terça-feira, 3 de novembro de 2015

Dia de campo mostra resultados da integração lavoura-pecuária no Médio-Norte de Mato Grosso

Pela terceira vez, a fazenda Platina, no município de Santa Carmem, abrirá sua porteira para um dia de campo sobre integração lavoura-pecuária
O evento será no próximo dia 7 de novembro, a partir das 7h30, e é realizado pela Embrapa, Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Mato Grosso (Sedec) e parceiros. De propriedade de Valdemar Antoniolli, a Fazenda Platina adota a integração lavoura-pecuária em quase toda sua área e vem colhendo os benefícios do sistema integrado. Tanto na agricultura quanto na pecuária, os resultados têm sido muito superiores à média da região. Neste dia de campo, além de conhecer o sistema adotado na fazenda, os participantes percorrerão um circuito de estações temáticas que abordarão lavoura, pecuária e floresta. Programação As inscrições para o dia de campo serão abertas no dia do evento, a partir das 7h30. Após a abertura, haverá uma palestra sobre o panorama macroeconômico para o ano agrícola 2015/2016 e a gestão econômica da propriedade rural, além de uma apresentação dos incentivos do Projeto Rural Sustentável e do Cipem. Na sequência, os participantes serão divididos em três grupos e percorrerão o circuito de estações de campo. Em uma delas os proprietários da Fazenda Platina apresentarão a evolução da integração lavoura-pecuária na fazenda e os principais resultados agropecuários da safra 2014/2015. Ainda nesta estação, serão abordadas as características e manejo de doenças como mancha alvo e soja louca 2. Os novos lançamentos de materiais forrageiros da Embrapa (BRS), a implantação e manejo de pastagens na integração lavoura-pecuária estarão na estação destinada à pecuária. Além disso, será apresentado e discutida a experiência com manejo de pastagem em sistema silvipastoril da Fazenda Bacaeri, em Alta Floresta, que há mais de 20 anos consorcia capim com silvicultura de teca. Na estação sobre o componente florestal na integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), uma palestra abordará as razões para se plantar árvores e o cenário atual das florestas plantadas. Além disso, haverá uma apresentação sobre a fixação biológica de nitrogênio em leguminosas e também em gramíneas. O 3º Dia de Campo da Integração Lavoura-Pecuária da Fazenda Platina conta com patrocínio da Rede de Fomento à ILPF, grupo formado pela Cocamar, Dow Agrosciences, John Deere, Parker, Schaeffler, Syngenta e Embrapa para fomentar a transferência de tecnologia sobre sistemas integrados de produção em todo o país. Confira a programação completa aqui. Data de Publicação: 03/11/2015 às 08:30hs Fonte: Embrapa Agrossilvipastoril Portal do Agronegócio© Copyright 2013 Portal do Agronegócio.

BRF abrirá nova fábrica no RJ com criação de 400 empregos

A BRF, detentora das marcas Sadia e Perdigão, anunciou na semana passada a abertura de sua 36ª fábrica no Brasil, com investimento de R$ 180 milhões e abertura de 400 vagas de emprego
A nova fábrica estará localizada em Seropédica (RJ), num terreno de cerca de 11 mil m², e produzirá alimentos à base de carne. “Mesmo diante de um cenário econômico extremamente desafiador, identificamos uma excelente oportunidade no Rio de Janeiro”, disse o CEO Global da BRF, Pedro Faria, em nota enviada pela companhia. Essa será a primeira fábrica da companhia construída com base em preceitos que visam à redução de desperdícios, entre eles, tempo de espera, superprodução, transporte, excesso de processamento, inventário, movimento e defeitos. A fábrica terá refrigeração 100% indireta, ou seja, sem a presença de amônia no interior da planta, e terá recuperação de água de chuva, o que pode reduzir em até 25% a captação de água. A fábrica ainda terá utilização do sistema de pirólise para tratamento de resíduos, com cogeração de energia térmica. A BRF disse que o investimento na fábrica já estava estimado dentro do planejamento da empresa de investir um total de R$ 1,85 bilhão em 2015. Data de Publicação: 03/11/2015 às 08:15hs Fonte: CarneTec

