quarta-feira, 1 de abril de 2020

Dólar avança e se aproxima de R$4,25 com sinais do impacto da crise de saúde

Às 9:09, o dólar avançava 0,99%, a 5,2457 reais na venda, enquanto o dólar futuro mais negociado tinha alta de 0,75%, a 5,254 reais

O dólar abriu esta quarta-feira em alta acentuada contra o real, aproximando-se de 5,25 reais em meio a sinais crescentes do impacto econômico da pandemia de coronavírus, apesar de medidas globais para desestressar os mercados.
Às 9:09, o dólar avançava 0,99%, a 5,2457 reais na venda, enquanto o dólar futuro mais negociado tinha alta de 0,75%, a 5,254 reais.
O Banco Central, a partir desta quarta-feira, dará início à rolagem de contratos de swap cambial com vencimento em 4 de maio de 2020, totalizando 4,9 bilhões de dólares.
Segundo a autarquia, a medida prevê a realização de leilões diários de swap tradicional e compreenderá o período necessário para que todo o estoque desse vencimento seja renovado.
Além disso, o governo publicou na terça-feira Medida Provisória (MP) que muda a tributação de investimentos de bancos no exterior, buscando eliminar distorções ligadas a operações de hedge pelas instituições financeiras, o que, segundo autoridades, deve suavizar movimentos de câmbio.
A moeda norte-americana à vista fechou o último pregão em alta de 0,25%, a 5,1944 reais na venda, segunda maior cotação para encerramento da história.

