferença é que, pelas regras anteriores, para se legalizar, o produtor precisava primeiro adaptar sua queijaria às regras vigentes, para só depois se registrar no Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA). Para estimular o cadastro dos produtores no órgão de controle sanitário do Estado, a Lei 20.549 criou um meio termo, em que o produtor fica autorizado a comercializar seus queijos durante um determinado período, que pode inclusive ser ampliado conforme as metas sejam cumpridas, até que consiga a habilitação sanitária definitiva.
Mas, na prática, ainda há entraves que desestimulam o produtor, entre eles a ausência de universalização da habilitação sanitária e, mais especificamente, a complexidade na regularização tributária das chamadas agroindústrias familiares dos queijos artesanais. Os deputados Fabiano Tolentino (PPS), presidente da comissão; Emidinho Madeira (PTdoB), Nozinho (PDT), Inácio Franco (PV) e Rogério Correia (PT) assinaram o requerimento que possibilitou o debate desta quarta-feira (27).
“Com muita luta, conseguimos uma legislação mais à altura da agroindústria familiar, mais prática, objetiva, mas logo depois começaram os aborrecimentos com esse modelo burocrático de Estado, que é totalmente anacrônico. Fizemos a lei, mas ela não chega na ponta com a qualidade que é preciso. A burocracia faz do poder público um inimigo, não um parceiro do produtor, e não vejo vontade de ver as boas coisas acontecerem”, avaliou o deputado Antônio Carlos Arantes.
O deputado Fabiano Tolentino ressaltou o papel da comissão nessa intermediação, fazendo um histórico dos temas já discutidos nesta legislatura. “Nossa intenção é ajudar toda a cadeia produtiva. Afinal, não podemos ignorar o papel da agricultura e da pecuária no PIB do Estado. O produtor rural é aquele que cresce mesmo com a crise, muitas vezes diante da falta de políticas públicas”, lamentou.
Política suprapartidária - O deputado Gustavo Valadares (PSDB) lembrou as dificuldades vividas pelos produtores de queijo artesanal de Medeiros, município vizinho de São Roque de Minas na Serra da Canastra. “A questão tributária é um empecilho. É preciso menos burocracia e mais estímulos à regularização dos produtores informais, uma política suprapartidária, pois são erros cometidos por todos os governos”, afirmou. Posição semelhante foi defendida pelo deputado Rogério Correia. “Não podemos partidarizar o debate, e sim, tentar resolver os problemas”, disse.
O deputado Nozinho ressaltou a importância da Comissão de Política Agropecuária no apoio aos pequenos produtores do Estado. Já o deputado Inácio Franco, apesar de reconhecer a importância de um controle sanitário eficiente, lamentou o alto grau de informalidade no setor.
Agricultura familiar - O termo agroindústria familiar refere-se à atividade agroindustrial de pequeno porte (até 250 m² de extensão), em área rural, gerida por agricultores familiares. De acordo com a consultoria da ALMG, há mais de dez anos o Legislativo estadual tem trabalhado por uma política de inclusão e formalização da agroindústria familiar, de forma a manter os produtos típicos da cultura mineira e aumentar o valor agregado dos produtos provenientes da atividade, como queijos, goiabada e farinhas, entre outros.
A política sanitária das agroindústrias é um tema em evidência nesse debate. A relevância da questão pode ser verificada na medida em que 99% dos cerca de 30 mil produtores de queijo artesanal do Estado trabalham na clandestinidade, sem inspeção e alvará sanitário. Entre os 1% de produtores regularizados, apenas 10% possuem registro para venda do produto em outros Estados. No que se refere à agricultura familiar de outros produtos em geral, a clandestinidade dos produtores cai para 96% - números que apontam para a necessidade de uma política mais forte de inclusão e estímulo à formalização.
Produtores miram fama dos queijos artesanais franceses
Uma das principais lideranças dos produtores de queijo artesanal, João Carlos Leite reconheceu o papel da ALMG, em especial da Comissão de Política Agropecuária, nos avanços obtidos até aqui, que já garantiram o aumento da renda do pequeno produtor. Ao comparar a situação do queijo artesanal mineiro, que é centenário e com raízes remontando ao Brasil Colônia, com a situação vivida pelos produtores franceses, o presidente da Aprocan alerta que ainda há um longo caminho pela frente.
