segunda-feira, 2 de maio de 2016

A agenda perdida da área internacional - por Marcos Sawaya Jank

A agenda perdida da área internacional - por Marcos Sawaya Jank





A agenda perdida da área internacional - por  Marcos Sawaya Jank
02/05/16 - 07:06 



É dramática a situação das representações brasileiras no exterior. Atrasos nos salários e benefícios dos funcionários, cortes de água e luz, dificuldade para custear viagens de trabalho e um inaceitável atraso nas contribuições para as Nações Unidas e outras organizações internacionais são exemplos de problemas correntes das 225 representações do país no exterior.
Após o aumento de mais de 40% no número de representações desde o governo Lula, o Brasil se vê hoje na constrangedora situação de ter de fechar postos e reduzir despesas correntes para não ser despejado em alguns países.
Acompanho o trabalho dos diplomatas brasileiros há mais de 20 anos e posso afirmar, com segurança, que a nossa diplomacia se posiciona entre as melhores do mundo. Trata-se de uma das poucas carreiras de Estado bem estruturadas no Brasil, marcada pela seleção criteriosa, pela formação sólida e pela reputação reconhecida no mundo todo.
Mas, apesar dos bons serviços prestados no exterior, muitas vezes de forma heroica e voluntária, a coordenação do governo como um todo deixa a desejar. Os Ministérios das Relações Exteriores, Indústria e Comércio Exterior, Agricultura e a Apex (Agência de Promoção de Exportações e Investimentos) precisam juntar esforços de forma mais eficiente, definindo claramente as suas atribuições e limites, somando recursos e evitando duplicidades.
Missões esporádicas ao exterior são necessárias, principalmente em nível presidencial e ministerial, mas datas e horários precisam ser respeitados e o follow-up do que foi acordado precisa ser cumprido. Falhas homéricas têm ocorrido – além de sucessivos cancelamentos e atrasos, quase sempre há muito barulho no momento da visita, mas pouco preparo prévio e uma execução deficiente na sequência.
Deveríamos reduzir a busca por holofotes passageiros em megaeventos de custo astronômico e cuidar melhor da relação cotidiana com nossos parceiros comerciais. Por exemplo, na Ásia, região mais dinâmica do mundo, a nossa presença física é tímida e desconectada, menos expressiva do que a de países bem menores do que o Brasil.
No caso das commodities, que representam dois terços das nossas exportações, mais importante do que participar esporadicamente de feiras e rodadas de negócios é direcionar recursos para a labuta diária nos órgãos reguladores dos países-chave: ações para reduzir as barreiras comerciais, entrega rápida de questionários de habilitação de unidades produtivas, organização de visitas e missões, negociação de acordos bilaterais – sanitários, contra a dupla tributação, de facilitação de comércio e investimentos etc.
Precisamos ultrapassar a fase das demandas unilaterais de acesso ao país-alvo e desenvolver parcerias estratégicas de longo prazo que beneficiem os dois lados. As oportunidades de cooperação bilateral são imensas.
Mas nada disso é novidade, porque já estivemos em melhor posição no passado, inclusive no vasto universo das negociações para a formação de megablocos comerciais, à semelhança dos que hoje proliferam pelo mundo afora.
Não faltam no Brasil cabeças brilhantes para enfrentar o jogo internacional com desenvoltura. O que falta, sim, é organização e foco, envolvendo não apenas os diversos órgãos do governo como também as associações e as empresas do setor privado. É hora de recuperar a agenda perdida da área internacional. 

Marcos Sawaya Jank:
Jornal “Folha de São Paulo”, Caderno Mercado, 30/04/2016
Marcos Sawaya Jank é especialista em questões globais do agronegócio. Escreve aos sábados, a cada duas semanas.



Agrolink com informações de assessoria

domingo, 1 de maio de 2016

Indústria perde espaço na economia da maioria dos estados, mostra CNI

01/05/2016 00h05 - Atualizado em 01/05/2016 00h05



Indústria perde espaço na economia da maioria dos estados, mostra CNI




Maior queda de participação entre 2010 e 2013 foi na Bahia, de 6,6 p.p.
Setor perde espaço em SP, mas ainda representa 28% da indústria do país.