Data de Publicação: 01/04/2020 às 10:40hs
Fonte: Reuters

Milho abre o mês ainda em queda na Bolsa de Chicago e na B3

Cotações seguem em baixa após números do USDA e incertezas devido ao COVID-19

A quarta-feira (01) começa com os preços internacionais do milho futuro em baixa na Bolsa de Chicago (CBOT). As principais cotações registravam perdas entre 2,00 e 3,25 pontos por volta das 09h01 (horário de Brasília).
O vencimento maio/20 era cotado à US$ 3,38 com queda de 2,00 pontos, o julho/20 valia US$ 3,43 com desvalorização de 2,50 pontos, o setembro/20 era negociado por US$ 3,47 com baixa de 2,75 pontos e o dezembro/20 tinha valor de US$ 3,54 com perda de 3,25 pontos.
Segundo informações do site internacional Successful Farming, o milho caiu mais durante a noite, depois que o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) disse que espera um aumento nas plantações este ano.
“Espera-se que a área dedicada ao milho deva aumentar 8%, informou o USDA em um relatório divulgado nesta terça-feira. Isso pressionou os preços que já estavam oscilando no limite devido à incerteza contínua sobre a demanda devido ao COVID-19”, aponta o analista Tony Dreibus.
B3
A bolsa brasileira também abre a quarta-feira com desvalorizações para os futuros do milho, com as principais cotações caindo entre 0,79% e 1,12% por volta das 09h16 (horário de Brasília).
O vencimento maio/20 era cotado à R$ 50,30 com queda de 0,79%, o julho/20 valia R$ 46,20 com perda de 0,96% e o setembro/20 era negociado por R$ 44,10 com baixa de 1,12%.
Relembre como fechou o mercado na última terça-feira:
Milho tem poucas movimentações no Brasil, mas cai 7% em março na Bolsa de Chicago
Mercado internacional se desvaloriza após dados do USDA
A terça-feira (31) chegou ao final com os preços do milho no mercado interno brasileiro estáveis e com poucas movimentações. Em levantamento realizado pelo Notícias Agrícolas, não foram registradas desvalorizações neste início de semana. Já as valorizações apareceram apenas na praça de Brasília/DF (6,38% e preço de R$ 50,00).
Ainda no final da tarde de segunda-feira (30), a consultoria Céleres apontou que a segunda safra de milho 2019/2020 do Brasil deve registrar um recorde de 73,5 milhões de toneladas, mantendo por ora sua estimativa apesar de preocupações com o tempo seco em algumas áreas.
"No Paraná e Mato Grosso do Sul, a situação (de chuvas) não é tão confortável... mas os mapas climáticos têm apontado para reposição de chuvas em abril que deverá trazer certo alívio", disse a analista de mercado da Céleres à Agência Reuters.
A Secretaria de Agricultura e do Abastecimento do Paraná divulgou, por meio do Departamento de Economia Rural (Deral), seu o relatório de plantio e colheita apontando que 85% do milho verão já foi colhido no estado, enquanto 99% da segunda safra do cereal já foi semeada.
Além disso, o departamento informou que a qualidade das lavouras de milho segunda safra está apenas 82% em bom estado, contra 16% médias e 2% ruins.
Já o Imea (Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária) divulgou relatório apontando que o Indicador Imea MT registrou alta de 3,94% ante a última semana, sendo cotado na média de R$ 41,10. Além disso, o Indicador MT registrou patamares recordes nas cotações do cereal, tendo média de R$ 39,05 na primeira quinzena do mês de março.
Mercado Externo
A terça-feira (31) chega ao final com os preços internacionais do milho futuro com pequenas quedas na Bolsa de Chicago (CBOT). As principais cotações registraram desvalorizações entre 0,50 e 2,25 pontos ao fim do dia.
O vencimento maio/20 foi cotado à US$ 3,40 com queda de 0,50 pontos, o julho/20 valeu US$ 3,46 com baixa de 1,50 pontos, o setembro/20 foi negociado por US$ 3,49 com perda de 2,25 pontos e o dezembro/20 teve valor de US$ 3,57 com desvalorização de 2,25 pontos.
Esses índices representaram baixas, com relação ao fechamento da última segunda-feira, de 0,29% para o maio/20, de 0,29% para o julho/20, de 0,85% para o setembro/20 e de 0,56% para o dezembro/20.
Na comparação do mês, as cotações do milho em Chicago contabilizaram quedas de 7,10% para o maio/20, de 5,98% para o julho/20, de 6,18% para setembro/20 e de 4,03% para o dezembro/20, na comparação com o último dia útil de fevereiro.
Segundo informações da Agência Reuters, os futuros do milho nos EUA caíram nesta terça-feira, depois que o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) previu as plantações para 2020 bem acima das expectativas comerciais, as maiores em oito anos.
Além disso, um estoque de milho trimestral do USDA mais apertado do que o esperado estima perdas limitadas, mas a maioria dos contratos ainda reduziu a vida útil do contrato, depois dos relatórios governamentais aguardados.
“A previsão de grandes áreas cultivadas com milho ocorre quando várias usinas de etanol, usuários de mais de um terço da safra dos EUA, diminuíram ou interromperam a produção em meio a uma forte queda nos preços da energia, desencadeada em grande parte pela pandemia de Coronavírus”, aponta Karl Plume da Reuters Chicago.
O USDA, depois de examinar cerca de 80.000 agricultores dos EUA, fixou as plantações de milho em 2020 em 96.990 milhões de acres (39,250 milhões de hectares). De acordo com a Reuters, analistas esperavam que o relatório mostrasse 94,328 milhões de acres (38,173 milhões de hectares) de milho.
“É uma safra 15% maior, se você voltar aos rendimentos da tendência. É muito milho para absorver, especialmente em um ambiente de demanda fraca de etanol e uma forte situação do dólar, o que prejudica as exportações”, disse Bill Lapp, presidente da Advanced Economic Solutions.
O USDA também estimou os estoques de milho em 1º de março em 7,95 bilhões de bushels (180,213 milhões de toneladas), números mais baixos em relação ao ano anterior. Os estoques de milho também ficaram abaixo da estimativa comercial média.