“Não entendo a percepção da sociedade brasileira, que come o queijo artesanal, mas muitas vezes é contra a sua produção. A regulamentação da indústria deve ser diferente da agroindústria familiar. Precisamos inverter essa lógica, pois em qualquer lugar do mundo é assim”, destacou. Segundo João Carlos Leite, as instruções normativas editadas pelo Governo Federal têm facilitado a comercialização, mas dificultado a produção, sob o argumento do risco sanitário. Uma das maiores polêmicas diz respeito ao tempo de maturação, no qual estudos apontam o tempo mínimo de 17 dias, contra uma maturação bem inferior dos queijos artesanais mineiros, sob pena de descaracterização do produto.
“Nós, da Canastra, avançamos muito, e para isso tivemos que ver como esse mercado funciona na França. Há muita semelhança, mas a diferença é que, no caso de Minas, temos mais queijo sendo fabricado do que mineiro para comê-lo. Por isso, temos que levá-lo para fora. Por isso, abrimos uma frente de batalha dentro do Ministério da Agricultura. De nada adiana avançar em Minas e regredir em Brasília”, apontou João Carlos Leite.
Na França, segundo ele, há 458 tipos de queijo artesanais catalogados, famosos e valorizados no mundo inteiro. Na Serra da Canastra, os produtores legalizados vendem a unidade padrão por valores entre R$ 30 e R$ 50, contra um preço médio de R$ 10 praticado pelos produtores que atuam à margem da lei. “A lei da oferta e da procura é implacável, e isso dá margem para abusos. A segurança alimentar sempre foi nosso objetivo, pois temos que preservar um ativo financeiro capaz de gerar milhões de reais”, defendeu João Carlos Leite.
Serro - O presidente da Associação dos Produtores Artesanais de Queijo do Serro, Eduardo José de Melo, apoiou as declarações dadas pelo colega da Canastra, reforçando a importância de uma divulgação melhor para que o consumidor saiba identificar o queijo artesanal de qualidade e produzido legalmente. “Já vi queijo que supostamente foi produzido na minha região sendo vendido a até R$ 5 na porta de supermercado. O consumidor não sabe o que está comprando”, alertou.
Já o diretor de Política Agrícola e Cooperativismo da Federação dos Trabalhadores na Agricultura de Minas Gerais (Fetaemg), Marcos Vinícius Dias Nunes, também chamou a atenção para a necessidade de o Estado dar tratamento diferenciado à agricultura familiar, em comparação com a agroindústria. “Também defendemos a regularização, mas é preciso dar condições para que isso aconteça. Todos somos consumidores e queremos produtos de qualidade. O problema é o grande número de legislações, muitas vezes desconectadas”, analisou.
Fiscalização tenta conciliar normas sanitárias com estímulo à produção
O diretor-geral do IMA, Márcio da Silva Botelho, disse que o órgão trabalha no fio da navalha. “Temos que lidar com produtores habilitados e outros que não são. Uns pedem mais facilidade para produzir, mas também somos cobrados por quem está habilitado para fiscalizar aqueles que não são. Nossa preocupação maior é com a saúde do consumidores; o que temos para atuar é a legislação”, afirmou. Ele informou que atualmente há 245 queijarias certificadas no Estado e dois entrepostos que garantem o livre trânsito do produto para outros Estados.
“O governo tem tentado ajudar o produtor em várias frentes, tanto da porteira para dentro, na produção, quanto da porteira para fora, na comercialização, sobretudo quando o que está em jogo é o sucesso da agricultura familiar”, garantiu o diretor de Infraestrutura Básica da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agrário, Fernando Rabelo. Nesse sentido, segundo ele, a legislação estadual está em processo permanente de aprimoramento. “Mas, mesmo na agricultura familiar, o processo de regularização é importante para garantirmos a segurança alimentar, até para que seus produtos tenham acesso a todos os mercados”, comparou.
Na mesma linha, Kalil Jabour, assessor da Superintendência de Tributação da Secretaria de Estado de Fazenda, garantiu que, no aspecto tributário, não há mais obstáculos à produção e comercialização de queijo artesanal. “Não houve a adequação da legislação, no mesmo patamar, no plano federal, e aí surgiram problemas sobretudo para as associações de produtores. Quanto à questão sanitária, o problema é que não há como se regularizar do ponto de vista tributário se isso não for resolvido primeiro”, informou.
Assistência - Por fim, o presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária, Nivaldo da Silva, reforçou a importância da preocupação das autoridades com a questão sanitária. “Temos que ter condições sanitárias compatíveis com a segurança alimentar. Para isso é fundamental, por exemplo, garantir leite de qualidade. A lei estadual foi muito bem elaborada, mas temos que garantir as condições para que ela funcione plenamente. Onde o produtor pode se apoiar para ter uma assistência profissional?”, questionou.
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