domingo, 1 de abril de 2018

Defesa sanitária do Acre está em alerta

Edição do dia 01/04/2018
01/04/2018 08h58 - Atualizado em 01/04/2018 08h58

Defesa sanitária do Acre está em alerta


Fiscais fazem barreiras na fronteira com a Bolívia e Peru para tentar impedir a entrada de um fungo. A doença atinge o cacau e o cupuaçu.


Jefson DouradoSenador Guiomard, AC


A defesa sanitária do Acre está em alerta. Fiscais fazem barreiras na fronteira com a Bolívia e Peru para tentar impedir que um fungo perigoso entre no país.
São 6.395 quilômetros de fronteira entre o Brasil, o Peru e a Bolívia. E toda esta área está em situação de alerta fitossanitário por conta da ameaça da monilíase do cacaueiro. Uma doença causada pelo fungo moniliophthora roreri, que ainda não foi registrado no Brasil. Mas o órgão responsável pela defesa agropecuária da Bolívia confirmou uma área contaminada no departamento de Pando, a apenas 55 quilômetros de Brasileia, no Acre.
“Como nós temos poucos plantios de cacau, o problema vai ser maior no cupuaçu, já que essa doença ataca os plantios de cacau e também do cupuaçu e aqueles que existem na natureza”, diz Pedro Arruda Campos, coordenador de identificação de pragas -Idaf/AC (Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Acre)
O principal sintoma da doença é uma lesão escura na casca do fruto com formação de grande quantidade de um pó esbranquiçado que se desprende facilmente. “A monilíase é tão perigosa para a cultura do cacau e do cupuaçu porque ela ataca diretamente o fruto. É a parte comercial dessa planta. Ela causa sintomas que danificam o fruto. Pode causar prejuízos de 50% a 100% ao produtor”, diz Ligiane Amorim, engenheira agrônoma do Idaf/AC (Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Acre)
Doença pode chegar ao Brasil
Seu Francisco Ocivaldo produz cacau e cupuaçu em Senador Guiomard, em uma área de dois hectares e meio. Nunca tinha ouvido falar da doença, até uma equipe do Idaf - Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Acre, visitar a propriedade. A inspeção na lavoura mostrou que está tudo bem.
"Mas essa observação dos frutos é importante, porque na hora que aparecer um sintoma parecido a gente precisa vir checar", diz Ligiane Amorim, engenheira agrônoma do Idaf/AC.
A disseminação natural da praga pode se dar pelo vento, chuva ou córregos. Daí a preocupação por estar tão próximo do território brasileiro. Além das visitas nas áreas rurais, a fiscalização foi intensificadas também nas barreiras próximas as regiões de fronteira. Aqui as cargas são vistoriadas e os motoristas recebem orientações sobre a doença.
“Como uma forma de inibir mesmo a entrada desse produto. Se entrar, chega aqui, a gente vai, infelizmente, é sequestrar esse produto e dar fim nele. Tocar fogo, enterrar, fazer alguma coisa”, diz Pedro Arruda Campos, coordenador de Identificação de Pragas do Idaf/AC.
Se a vigilância sanitária ou os agricultores encontrarem frutos doentes, eles precisam ser eliminados porque ainda não existe nenhum produto aprovado para combater a doença no Brasil.

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Cresce a área cultivada com algodão no país

Edição do dia 01/04/2018
01/04/2018 09h00 - Atualizado em 01/04/2018 09h00

Cresce a área cultivada com algodão no país


Os preços pagos pelo mercado animaram os produtores. Na Bahia, o aumento chega a 9%.

Muller Nunes e Márcio FalcãoLuís Eduardo Magalhãs, BA; Primavera do Leste, MT


As lavouras de algodão ocupam uma área maior em Mato Grosso e na Bahia, nesta safra. O Globo Rural conversou com agricultores nos dois estados.
As folhas molhadas são a alegria dos produtores. 2018 tem sido um ano de boa distribuição de chuvas no oeste da Bahia. Seu Jair Wigliss é gerente de uma fazenda que fica em Riachão das Neves. Lá a lavoura de algodão mais que dobrou; saiu de 8 mil para 18 mil hectares. A cultura ocupa um espaço que antes era destinado ao milho e que, segundo ele, não está compensando.
Com o algodão, a projeção de preço é de R$ 98 a arroba; um aumento de 9% em relação ao ano passado. Com isso a área plantada com algodão cresceu 32% em todo o estado. E se o preço tá bom, a lavoura tá respondendo melhor ainda.
Flores do algodoeiro viram as chamadas maçãs do algodão. São delas que saem a pluma. Quanto mais flores, mais maçãs e mais produtividade. A expectativa é que a Bahia possa colher esse ano mais de 1,2 milhão de toneladas entre pluma e caroço, superando em quase 25% a última safra. 