Data de Publicação: 01/04/2020 às 10:30hs
Fonte: Notícias Agrícolas

Ações da China terminam em baixa por coronavírus mas esperanças de estímulo limitam perdas

O índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, recuou 0,3%, enquanto o índice de Xangai teve queda de 0,57%

As ações da China encerraram a primeira sessão do segundo trimestre em baixa nesta quarta-feira, em linha com os mercados asiáticos em geral, embora as perdas tenham sido limitadas pelas esperanças de que Pequim divulgue mais medidas para reforçar a economia atingida pela pandemia de coronavírus.
O índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, recuou 0,3%, enquanto o índice de Xangai teve queda de 0,57%.
O subíndice do setor financeiro teve variação positiva de 0,04%, o de consumo teve queda de 0,93%, o setor imobiliário subiu 1,12% e o subíndice de saúde recuou 1,51%.
As perdas no continente foram relativamente limitadas devido à esperança de mais estímulos para ajudar a sustentar a segunda maior economia do mundo.
A China intensificará os ajustes de política fiscal e monetária para combater o impacto do surto de vírus, informou a mídia estatal na terça-feira, citando uma reunião do gabinete presidida pelo premiê Li Keqiang.
  • Em TÓQUIO, o índice Nikkei recuou 4,50%, a 18.065 pontos.
  • Em HONG KONG, o índice HANG SENG caiu 2,19%, a 23.085 pontos.
  • Em XANGAI, o índice SSEC perdeu 0,57%, a 2.734 pontos.
  • O índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em XANGAI e SHENZHEN, retrocedeu 0,30%, a 3.675 pontos.
  • Em SEUL, o índice KOSPI teve desvalorização de 3,94%, a 1.685 pontos.
  • Em TAIWAN, o índice TAIEX registrou baixa de 0,46%, a 96.663 pontos.
  • Em CINGAPURA, o índice STRAITS TIMES desvalorizou-se 1,65%, a 2.440 pontos.
  • Em SYDNEY o índice S&P/ASX 200 avançou 3,58%, a 5.258 pontos.

Data de Publicação: 01/04/2020 às 10:20hs
Fonte: Reuters

Soja: Mercado começa abril com perdas de mais de 1% em Chicago pressionado pela pandemia

Nesta quarta-feira (1), as cotações perdiam mais de 10 pontos nos principais contratos, por volta de 6h55 (horário de Brasília), com o maio valendo US$ 8,75 e o julho e agosto com US$ 8,78 por bushel

