Instituições discutem potencialidades da fruticultura acreana
01/06/16 - 09:43
O potencial econômico da produção de maracujá, abacaxi, banana e outras culturas estará em discussão nesta quarta-feira (1° de junho), durante o Workshop Fruticultura no Acre. Agricultores familiares, pesquisadores, técnicos da extensão rural e órgãos financiadores debatem aspectos relacionados ao cultivo de fruteiras, gestão do negócio rural e crédito rural, além de compartilhar experiências exitosas no contexto acreano. As atividades acontecem no auditório do Centro de Educação Permanente (CEDUP) do município de Acrelândia, pela manhã, e em áreas de produção de frutas, à tarde.
O objetivo é mostrar novas oportunidades de negócio e incentivar iniciativas voltadas para a produção de frutas no estado, além de orientar sobre procedimentos para acesso ao crédito rural. O evento é realizado pelo Banco da Amazônia e Embrapa, em parceria com a Secretaria de Agricultura e Produção Familiar do Acre (Seaprof) e Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) entre outras instituições governamentais.
De acordo com José Cordeiro, gerente da Agência do Banco da Amazônia de Plácido de Castro, o evento foi idealizado a partir de uma constatação em torno das demandas por financiamento rural em Plácido de Castro e municípios vizinhos. "Observamos que entre os produtores há uma tendência de concentrar o interesse em empreendimentos com a pecuária. Queremos desmistificar o setor produtivo acreano e mostrar que existem outras possibilidades de produção, entre elas a fruticultura. Temos um leque de opções de linhas de crédito e experiências práticas que mostram que é possível investir também no cultivo de frutas e obter bons resultados", afirma.
Na programação do evento estão previstas palestras, rodadas de debate, assinatura de contratos com o Fundo Constitucional de Financiamento do Norte (FNO) e visitas a propriedades rurais para conhecer resultados de pesquisas desenvolvidas pela Embrapa Acre, com maracujá e abacaxi. De acordo com o pesquisador da Embrapa Acre, Romeu Andrade, responsável pelos estudos, serão apresentados os sistemas de cultivos adotados pelos agricultores, técnicas de manejo adequadas e dados relativos à viabilidade econômica destas culturas no estado.
"Para o maracujazeiro, vamos destacar procedimentos como poda, adubação e polinização manual, práticas essenciais para essa cultura. Já em relação ao abacaxi, a ênfase será na produção de mudas, espaçamento e desempenho da cultura em cultivos adubados e sem adubação. É importante mostrar dados científicos, mas também compartilhar a experiência dos agricultores que podem dizer o quanto a cultura satisfaz em termos econômicos", explica Andrade.
Palestras
Além de aspectos gerais da fruticultura no Acre, as palestras versarão sobre temas como irrigação na propriedade rural, acesso ao crédito rural e viabilidade econômica das culturas do maracujá, abacaxi e banana. Neste aspecto, serão apresentados dados de estudos realizados com agricultores de Acrelândia e Senador Guiomard. "As análises indicam que a fruticultura é uma atividade altamente rentável no Acre, especialmente as culturas que oferecem mais de uma safra por ano. A produção de frutas gera ocupação para os diversos membros da família e tem mercado garantido e, quando praticada com base em recomendações técnicas, o retorno financeiro é bastante satisfatório", explica Claudenor Pinho de Sá, pesquisador da Embrapa.
Além de aspectos gerais da fruticultura no Acre, as palestras versarão sobre temas como irrigação na propriedade rural, acesso ao crédito rural e viabilidade econômica das culturas do maracujá, abacaxi e banana. Neste aspecto, serão apresentados dados de estudos realizados com agricultores de Acrelândia e Senador Guiomard. "As análises indicam que a fruticultura é uma atividade altamente rentável no Acre, especialmente as culturas que oferecem mais de uma safra por ano. A produção de frutas gera ocupação para os diversos membros da família e tem mercado garantido e, quando praticada com base em recomendações técnicas, o retorno financeiro é bastante satisfatório", explica Claudenor Pinho de Sá, pesquisador da Embrapa.
Outro tema a ser abordado é a gestão da propriedade rural, aspecto importante no contexto produtivo, mas que nem sempre é considerado, geralmente por desconhecimento da sua funcionalidade. A palestra tem como objetivo contextualizar as dificuldades vividas por agricultores familiares do Acre em relação à prática de gerir o negócio rural e apresentar ferramentas simples e de fácil adoção que permitem a realização de registros sistemáticos de todas as despesas e investimentos nas atividades produtivas, bem como das receitas provenientes da comercialização da produção agropecuária.