Em Mato Grosso, maior produtor nacional de algodão, a área também aumentou quase 19% (18,9%) em relação à safra passada.
Os bons preços atraem o produtor. A cotação da pluma no estado chega a mais de R$ 82 por arroba (R$ 84,31) para entrega do algodão em julho. O agricultor Canísio Froelich cultivou 3200 hectares na fazenda em Primavera do Leste está confiante em uma maior produtividade.

O plantio foi feito com base numa excelente expectativa de colheita. A previsão é de mais ou menos 400 arrobas de algodão em caroço por hectare. Enquanto na safra passada foram 350 arrobas.
A expectativa agora é para que o tempo colabore com o desenvolvimento das plantas. "Nós precisamos de sol e chuva também, porém não chuva exagerada, porque começa apodrecer as primeiras maçãs que tá se formando já”, disse o agricultor Canísio Froelich.
A previsão de safra gera expectativa no campo e também na indústria. Visitamos uma algodoeira no período de manutenção nas máquinas que vão entrar em operação em mais ou menos 3 meses. Foram comprados dois novos descaroçadores, que são equipamentos que separam a pluma do caroço.
"A gente tá fazendo expansão de 30% na nossa capacidade de beneficiamento de algodão. A gente vai sair de 10 mil hectares, para 13 mil hectares de capacidade de beneficiamento”, diz o proprietário da algodoeira Dirceu Fernando.
A área plantada com algodão aumentou quase 22% no país.

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Criadores sentem a alta no preço do milho

Edição do dia 01/04/2018
01/04/2018 09h23 - Atualizado em 01/04/2018 09h23

Criadores sentem a alta no preço do milho


Nas granjas de aves e suínos de Minas Gerais, a ração já está mais cara.

Túlio AmançoUberlândia, MG


A alta do preço do milho agrada a quem produz, mas preocupa quem compra o grão para ração. No Triângulo Mineiro, os granjeiros viram o preço disparar nas últimas semanas.
Em uma fazenda em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, sogro e genro não têm descanso. E pior que o cansaço físico, é o mental. A cabeça não para de pensar nos números. O avicultor Jorge Donizete de Oliveira conta que faz contas porque o custo está alto e o preço da venda é baixo.
O que está deixando a conta difícil de fechar é algo indispensável para a criação das galinhas caipiras: o milho. Desde fevereiro o preço está lá em cima. Cada saco do grão está custando entre R$ 40, R$ 42. Há poucos meses saía por R$ 26, em média.
Aqui a criação de galinha caipira é ao velho modo: todas livres. A família ainda aproveita esse aviário que foi usado por muitos anos para confinamento de perus.
O barracão tem mil e quinhentos metros. Quando o projeto com as galinhas caipiras começou, há cinco meses, eles iniciaram usando 40% do espaço. A ideia era expandir para toda área em 3 meses. Só que por causa do alto custo do milho, não deu pra crescer como o esperado. E para falar a verdade não dá para saber nem se vai dar para continuar a produção.
Nessa granja de suínos, em Araguari, o impacto do alto custo do milho também está sendo sentido. A alimentação representa 70% dos gastos. E os 900 animais comem bastante, viu? Só de milho são 30 toneladas por mês. Isso dá uma despesa de R$ 18 mil. Em outros tempos, saía por R$ 10 mil. O quilo do porco tá indo pro mercado por R$ 3,70. O mesmo valor de custo por quilo do animal. A regra aqui agora é economizar no que der.
O gerente da granja Wilson Aparecido da Silva já diminuiu a quantidade de vezes que lava o barracão, fazendo de tudo para não desperdiçar. Para ele, o jeito é esperar a valorização.

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