O mês de abril começa começa com baixas de mais de 1% na Bolsa de Chicago entre os preços da soja. Nesta quarta-feira (1), as cotações perdiam mais de 10 pontos nos principais contratos, por volta de 6h55 (horário de Brasília), com o maio valendo US$ 8,75 e o julho e agosto com US$ 8,78 por bushel.
Os mercados todos, mundo a fora, começam um novo trimestre pressionados pelos preocupantes resultados do anterior, e diante das notícias preocupantes, principalmente, vindas dos EUA. Na noite de ontem, o presidente Donald Trump afirmou que os americanos têm de estar preparados para as próximas duas semanas, que deverão ser bastante dolorosas e com o país podendo contabilizar ao menos 240 mil vítimas pela Covid-19.
O que traz balanço e equilíbrio ao mercado é a demanda chinesa, que dá sinais de melhora no mercado norte-americano já há alguns dias. Como explica o analista de mercado Fernando Pimentel, da Agrosecurity Consultoria, a China vem às compras para construir seus estoques diante de receios de qye a logística possa começar a comprometer o abastecimento em seus maiores fornecedores, que são Brasil e Estados Unidos.
"Apesar do suporte da expectativa de demanda forte e com a China voltando aos poucos a funcionar, a crise do Covid-19, que ainda está no auge na Europa e prometendo se alastrar rapidamente nas Américas nos próximos 15 dias deixam traders na defensiva", explica Steve Cachia, consultor da Cerealpar e da AgroCulte. "O dia amanheceu negativo e pesado e o mercado precisa urgentemente de novidades boas em relação a cura e/ou vacina para voltar a operar em cima dos tradicionais fatores de oferta e demanda", completa.
Além disso, Cachia explica ainda que o outros fatores que pressionam as cotações são os baixos preços do petróleo - que hoje voltam a ceder e recuam mais de 1% na Bolsa de Nova York, assim como todas as commodities - e os rumores de que as condições logísticas na Argentina voltam, aos poucos, à normalidade.
Veja como fechou o mercado nesta terça-feira e quais as outras preocupações nos EUA diante do país ter se tornado o novo epicentro da pandemia:
Soja no Brasil se fortalece no dólar e registra novo dia de preços historicamente altos
O mercado da soja encerrou o pregão desta terça-feira (31) fechou o dia com pequenas altas na Bolsa de Chicago. Os futuros da oleaginosa encerraram os negócios pequenos ganhos de pouco mais de 3 pontos nos principais contratos, com o maio/20 terminando em US$ 8,86 e o agosto, com US$ 8,89 por bushel.
No Brasil, o equilíbrio continua vindo do dólar, que voltou a se aproximar dos R$ 5,20. Segundo relatou o consultor de mercado Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting, os preços no cenário nacional voltaram a registrar níveis recordes, com referências de R$ 103,00 por saca para abril nos portos, R$ 104,00 no maio e até R$ 106,00 no agosto. Para a safra nova, de R$ 100,00 a R$ 101,00.
"O mercado está firme, com alguns negócios ainda acontecendo. Já na safra nova os negócios são mais escassos agora", explica Brandlalizze. "Seguimos com ritmo forte e os compradores querendo a soja brasileira", completa.
MERCADO INTERNACIONAL
Os traders esperavam pelos novos números do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), porém, a chegada das informações teve pouca relevância, como já se esperava, diante da pressão que o noticiário sobre a pandemia do coronavírus ainda exerce sobre as commodities de uma forma geral.
Ainda assim, o mercado olhou com bons olhos o fato de a área estimada para a soja na safra 2020/21 dos EUA ter vindo menor do que a média das expectativas.
O relatório trouxe uma área de soja de 33,8 milhões de hectares, contra a média das projeções do mercado de 34,28 milhões. Confirmada, a área irá superar em cerca de 10% a área de 2019. Ainda de acordo com o USDA, a área de soja tende a subir ou a ficar estável em 22 dos 29 estados produtores.
Em contrapartida, os estoques trimestrais ficaram ligeiramente acima da média esprerada. Os estoques de soja em 1º de março de 2019 foram projetados em 61,23 milhões de toneladas, quando a média esperada pelo mercado era de 60,88 milhões. Em relação a março de 2019, o volume é 17% menor.
O mercado em Chicago também está bastante atento ao início da nova safra 2020/21 dos EUA e, com o país se tornando o novo epicentro da pandemia do coronavírus, há problemas que começam a aparecer para os produtores norte-americanos como um comprometimento na distribuição de insumos.
Como explica o diretor da ARC Mercosul, Matheus Pereira, a quarentena por lá é ainda mais severa, deve se estender até 30 de abril e traz uma série de incertezas para o produtor rural. Crise está ainda longe da contenção e produtor já teme atrasos no plantio por dificuldade na distribuição de insumos. Na soja, produtor já contabiliza prejuízos, diante dos atuais referenciais no novembro em Chicago e com custos medianos, US$ 50 a US$ 100 por acre.

