quarta-feira, 1 de abril de 2015

Brasil sobe menos que rivais no mercado dos EUA

O Brasil saiu da 11ª posição na lista dos principais exportadores de alimentos para os Estados Unidos, em 2000, para a 8ª no ano passado, conforme dados divulgados pelo Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos)
O que parece uma vitória é, na verdade, uma perda de espaço do Brasil em relação ao outros países emergentes. Um avanço sobre o mercado norte-americano é importante porque os Estados Unidos, assim como o Brasil, são um grande produtor de grãos, e as importações são de produtos mais sofisticados. Essa perda de espaço poder ser medida pelas participações da China e da Índia nesses últimos 14 anos. Os chineses tinham posição próxima à do Brasil, ocupando o 9º posto no ranking dos que mais exportavam alimentos para os EUA. Já a Índia estava mais distante, ao ocupar a 12ª posição. No ano passado, os dois países estiveram em 3º e 4º lugares, bem distantes da posição brasileira. A evolução das exportações brasileiras para os norte-americanos até que foi boa. Ao atingir o valor de US$ 3,75 bilhões no ano passado, mostrou alta de 280% em relação ao de 2000. Os parceiros do Brasil no Brics (bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) tiveram um desempenho bem melhor. Os chineses somaram exportações de US$ 5,76 bilhões em 2014, com alta de 438% no período, enquanto os indianos elevaram as vendas para US$ 4,2 bilhões, 330% mais do que em 2000. Os Estados Unidos importaram o correspondente a US$ 119,1 bilhões em alimentos no ano passado. A participação brasileira foi de 3,2% desse total, melhor do que os 2,4% de 2000. Mas China e Índia saíram de taxas próximas à brasileira naquele ano e atingiram 4,8% e 3,5% no ano passado, respectivamente. O Brasil marca uma boa posição no mercado norte-americano no café, sendo líder nas exportações. Está ausente, no entanto, da lista dos dez principais exportadores de café torrado e moído para aquele país. Canadá, Itália, Suíça, Colômbia e México lideram essa lista. O Brasil tem participação também no mercado de pasta de cacau, mas está ausente da lista dos produtos finais, como o de chocolate. Mantém participação na exportação de açúcar, mas não na de leite --no total, os EUA importam US$ 1,8 bilhão do produto. Não tem espaço ainda nas compras de peixes e derivados dos EUA, que somam US$ 2,45 bilhões. E está ausente também da lista dos principais exportadores de vegetais "in natura" e processados. No setor de carne bovina, apesar do grande mercado dos EUA, o país tem pouca participação, que se restringe a produtos cozidos. O foco nas exportações de commodities faz o país perder um mercado de produtos processados, que geraria muito mais dólares. Data de Publicação: 01/04/2015 às 11:50hs Fonte: Folha de S. Paulo

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