Cobertura de solo com filme plástico reduz custos em cafezais

Pesquisa demonstra que uso de mulching nas lavouras de café geram benefícios no controle de ervas daninhas e no consumo de água
O filme plástico para cobertura de solo (mulching) é uma solução bastante consolidada na agricultura, principalmente no plantio de hortifrúti, por trazer benefícios no controle de plantas daninhas, na otimização do uso de água e na melhoria da produtividade. Por essas vantagens, a tecnologia tem ganhado, ao poucos, espaço em culturas perenes. Para comprovar os impactos positivos desta tecnologia no café arábica, a Braskem, maior petroquímica das Américas e líder mundial na produção de biopolímeros, promoveu uma pesquisa de campo em parceria com Electro Plastic e a Universidade Federal de Uberlândia (UFU) – Campus Monte Carmelo. Apesar de o Brasil ser o maior produtor e exportador do café, a cultura ainda enfrenta desafios, principalmente em relação aos altos custos de produção, sendo a prevenção da matocompetição um dos fatores mais onerosos. Nesse contexto, o mulching dupla-face (branco e preto) pode ser adotado como uma opção para tornar a lavoura mais eficiente, de acordo com estatísticas preliminares. Os testes com a cobertura de solo no cafezal tiveram início em janeiro de 2014 na Fazenda Juliana, em Monte Carmelo, uma das principais regiões exportadoras de café. Após um ano e meio de plantio, a pesquisa concluiu que as lavouras com cobertura de solo tiveram resultados superiores àquelas com amostras de controle, por impedir o desenvolvimento de plantas daninhas, o que reduz os custos com capina e aplicação de herbicidas pré-emergentes. “A face do mulching que fica em contato com o solo é preta, impedindo a passagem de luz e o crescimento de ervas daninhas”, destaca Ana Paiva, especialista de Desenvolvimento de Mercado da Braskem. No estudo também foi avaliado o uso do filme em diferentes regimes hídricos (manejos de irrigação). Como a solução reduz a evaporação de água, fazendo com que a área permaneça com a umidade mais constante, a necessidade de aplicação de água foi menor em relação à parcela de lavoura sem o plástico. A pesquisa concluiu, portanto, que o mulching favorece a redução de recursos. “A partir do segundo ano, a plantação com mulching teve um custo menor em R$ 2.850 por hectare”, afirma Gleice Aparecida de Assis, professora da UFU e tutora do Grupo PET Agronomia Monte Carmelo. Na avaliação de Cristiano Rolla, gerente de Contas da Braskem, a economia financeira tem significativo impacto na gestão do cafezal. “A redução nos custos de controle de ervas daninhas e água foi de 38% e 28%, respectivamente.” Além disso, a cobertura de solo também favorece o desenvolvimento das plantas, já que não precisam mais disputar água e nutrientes. Apesar de o café arábica apresentar sua primeira produção significativa aos dois anos e meio após o plantio, há a expectativa de aumento de produtividade. Data de Publicação: 03/11/2015 às 07:45hs Fonte: CDN Comunicação

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

02/11/2015 - 09:08

Diante crise econômica, penhora de bens tem alta de 19,29% na liberação de recursos em Mato Grosso


Da Redação – Viviane Petroli



A penhora de bens tem sido uma alternativa diante as dificuldades financeiras causadas pela recessão econômica do Brasil, que tem, principalmente, elevado às taxas de juros e dificultado a liberação de crédito. Em Mato Grosso, entre janeiro e setembro, foram aplicados R$ 10,458 milhões na modalidade de Penhor pela Caixa Econômica Federal, recursos estes 19,29% superior aos R$ 8,768 milhões do período o ano passado. Enquanto, as demais modalidades de “empréstimos” possuem créditos que chegam a superar os 2,5% ao mês, no Penhor a taxa de juros é de 1,93% ao mês.

Entre os bens mais penhorados em Mato Grosso estão ouro, diamante lapidado, joias, metais preciosos, pérolas, relógios, canetas originais de valou e pratarias autênticas.


As joias em Mato Grosso representam 90% dos bens penhorados, segundo a Caixa Econômica Federal no Estado.