Data de Publicação: 01/04/2020 às 10:10hs
Fonte: Notícias Agrícolas

Produção de etanol de milho segue no Brasil e novas usinas devem ser entregues ainda neste ano

O setor do etanol de milho no Brasil vem crescendo nos últimos anos e deve seguir neste caminho, de acordo com a Unem (União Nacional do Etanol de Milho)

Em entrevista ao Notícias Agrícolas, o presidente da entidade, Guilherme Nolasco, relatou acreditar na manutenção da produção e dos investimentos no setor.
"Enquanto os Estados Unidos diminuem a sua produção, com certeza neste ano e nos próximos anos nós estaremos na produção crescente de etanol de milho. O nosso desempenho está por vezes a cima do desempenho americano quando traduzimos litros de etanol produzido por tonelada de milho e nosso cenário e totalmente diferente, nós temos o etanol como matriz energética consolidada no país", comenta Nolasco.
A liderança também destacou que os investimentos previstos para o mercado também devem seguir normalmente. "Temos mais três usinas para inaugurar até o final deste ano e continuam em finalização de projeto. O momento atual não vai atrasar este feito e temos vários outros projetos já para os próximos anos iniciando obras".
Pensando na comercialização do milho no Brasil, Nolasco cita o exemplo do Mato Grosso, que neste mesmo período de 2019 tinha 42% da safra de milho já negociada e neste ano já registra vendas em 65% do total, garantindo o abastecimento do mercado e comprovando a mudança no cenário do milho brasileiro.

Data de Publicação: 01/04/2020 às 10:00hs
Fonte: Agência UDOP de Notícias


Produção de etanol dos EUA cai 2,9% na semana, a 1,005 milhão de barris/dia

A produção média de etanol nos Estados Unidos foi de 1,005 milhão de barris por dia na semana encerrada em 20 de março, volume 2,9% menor do que o registrado na semana anterior, de 1,035 milhão de barris por dia
Os números foram divulgados nesta quarta-feira, 25, pela Administração de Informação de Energia do país (EIA, na sigla em inglês).
Os estoques do biocombustível diminuíram 2,03% para 24,1 milhões de barris.
Os números de produção de etanol nos Estados Unidos são um importante indicador da demanda interna por milho.
No país, o biocombustível é fabricado principalmente com o grão e a indústria local consome mais de um terço da safra doméstica.