De acordo com o analista Francisco Silva, a gestão da propriedade funciona, inclusive, para facilitar o acesso ao crédito. "A maioria dos agricultores familiares do acre não têm o hábito de fazer esta prática. É importante dispor de informações que possam subsidiar a avaliação por parte de órgãos financiadores e gerenciar diariamente a atividade permite ao agricultor comprovar se aquilo que ele faz é viável", afirma.
O gerenciamento da propriedade rural considera despesas com depreciação de equipamentos e custos de oportunidade do capital investido, além de despesas operacionais do dia-a-dia que normalmente o produtor não leva em conta como a aquisição de combustível e manutenção da estrutura física da propriedade. "O agricultor precisa dispor de ferramentas mínimas, como o registro manual em planilhas, que levem ao cômputo geral de tudo que desembolsa para viabilizar a sua atividade e que permitam mensurar a renda. Sem tais informações não é possível saber se o negócio rural é rentável", destaca.
Atividade promissora
De acordo com diagnóstico realizado pela Embrapa, o Acre apresenta condições de clima e solo propícias para o cultivo de fruteiras nativas e exóticas, o que indica que a fruticultura pode ser uma atividade promissora para o estado. O maracujá, o abacaxi e a banana estão entre as frutíferas mais cultivadas nas diversas regionais. Entretanto, apesar das potencialidades, a produtividade dos cultivos é baixa, com uma produção concentrada principalmente nos municípios de Acrelândia, Porto Acre, Plácido de Castro, Tarauacá e Rio Branco e insuficiente para atender à demanda interna. Estima-se que 50% da fruta consumida no Acre vêm de outros estados. Para Andrade, o uso de tecnologias, aliado ao desenvolvimento de ações de apoio e fomento à produção pode mudar essa situação.
De acordo com diagnóstico realizado pela Embrapa, o Acre apresenta condições de clima e solo propícias para o cultivo de fruteiras nativas e exóticas, o que indica que a fruticultura pode ser uma atividade promissora para o estado. O maracujá, o abacaxi e a banana estão entre as frutíferas mais cultivadas nas diversas regionais. Entretanto, apesar das potencialidades, a produtividade dos cultivos é baixa, com uma produção concentrada principalmente nos municípios de Acrelândia, Porto Acre, Plácido de Castro, Tarauacá e Rio Branco e insuficiente para atender à demanda interna. Estima-se que 50% da fruta consumida no Acre vêm de outros estados. Para Andrade, o uso de tecnologias, aliado ao desenvolvimento de ações de apoio e fomento à produção pode mudar essa situação.
"Existe um mercado crescente e novas tecnologias vêm sendo disponibilizadas para os agricultores. Recentemente foram recomendadas duas novas variedades de maracujá para o Acre, resistentes a doenças e mais produtivas. As pesquisas com essa cultura têm gerado excelentes resultados, o que tem contribuído para despertar o interesse de muitos produtores, que vêm buscado orientações sobre como plantar e cultivar a fruta. Isto é animador, mas os agricultores precisam se unir para consolidar a cultura", diz o pesquisador.
Em 2015 a Embrapa também recomendou um método para controle da Sigatoka-negra em banana comprida, que vem sendo utilizado por agricultores de diversos municípios acreanos. Além disso, existem variedades de bananas dos tipos prata e maçã resistentes a pragas e doenças, recomendadas pela pesquisa e disponíveis no mercado. A empresa também investe em pesquisas para desenvolver variedades de abacaxi mais adaptadas às condições locais.
As pesquisas com fruticultura no Acre visam à definição de sistemas de produção que permitam produzir de forma escalonada, plantando e colhendo durante todo o ano. "Isto possibilita gerar renda de forma contínua, contribuindo para a permanência das famílias no campo. Já chegamos neste patamar com a banana e estamos buscando esse resultado com as culturas do abacaxi e maracujá", afirma Andrade.
A fruticultura é uma importante fonte de alimento, emprego e renda para as famílias no campo e na cidade. No contexto acreano pode ser uma alternativa para o aproveitamento e recuperação ambiental de áreas desmatadas. Outro fator que favorece a atividade, segundo especialistas, é a localização geográfica estratégica do estado, que faz fronteira com o Peru, Bolívia, Amazonas e Rondônia. Essa situação pode favorecer o escoamento da produção tanto para os países vizinhos como para outros estados brasileiros.
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