“O Penhor Caixa constitui uma linha de crédito de fácil acesso e uma das menores taxas do mercado nas operações de crédito Pessoa Física”, pontua a Caixa.

O valor máximo para empréstimo varia conforme as alçadas vigentes, explica a Caixa Econômica. Já o valor mínimo das parcelas é de R$ 50. “A taxa de juro é de 1,93% ao mês, uma das menores taxas do mercado nas operações de crédito Pessoa Física. Os prazos para pagar variam de dois a 60 meses. No vencimento, ou antes dele, o cliente pode renovar o contrato por um novo período, com o pagamento dos juros correspondentes, IOF, TAR (Tarifa de Avaliação e Renovação) e Tarifa de Custódia em qualquer agência Caixa”.

Conforme a Caixa, caso o contrato de Penhor fique inadimplente, ou seja, a pessoa não quite o empréstimo o objeto penhorado vai para leilão, seguindo as cláusulas contratuais e procedimentos legais. Hoje, cerca de 2,5% dos bens penhorados não retornam aos seus proprietários.

01/11/2015 - 21:30

Dois anos depois, grupo de Eike tem nova crise

O Globo
RIO - Passados dois anos do pedido de recuperação judicial, a petrolífera OGPar (ex-OGX), que já foi o carro-chefe das empresas do grupo “X”, de Eike Batista, atravessa nova grande crise financeira. A empresa não paga o aluguel de plataformas há meses, e a produção de petróleo só faz cair, por falta de recursos para incrementar a atividade. A companhia sequer tem dinheiro para arcar com as garantias exigidas pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) para desativar o campo de Tubarão Azul, na Bacia de Campos, outrora apontado como o mais promissor de seu portfólio, mas que, desde setembro, não produz uma gota de petróleo.

Em meio à carência de recursos — a OGPar tinha US$ 13 milhões em caixa em 30 de junho, segundo dados do balanço financeiro — a companhia trava uma briga judicial com credores da FPSO OSX-3, plataforma que fica no campo de Tubarão Martelo, na Bacia de Campos, o único em produção, o que põe em risco seu plano de recuperação judicial.

O pedido de proteção à Justiça foi feito em 30 de outubro de 2013. Pouco depois, a então OGX acertou com um grupo que detinha a maior parte da dívida de R$ 13 bilhões converter o débito em ações da empresa. Acertou-se que eles fariam uma injeção de US$ 215 milhões, chamado DIP, com uma emissão de debêntures (títulos da dívida) da ex-OGX, que poderiam ser convertidas em ações. Na prática, eles seriam os novos donos da companhia.

LISTA: Onde estão as estrelas do grupo ‘X’?

Toda a engenharia financeira está prevista no plano de recuperação judicial. Para dar fôlego à empresa, foi acertado entre OGPar e sua empresa-irmã OSX que o valor do aluguel pela FPSO OSX-3 cairia de US$ 439 mil por dia para US$ 250 mil por dia. A OSX é dona das plataformas usadas pela petrolífera do grupo e, por isso, acabou arrastada para a recuperação judicial, em novembro de 2013, após várias encomendas canceladas. Sem ter para onde fugir, aceitou a redução das diárias.

‘CREDORES NÃO QUEREM FALIR A EMPRESA’

O problema foi a queda no preço do petróleo. Quando o plano de recuperação da OGPar foi aprovado, em junho de 2014, o barril girava em torno de US$ 100. Hoje, está na casa dos US$ 50. A OGPar passou a atrasar o pagamento do aluguel da plataforma de Tubarão Martelo, o que deixou os credores da plataforma enfurecidos. No cálculo do escritório Felsberg Advogados, que os defende, a dívida está em US$ 90 milhões e está sendo cobrada na Justiça.

A batalha judicial se tornou uma pedra no sapato de Paulo Narcélio, presidente da OGPar. Um acordo com os credores da FPSO OSX-3 é precondição para que o grupo de credores que havia injetado dinheiro na empresa converta o crédito em ações. Em fevereiro, a OGPar tinha pedido a eles prazo até 15 de agosto para solucionar o impasse. Sem consenso, o prazo havia sido prorrogado até anteontem. A OGPar afirma estar próxima de um acordo.