Data de Publicação: 01/04/2020 às 09:40hs
Fonte: Dow Jones Newswires

Quer ter vacas mais lucrativas? Foque em saúde na transição

Todo produtor de leite quer que suas vacas tenham elevada produtividade, mas em grande parte das fazendas brasileiras, isso não é um objetivo fácil de atingir
São muitos os fatores que afetam o desempenho produtivo e reprodutivo das vacas leiteiras, e para conseguir elevada eficiência, os produtores precisam estar atentos a todos. Como em qualquer negócio, há os aspectos que têm maior impacto sobre o resultado, e no caso da produção de leite um dos fatores que mais afeta a lucratividade é a saúde do rebanho.
O período mais desafiador para a saúde de uma vaca leiteira é a transição, classicamente as 3 semanas antes e as 3-4 semanas depois do parto. São muito impactantes. As alterações fisiológicas que os animais enfrentam na preparação para o parto e, início de uma nova lactação, em uma fase na qual, os animais, via de regra, sofrem de imunossupressão, ou seja, ficam muito mais sujeitos à ocorrência de doenças e distúrbios metabólicos, que normalmente se manifestam nos primeiros dias da lactação.
Para minimizar a chance de problemas é fundamental garantir duas coisas para as vacas: conforto e boa nutrição, tanto no pré, como no pós-parto imediato. Isso é imprescindível para que o sistema imune das vacas esteja ativo, protegendo adequadamente os animais. A falta de conforto no período de transição, resulta em aumento na demanda nutricional para mantença. Problemas como calor excessivo ou tempo inadequado para descanso, impõem às vacas um stress metabólico que “rouba” nutrientes que seriam destinados à proteção do organismo, e os animais ficam mais sujeitos às doenças típicas do início da lactação – metrite, retenção de placenta, cetose, etc.
Se além disso, as vacas não tiverem a nutrição adequada, o problema pode se agravar muito. A principal causa de descartes precoces em rebanhos leiteiros, (antes dos 60 dias de lactação) é justamente o manejo inadequado no período de transição. Um erro muito comum nas fazendas é justamente querer que as vacas produzam o máximo possível desde o primeiro dia da lactação. No período imediatamente após ao parto, o objetivo maior do produtor deve ser garantir à vaca as melhores condições para que possam se recuperar adequadamente do parto, e assim, possam desempenhar bem no período subsequente.
Impor às vacas um ritmo acelerado de produção nesse período inicial da lactação é uma estratégia perigosa, pois pode ser um desafio ainda maior do que o que elas já têm, por causa do balanço energético negativo que ocorre nas primeiras semanas pós-parto. A melhor estratégia nas primeiras 3 semanas pós-parto é focar na recuperação hormonal e na saúde das vacas, usando dietas menos agressivas, com teor de amido mais baixo, priorizando o uso de volumosos de alta qualidade.
Se dermos a elas as condições para se recuperarem adequadamente do stress do parto, buscando a maximização do consumo de alimentos (CMS), com menor stress metabólico, em um segundo momento (depois de 3-4 semanas) poderão expressar todo o seu potencial produtivo e, a ocorrência de distúrbios metabólicos será muito menor. Além disso, muito provavelmente retornarão mais cedo à atividade estral, o que contribuirá decisivamente para a melhoria da eficiência reprodutiva.
Riscos do Baixo CMS
Uma série de problemas decorre da baixa ingestão de matéria seca, típica do período de transição, dentre os quais três são considerados fatores de risco elevado, com a baixa do CMS:
• Leva à mobilização de gordura, que se for em grande quantidade pode levar à ocorrência de síndrome do fígado gorduroso, com subsequente desenvolvimento de cetose, resultando em prejuízo ao funcionamento do fígado;
• Prejudica o sistema imunológico, o que aumenta o risco de ocorrência de mastites e metrites;
• Faz com que o rúmen fique esvaziado, o que aumenta muito o risco de ocorrência de Deslocamento de Abomaso;
Para minimizar os efeitos dessa redução de consumo, o melhor caminho é compensar de alguma forma a queda na ingestão de alimentos, de forma que a ingestão de nutrientes, especialmente energia, não seja tão prejudicada. O objetivo nas últimas 3 semanas de gestação é manter o teor de energia da dieta das vacas entre 1,45 e 1,60 Mcal/kg MS, sem que o teor total de amido da dieta passe de 18%. Depois do parto, o teor de energia deve ser ajustado à produção dos animais, mas é importante manter o teor de amido mais baixo, em até 20-22%.
Outro ponto muito importante no período de transição, está relacionado ao uso de aditivos que comprovadamente ajudam no fortalecimento do sistema imune, e melhoram o aproveitamento dos nutrientes da dieta. Todos os esforços no sentido de fortalecer o sistema imune das vacas, nesse período, serão recompensados amplamente se os animais não ficarem doentes no pós-parto imediato, voltando rapidamente à atividade reprodutiva e alcançando pico elevado de produção de leite.
Se o manejo nesses primeiros 20-30 dias pós-parto for feito dentro desse conceito, focando no conforto e sanidade das vacas, especialmente na saúde do rúmen, as vacas terão uma condição muito favorável para responder muito bem quando entrarem no lote de alta produção. A experiência da nossa equipe técnica com essa estratégia é muito positiva, principalmente em rebanhos de alta produção. É preciso lembrar que em relação ao período total do intervalo entre 2 partos, o período de transição representa no máximo 15% do total, e é justamente o melhor momento para investir no maior patrimônio dos produtores de leite: suas vacas!
Alexandre M. Pedroso - Consultor Técnico Bovinos Leiteiros

Data de Publicação: 01/04/2020 às 09:20hs
Fonte: Nutron/Cargill