Publicado em 04/11/2018 19:47
Os petistas prometem "construir uma frente de resistência pelas liberdades democráticas", como se o País estivesse às portas da ditadura (EDITORIAL DE O ESTADO DE S. PAULO)
Uma oposição “propositiva” ao governo de Jair Bolsonaro é o que prometem alguns partidos de esquerda que já começam a se organizar com vista à próxima legislatura. Não por acaso, esse bloco excluirá o PT. Segundo explicou o deputado André Figueiredo (CE), líder do PDT na Câmara, o partido do ex-presidente e hoje presidiário Lula da Silva “tem um modus operandi próprio dele”, enquanto o bloco formado por PDT, PSB e PCdoB “tem um outro modelo de oposição”, isto é, “um modelo construtivo para o País”.
Ainda será preciso esperar que esses partidos passem das belas palavras aos atos concretos, mas é significativo que agremiações que tão fortemente antagonizaram com Bolsonaro durante a campanha agora se digam dispostas a fazer oposição responsável ao próximo governo.
Também é significativo que o grupo tenha dispensado o PT e sua linha auxiliar, o PSOL, das conversas para a formação de um bloco de oposição. O pedetista André Figueiredo explicou que não é mais possível aceitar “o hegemonismo que o PT quer impor aos demais partidos” e que nenhuma dessas legendas de esquerda aceita ser “um puxadinho do PT”.
O isolamento do PT no campo da oposição é a consequência natural do comportamento autoritário do partido, incapaz de uma convivência democrática mesmo com aqueles com os quais nutre alguma afinidade ideológica. Para os petistas, nada que não tenha sido ditado pelo PT tem legitimidade.
À medida que foi sendo desossado pelas urnas e pela Justiça, o partido de Lula da Silva recrudesceu seu autoritarismo, expondo cada vez mais seu desespero. Depois de passar a campanha inteira a denunciar como “golpe” o impeachment constitucional de Dilma Rousseff, a exigir a libertação de Lula, como se este não tivesse que cumprir pena pelos crimes que cometeu, e a exigir apoio a seu candidato como única forma de “salvar a democracia” ante o perigo do “fascismo” supostamente representado pela candidatura de Bolsonaro, o PT agora trata de dizer que a vitória do oponente resultou de um processo “eivado de vícios e fraudes”, conforme declarou a presidente do partido, Gleisi Hoffmann.
Os petistas, assim, fazem exatamente aquilo que deles se esperava – isto é, em vez de aceitar o resultado das urnas e se organizar para fazer oposição decente e leal ao futuro governo, preferem deflagrar campanha para deslegitimar a vitória de Bolsonaro. Do alto de sua prepotência, os petistas dizem que Bolsonaro foi eleito depois de “uma campanha de ódio e de mentiras, que nos últimos anos manipulou o desespero e a insegurança da população”, como diz uma resolução da Executiva Nacional do PT aprovada logo após a eleição. Ou seja, para o PT, se não houvesse “manipulação” e “mentiras” o candidato petista seria eleito com folga.
Um partido que em documento oficial chama um presidente democraticamente eleito de “aventureiro fascista”, como faz o PT, não tem a menor intenção de fazer oposição. Para esta atitude verdadeiramente golpista já chamávamos a atenção no editorial Desespero, de 19 de outubro. Sua intenção é inviabilizar o governo e, por tabela, impedir que o País saia da crise que os próprios petistas criaram em sua desastrosa passagem pela Presidência. Os desesperados petistas prometem “construir uma frente de resistência pelas liberdades democráticas”, como se o País estivesse às portas da ditadura, e essa “resistência” se estende a tudo o que interessa à maioria da população, a começar pela reforma da Previdência.
Enquanto isso, os grupelhos a serviço do lulopetismo mostram do que é feita a “democracia” que defendem: uma manifestação convocada pelo notório Guilherme Boulos para exigir que Bolsonaro “respeite a oposição” e “as liberdades democráticas” acabou em tumulto e depredação na terça-feira passada em São Paulo.
Não surpreende, assim, que a tal “frente de oposição” que o PT pretende liderar não tenha apoio. O grave momento do País exige um esforço de todos para a superação da crise, o que implica a existência de uma oposição dura, porém prudente. Os sabotadores – aqueles que não se importam com o interesse público – devem ser isolados, para que fique patente de vez sua profunda irresponsabilidade.
O barco de Bolsonaro (em O Antagonista)
O presidente eleito Jair Bolsonaro, que nesta semana deve se reunir com autoridades federais em Brasília, usou o Twitter para apelar pela unidade do país.
“Para colocarmos o Brasil no caminho da prosperidade é preciso compreender que todos estamos no mesmo barco, e que trabalhar para prejudicá-lo é prejudicar a si próprio. Se cada um levar consigo estes valores, certamente chegaremos em posição de destaque no mundo”.
Jair M. Bolsonaro : " Para colocarmos o Brasil no caminho da prosperidade é preciso compreender que todos estamos no mesmo barco, e que trabalhar para prejudicá-lo é prejudicar a si próprio. Se cada um levar consigo estes valores, certamente chegaremos em posição destaque no mundo. Conto com vocês!...".
A grande imprensa está, é claro, atrasada no episódio do convite de Bolsonaro
Bolsonaro usa Twitter para defender unidade em torno do novo governo (ESTADÃO)
BRASÍLIA e RIO - O presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) voltou a recorrer às redes sociais para defender a unidade em torno do novo governo. Em sua conta no Twitter, Bolsonaro argumentou que estão todos “no mesmo barco”.
“Para colocarmos o Brasil no caminho da prosperidade é preciso compreender que todos estamos no mesmo barco, e que trabalhar para prejudicá-lo é prejudicar a si próprio. Se cada um levar consigo estes valores, certamente chegaremos em posição de destaque no mundo. Conto com vocês!”, escreveu Bolsonaro.
Mais cedo, Bolsonaro já tinha usado o Twitter para repercutir a sua trajetória na corrida eleitoral e anunciar o que considera ser uma "nova era" que está por vir no cenário político.
Pela manhã, o presidente eleito deixou sua residência na Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio de Janeiro, em direção à Igreja Batista Atitude, frequentada pela esposa, Michele Bolsonaro.
Durante o culto, ele foi homenageado e afirmou para os mais de quatro mil fiéis presentes que vai governar para todo o Brasil e não apenas para quem votou nele. Chamado ao palco um pouco depois da coleta de dinheiro, Bolsonaro agradeceu os votos recebidos e pediu sabedoria e coragem "para tomar as decisões acertadas e executar o firme propósito de mudar a política brasileira".
O deputado voltou a atacar a mídia, ressaltando que foi eleito "apesar de parte da mídia contrária às nossas propostas". Segundo Bolsonaro, sua eleição ocorreu "porque Deus quis".
"Quem diria que alguém com apelido de palmito ia chegar à presidência", brincou. Ele citou vários salmos e finalizou em coro com a plateia o conhecido "Conhecereis a verdade e a verdade o libertará".
Em Brasília, o presidente Michel Temer afirmou neste domingo, 4, desejar sorte e sucesso ao seu sucessor.
Os dois se encontrarão pela primeira vez após o resultado das eleições na próxima quarta-feira na capital federal. A transição entre os governos começa nesta semana.
Temer falou sobre Bolsonaro ao ser questionado a respeito de que dica daria a ele sobre a Presidência. O presidente esteve no Instituto Nacional de Ensino e Pesquisa Anísio Teixeira (Inep) para acompanhar o início da aplicação das provas do Enem.
Fonte: Estadão/O Antagonista

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