— Qualquer credor que entenda que as obrigações do plano não estão sendo cumpridas dentro do cronograma previsto pode pedir a falência da empresa — explica Juliana Bumachar, sócia do Bumachar Advogados Associados, especializado em recuperação judicial.

Narcélio descarta a hipótese de falência:

— Todas as partes sabem seus limites, e a falência da empresa seria ruim para todos. O que acontece é que todos os credores querem tirar vantagem da fragilidade momentânea da companhia e obter o melhor resultado das negociações. Os credores não querem falir a empresa — disse, citando como entrave a posição do sócio da OGPar na Parnaíba Gás Natural, que, segundo ele, estaria criando dificuldades para não concluir a compra da fatia da OGPar na empresa de exploração de gás.

A aposta é o bloco BS-4, na Bacia de Santos, no qual é sócia de Queiroz Galvão e Barra Energia. Nele, estão os campos Atlanta e Oliva, e o primeiro óleo é previsto para 2016. Na semana passada, a OGPar assinou contrato com a Shell para venda de sua parte da produção em Atlanta.

— Não fosse a queda do preço do óleo, a situação estaria saneada. O setor está sujeito a flutuações de preço — diz Narcélio.

Com prejuízo de R$ 320 milhões no primeiro semestre, a OGPar não tem dinheiro para arcar com as garantias exigidas pela ANP para desativar o campo de Tubarão Azul. A produção parou, mas há um custo para o abandono, incluindo medidas de segurança ambiental — o poço tem que ser selado e o equipamento, removido.

Segundo fontes, são mais de US$ 60 milhões em garantias. De acordo com a empresa, a OSX, dona da plataforma ancorada no campo, arcaria com parte dos custos. Parte do montante só seria paga à agência quando a plataforma for vendida, afirmam fontes. A ANP diz que a questão “está em análise técnica e jurídica”.

A falta de recursos afetou diretamente a produção. Em seu balanço, a OGPar diz que “o menor volume de produção (no campo de Tubarão Martelo, no segundo trimestre) foi resultado da contínua ausência de investimentos no campo devido às condições econômicas e de viabilidade financeira”. Em setembro, Tubarão Martelo produziu 9 mil barris por dia. No início do ano, eram 14 mil barris diários.

PERDA EQUIVALENTE A UMA PETROBRAS

Em outubro de 2010, quando a OGX atingiu o pico de seu valor de mercado — R$ 75,22 bilhões — prometia produção de 730 mil barris diários em 2015. Da mesma forma que as promessas de Eike viraram vento, R$ 113 bilhões em valor de mercado das cinco principais empresas do grupo evaporaram. Juntas, a então OGX, OSX, MMX, LLX (atual Prumo) e MPX (Eneva) chegaram a valer R$ 117,3 bilhões, se considerado o pico de valor de cada uma, alcançado entre 2008 e 2012. Quase uma Petrobras a valores de hoje (R$ 113 bilhões).

Hoje, elas valem R$ 5,2 bilhões. E apenas uma, a Prumo, que foi vendida à americana EIG em 2013, se safou da recuperação judicial. No primeiro semestre, teve perda de R$ 56,4 milhões. Seu principal projeto é o Porto do Açu, em São João da Barra, no Norte Fluminense, onde funciona o estaleiro da OSX. A Eneva, que passou ao controle da alemã E.ON em 2013, não conseguiu honrar créditos bancários e pediu proteção judicial em dezembro.

INFOGRÁFICO: Veja os valores das empresas

OSX e MMX Sudeste, sob controle de Eike, estão em recuperação judicial. Para a OSX, uma das dificuldades é a venda das plataformas OSX-1 e OSX-2. Sua dívida soma R$ 3,5 bilhões, dos quais R$ 2,7 bilhões foram renegociados nos termos do plano de recuperação. A curto prazo, espera receber empréstimo adicional dos credores. O plano é atuar sob coordenação da Prumo Logística na prospecção de empresas dispostas a instalar no Porto do Açu empreendimentos ligados à indústria naval.