Do G1, em São Paulo

A indústria perdeu importância na economia da maioria dos estados entre 2010 e 2013, segundo pesquisa divulgada neste domingo (1º) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Em todo o país, a participação do setor caiu de 27,4% do total do Produto Interno Bruto para 24,9% no período analisado.
  •  
PARTICIPAÇÃO DA INDÚSTRIA NA ECONOMIA DOS ESTADOS
Em 2013, em %
6,510,612,41313,216,717,617,717,91919,320,520,521,622,222,923,424,325,725,826,230,530,730,933,23740,5DFACPIRRAPTOALMTPBMAROBACEPEMSSPRNRSSEGOPRRJMGSCPAAMES01020304050
Fonte: CNI
A queda foi sentida em 22 estados e no Distrito Federal – apenas no Amapá, Maranhão, Espírito Santo e Rio de Janeiro a participação da indústria na economia mostrou crescimento.
O maior recuo foi registrado na Bahia, de 6,6 pontos percentuais: a indústria do estado "encolheu" de 27,1% do total do Produto Interno Bruto (PIB) em 2010 para 20,5% em 2013. Segundo a CNI, a perda está relacionada a quedas nos setores de informática, eletrônicos e ópticos (-46,9%), veículos automotores (-32,9%) e metalurgia (-23,9%).
Houve recuos acentuados também da participação da indústria no PIB no Amazonas (-5,7 pontos percentuais, para 37%), Tocantins (-4,3 pontos percentuais, para 16,7%) e São Paulo (-3,5 pontos percentuais, para 22,9%).
Já o Amapá liderou a expansão do setor dentro da economia do estado: a indústria, que representava 7,7% do PIB estadual em 2010, passou a 13,2% no último ano da pesquisa. A alta acompanhou a maior diversificação da indústria do estado que, em 2010, era a menor do país.
Altas foram vistas ainda no Maranhão (de 16,8% para 19%) – puxada principalmente pela alta de 106% na indústria da transformação –, no Espírito Santo (de 40% para 40,5%) e no Rio de Janeiro (de 28,7% para 30,5%), em ambos os estados influenciadas pelo setor extrativo.
SALÁRIO MÉDIO DA INDÚSTRIA
Em 2013, por estado, em R$
1.3381.3711.4511.4551.5931.6241.6491.7671.7681.8051.8271.8481.8891.8901.9071.9501.9622.0192.0242.0742.1092.1192.1272.1852.5882.7323.426PBCEALPIPARNACMTPEMAMSGOSCROSEMGPRAPRSESAMBATORRDFSPRJ0k1k2k3k4k
Fonte: CNI
Participação no PIB nacional
Apesar do recuo em relação ao PIB estadual, a indústria paulista segue representado a maior fatia do setor no país, sendo responsável, sozinha, por mais de um quarto da produção da indústria do país: 28,6% do total – equivalente a um valor adicionado de R$ 323 bilhões.
Em seguida, aparecem, no ranking dos maiores PIBs industriais do país, Rio de Janeiro (14,4% da produção industrial nacional), Minas Gerais (11,6%) e Paraná (6,6%).
A indústria do Amapá, por sua vez – apesar do maior crescimento relativo em relação ao total da economia do estado – representava, em 2013, apenas 0,1% da produção industrial nacional, mesmo percentual de Roraima e Acre.
Salários
A pesquisa mostrou também que há grande disparidade entre os salários médios pagos pela indústria nos estados. Enquanto na Paraíba o salário médio é de R$ 1.338,10, no Rio de Janeiro esse valor é de R$ 3.426,00.

Agricultores começam a colheita do café arábica em propriedades de MG

Edição do dia 01/05/2016
01/05/2016 07h55 - Atualizado em 01/05/2016 07h55

Agricultores começam a colheita do café arábica em propriedades de MG



Trabalho foi antecipado no sul do estado.
Região é uma das principais produtoras do grão no país.

César DassieGuaxupé, MG



A colheita do café arábica está começando mais cedo este ano. A expectativa é boa dos agricultores do sul de Minas Gerais, principal região produtora do país.
Guaxupé é um dos municípios do sul de Minas Gerais que tem o café como o principal produto da sua economia. A safra 2016 está repleta de boas notícias para os agricultores que trabalham com o café arábica. O clima ajudou e o Brasil pode ter um incremento de quase 25% em relação ao que foi registrado em 2015 caso seja confirmada a estimativa máxima divulgada pela Conab, que aponta para uma produção de 40 milhões de sacas. Grande parte desse total deve sair do sul de Minas Gerias, que começou mais cedo a colheita neste ano.
O produtor Hugo Vilas Boas começou o trabalho 30 dias antes do que de costume e espera uma produção de 3,5 mil sacas em 110 hectares de lavoura. “Eu devo colher mil sacas a mais do que no ano passado”, diz.
O agricultor conta com 21 trabalhadores no início de colheita. A antecipação da safra mexeu com o ânimo de todos.
Nos cálculos do agrônomo Eduardo Renê, a colheita antecipada vem ocorrendo em pouco mais de 5% das propriedades da região. Para ele, isso só foi possível porque sol e chuva entraram em sintonia e garantiram o amadurecimento precoce dos grãos.
“A temperatura média de dezembro até março está um grau acima da média histórica, o que acelera o amadurecimento do fruto. Devido às chuvas no início do ano, os frutos esse ano estão com uma granação muito boa. A gente espera um bom rendimento”, diz Renê.
Os 14 armazéns da Cooxupé, Cooperativa de Cafeicultores de Guaxupé, recebem a produção de 12 mil associados. Por enquanto, a movimentação está pequena. Mas a estrutura está preparada para receber a safra.
“Este ano, estamos esperando receber cinco milhões de sacas de café de cooperados e adquirir no mercado em torno de 1,2 milhão de sacas. Isso é recorde para a cooperativa. Todos os produtores têm uma preocupação de colher mais rápido e mais cedo para ter uma qualidade muito melhor”, diz Lúcio Dias, superintendente comercial da Cooxupé.
O produtor Ari Queiroz deve começar a colheita dentro de 15 dias. Ele é um dos agricultores que perseguem a boa qualidade do café. Geralmente entre 60% e 70% da produção recebem a classificação de bebida fina tipo seis. “Tem que ter qualidade. Tendo qualidade, tem preço”, diz.
A cooperativa de Guaxupé recebe café de produtores de mais de 200 municípios de Minas Gerais e de São Paulo.
tópicos:
  • CONAB
  • Economia
  • Guaxupé
    • Para acessar o video clique no link abaixo.
      http://g1.globo.com/economia/agronegocios/noticia/2016/05/agricultores-comecam-colheita-do-cafe-arabica-em-propriedades-de-mg.html