A MMX foi a que mais avançou nas soluções. Eike vendeu o Porto Sudeste à holandesa Trafigura e ao fundo árabe Mubadala por US$ 400 milhões em 2013. Os ativos da empresa em Corumbá foram arrendados à Vetorial, restando minas em Minas Gerais, alguns terrenos e terminais de carga, reunidos na MMX Sudeste, que tem dívida sujeita à recuperação judicial de R$ 840 milhões. A Trafigura acertou a compra de duas das principais minas da MMX Sudeste por R$ 70 milhões.

— O projeto de Eike foi um fracasso. Na ex-OGX, que era a vitrine do grupo, a única coisa que deu certo foram os campos de gás no Maranhão, que hoje pertencem à Parnaíba Gás Natural. De onde menos se esperava resultado, foi de onde mais vieram frutos — afirma Pedro Zalán, da ZAG Consultoria em Exploração de Petróleo.

Em entrevista ao GLOBO em setembro de 2014, Eike disse que seu patrimônio líquido era negativo em US$ 1 bilhão. Em 2011, quando era o 7º mais rico do mundo na lista da “Forbes”, sua fortuna era avaliada em US$ 30 bilhões. Ele continua a prospectar negócios em viagens ao exterior — pretende se aventurar no ramo de sequestro de carbono — e se prepara para enfrentar a retomada de julgamentos na Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Está marcado para o dia 10 o julgamento de processo em que é acusado de aprovar as contas da OGPar em benefício próprio, originário de queixa do acionista minoritário Marcio Lobo, que reconhece que este caso tem menos peso entre os oito processos em que Eike é investigado.

— Os dois processos que deram origem à investigação na Justiça ainda não foram julgados — diz Lobo.

A CVM diz que eles estão em análise.

01/11/2015 - 20:00

Mais de cem mil devem perder emprego em grandes obras

O Globo
 RIO - Mais de cem mil trabalhadores devem ser demitidos das obras de infraestrutura daqui até o fim do ano, estima a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), somando 180 mil em 2015. Somente de janeiro a setembro, foram 79.131 demissões. Quando se inclui nessa conta a construção de edifícios, o total chega a 222.711. O setor está em crise, e todos os impulsos para a atividade avançar foram anulados, dizem especialistas. As demissões normalmente são concentradas no último trimestre. No início do ano, costumam acontecer as contratações, mas não foi o que ocorreu desta vez, diz José Carlos Martins, presidente da Cbic. Sem novos ciclos de investimento à vista e com grandes obras no fim ou em ritmo mais lento, a crise no setor se agravou. Operários da hidrelétrica de Belo Monte, em Altamira, no Pará, estão sendo demitidos em razão da conclusão de etapas da obra. Em Pernambuco, cerca de 40 mil perderam o emprego em 2014 com a paralisação dos trabalhos da refinaria de Abreu e Lima e não houve como absorver essa mão de obra. No Rio, o Comperj praticamente parou.

— A restrição fiscal nos estados e municípios fez parar tudo. Não tem um centavo para aplicar. Não temos expectativa de quando isso vai mudar — diz Martins, que calcula um total de 530 mil empregos cortados na construção civil este ano, incluindo obras de infraestrutura, construção de edifícios e serviços especializados.

INFOGRÁFICO: O mapa das demissões no país

O ajuste fiscal no governo federal e nos estados e municípios abateu a indústria da construção pesada, já afetada pelo corte de mais de 30% nos investimentos da Petrobras e pela Operação Lava-Jato, que paralisou ou fez andar mais devagar obras de grandes empreiteiras do país e seus fornecedores.

— É um quadro bastante ruim e, particularmente ruim na infraestrutura, por um conjunto de fatores. Na Região Norte, o emprego caiu 19,06% este ano (até setembro) já por causa das demissões em Belo Monte. E vai piorar quando essa desmobilização for completa. Como não houve licitação para as obras para o complexo hidrelétrico do Rio Tapajós, o impacto vai ser forte na região — afirma Ana Maria Castelo, coordenadora de projetos da construção do Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getulio Vargas (FGV).

Em Altamira, o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Construção Pesada do do Pará já não dá conta das homologações das dispensas no canteiro de Belo Monte. Acertou com o consórcio construtor a demissão de 50 trabalhadores por dia, mas o número vem crescendo. Em agosto, foram 1.749 demissões. De acordo com cronograma enviado ao Ministério Público do Trabalho (MPT) pelo consórcio construtor da usina de Belo Monte, formado por Camargo Corrêa, Odebrecht e Andrade Gutierrez, serão demitidos 12 mil trabalhadores de outubro a fevereiro do ano que vem. Em abril, o canteiro abrigava 31.800 trabalhadores. Em fevereiro, serão 13.100.

O temor dos procuradores do Trabalho é que esses trabalhadores, sem conseguir outra obra, fiquem na cidade sem condições de voltar para seus locais de origem. Muitos, para conseguir a vaga na construção da hidrelétrica, disseram que moravam em cidades próximas — os contratantes preferiam trabalhadores da região — e ficaram sem receber a “baixada” (direito a transporte e tempo para ver a família).

— A cidade de Altamira poderia receber milhares de trabalhadores de uma só vez, o que poderia gerar uma situação de confusão na cidade. Por esta razão, o consórcio comprometeu-se a garantir o transporte dos trabalhadores partindo diretamente dos canteiros de obras, sem a necessidade de passarem pelo terminal rodoviário, com vistas a garantir a tranquilidade neste momento — afirma o procurador Erik de Oliveira.

O vice-presidente do sindicato dos trabalhadores, Roginel Gobbo, diz que os operários voltam para suas cidades por conta própria, com raras exceções.

REGIÃO NÃO CONSEGUIRÁ ABSORVER OPERÁRIOS

Ele diz ainda que as medidas recomendadas pelo MPT consideram que não haverá, a princípio, como absorver esse pessoal na região de Belo Monte (Altamira e Vitória do Xingu), pela própria singularidade de tais locais, nem mesmo para a operação de Belo Monte, que exigirá pessoal especializado e de formação diversa desses trabalhadores.

Grande parte dos trabalhadores de Belo Monte veio de Rondônia, depois que acabaram as obras nas duas hidrelétricas do Rio Madeira — Jirau e Santo Antônio — também nas mãos das construtoras que hoje sobem as barreiras no Rio Xingu. A construção do complexo no Rio Tapajós não saiu do papel e, portanto, não vai absorver essa mão de obra desligada dos canteiros de Belo Monte.

— Vieram equipes inteiras para Belo Monte. Há alguma obra no Pará que pode absorver, mas a expectativa era que eles fossem deslocados para Itaituba (Tapajós) — diz Roginel Gobbo, vice-presidente do sindicato dos trabalhadores .

Alguns estão sendo aproveitados na próxima etapa da obra, a montagem dos equipamentos. Mas a demanda é bem menor: 4.500 na obra inteira. O Consórcio Construtor Belo Monte afirmou que não faria comentários sobre as demissões.

Também no Pará, as obras em Canaã do Carajás, o maior projeto de mineração da Vale, já estão no auge, com 32 mil operários trabalhando na construção da ferrovia (13 mil), do porto (4 mil) e da mina e da usina (15 mil). Segundo a empresa, a mina começa a operar no segundo semestre do ano que vem, mas as obras da ferrovia vão até 2018. Essas obras não vão abrir mais vagas na construção civil. Gobbo, do sindicato, diz porém que, no caso da Vale, sempre tem obra em Parauapebas, mas não o suficiente para absorver toda a mão de obra que deixará Belo Monte.

Outra grande obra de infraestrutura foi atingida duramente pela Operação Lava-Jato: a da Refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco. Somente no ano passado foram 30 mil demitidos. A desmobilização era esperada, segundo a procuradora do Trabalho do estado Débora Tito. Eles criaram um fórum juntamente com o governo do estado para tentar realocar esses operários que, em sua maioria (58%), eram de Pernambuco. Mas a Operação Lava-Jato, com o bloqueio dos recursos da Petrobras para determinados fornecedores, obrigou os procuradores a mudarem a direção dos trabalhos: passaram a lutar pelo pagamento de indenizações.

— Mais de 10 mil trabalhadores ficaram sem receber salário. Foram 42 mil contratações para a construção de Abreu Lima e foram mantidos apenas 30% desse quadro. Uma empresa ainda tem dívidas trabalhistas de R$ 75 milhões no estado — diz Debora.

Agora a situação começa melhorar na região, com a construção de uma petroquímica, que está contratando operários. Mas novos problemas começam a surgir.

— Recebemos denúncia do sindicato de que há pessoas, agenciadores, vendendo vagas de emprego por R$ 4.000. Com a massa de demissões que houve, há muito mais gente desempregada do que postos oferecidos — afirma a procuradora do Trabalho.

CONSTRUÇÃO EM QUEDA DESDE 2014

A construção civil vive uma das suas piores crises nos últimos anos. Nas Contas Nacionais, o setor vem em queda desde o segundo trimestre de 2014 na comparação com o ano anterior. Já caiu 4,7% nos últimos quatro trimestres, um recuo bem mais acentuado do que o da média da economia, que caiu 1,2%. Essa retração do setor é mais aprofundada com o pessimismo que se instalou, principalmente entre os que tocam obras de infraestrutura. A Sondagem da Construção que a FGV divulgou na última semana mostra a confiança do setor no seu mais baixo patamar desde 2010. Na composição do índice, os empresários de infraestrutura são os mais pessimistas. Nesse grupo, a queda na confiança foi de 5,5%, contra 3,9% na média, e de 1,9% na construção predial. E a piora foi rápida. Até agosto, os empresários até melhoraram a percepção da situação atual, mas, em setembro e outubro, o pessimismo dominou: queda de 10% em setembro e de 5,5% em outubro.

A situação do emprego também é pior na infraestrutura. No ano, até agosto, a ocupação caiu 13,7% contra 9,6% da média da construção.

Outro setor da construção que poderia absorver esses trabalhadores também sofre com a crise econômica. Com o ajuste fiscal, diminuiu a verba para o programa Minha Casa Minha Vida, os recursos da Caixa Econômica Federal para financiamentos habitacionais estão mais escassos e a demanda recua mais ainda com o emprego e o salário em queda em todas as atividades. Este ano, o setor de edificações já demitiu 115 mil trabalhadores.

Hypermarcas faz acordo de venda de divisão de cosméticos para a Coty

02/11/2015 10h45 - Atualizado em 02/11/2015 11h22

Hypermarcas faz acordo de venda de divisão de cosméticos para a Coty

Valor da operação é de R$ 3,8 bilhões, segundo a companhia brasileira.
Coty é uma empresa global, especializada em cosméticos.

Do G1, em São Paulo
Hypermarcas anunciou nesta segunda-feira (2) que chegou a um acordo para vender a divisão de fabricação e comercialização de cosméticos para a empresa global Coty, dona de macaras como Adidas, Calvin Klein, Chloé, OPI e Playboy.
O valor da operação é de R$ 3,8 bilhões, conforme informou a companhia brasileira.



O negócio ainda está sujeito ao cumprimento de determinadas condições previstas no acordo, incluindo a aprovação da transação por órgãos de defesa da concorrência. O
pagamento pela transação pela Coty é estimado para até o segundo trimestre de 2016.

O negócio inclui a venda de marcas como Bozzano, Monange, Paixão, Biocolor, Risqué, Cenoura & Bronze, dentre outras. No entanto, a transação não inclui os ramos de produtos descartáveis da Hypermarcas, como fraldas Pom Pom, Cremer Disney, Sapeka e Bigfral, assim como preservativos Jontex, Olla e Lovetex, adoçantes (Zero-Cal, Finn e Adocyl) e dermocosméticos (Episol, Epidrat, Hydraporin, dentre outras).
A Hypermarcas acrescenta ainda no comunicado que, com essa venda, ampliará seu foco no setor farmacêutico, "que oferece potencial atrativo de crescimento e rentabilidade no longo prazo".
No primeiro trimestre deste ano, a Hypermarcas registrou lucro líquido de R$ 90,7 milhões, praticamente em linha com o resultado do ano anterior.
Fundada em 2001, a Hypermarcas afirma ser a campeã nacional de produtos farmacêuticos, além de possuir 14% de participação de mercado em unidades.



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