quinta-feira, 2 de abril de 2015
Circuito vai verificar a eficiência das sementes Bt
02/04/15 - 12:37
A eficiência da tecnologia transgênica de milho Bt será avaliada in loco por equipes técnicas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja/MT), durante a realização da segunda edição do Circuito Tecnológico – Etapa Milho -, entre os dias 6 e 10 de abril.
No ano passado, o Circuito Tecnológico – Etapa Milho - foi realizado em maio, mas neste ano teve sua data alterada para que as equipes técnicas da entidade cheguem às lavouras no período que antecede o pendoamento. A alteração foi feita porque é nesse momento que se pode observar a eficiência das tecnologias que estão sendo empregadas nas lavouras. “Nós adiantamos essa visita para verificar, se há de fato eficiência na tecnologia empregada nas sementes”, de acordo com o diretor técnico da Aprosoja/MT, Nery Ribas. O milho é a principal cultura de segunda safra utilizada no Estado.
A visita será feita ainda como forma de verificação das pragas presentes na cultura do milho, evolução da cultivar, desenvolvimento de plantas daninhas e da adubação utilizada na safra.
EFICIÊNCIA - No ano passado, os produtores de milho de Mato Grosso empregaram em suas lavouras a tecnologia Bt, que deveria tornar as plantações resistentes à lagarta Helicoverpa Armigera. Contudo, o produto se mostrou ineficiente e as plantações foram infestadas pela lagarta, sendo necessária a aplicação de inseticidas, o que além de causar impacto ambiental e perda de produtividade, provocou um prejuízo estimado de R$ 120 por hectare que não estava programado pelo produtor. Mais de 3,22 milhões de hectares foram cultivados com o cereal na segunda safra.
Diante do cenário preocupante para a cadeia, a Aprosoja/MT acionou judicialmente as empresas para que fosse realizado o reparo da tecnologia. As mesmas se comprometeram então a contornar o erro, o que poderá ser verificado agora durante o evento.
Para maior identificação da perda de eficiência do milho Bt, a Aprosoja/MT orienta que os produtores realizem vistorias técnicas para a constatação de infestação de pragas com avaliação de perdas de produtividade nas lavouras. O modelo do laudo técnico foi enviado para o e-mail dos produtores.
JANELA IDEAL - Durante a coletiva de lançamento do evento, ontem, o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) informou que 36% da semeadura do milho foram feitos fora do período ideal para plantio, o que pode provocar redução da produtividade.
Este período é estabelecido normalmente entre os dias 20 e 24 de fevereiro. Neste ano, no entanto, o plantio foi feito até o dia 15 de março, o que pode provocar atraso no desenvolvimento da lavoura.
Atualmente, Mato Grosso é o maior produtor nacional de milho. Contudo, devido a esse atraso, a safra de 2015 deverá sofrer redução de 2,5 milhões de toneladas em relação à produção de 15,3 milhões do ano passado.
“Nós poderemos verificar no Circuito Tecnológico o comportamento das lavouras de milho para tentar estimar de que forma poderá se dar o andamento da produção”, ressaltou o superintendente do Imea, Otávio Celidônio.
O CIRCUITO - Este é o segundo ano em que está sendo realizado o Circuito Tecnológico – Etapa Milho -. O evento, que é idealizado pela Embrapa e a Aprosoja/MT, será realizado entre os dias 6 e 10 de abril e irá compilar dados obtidos diretamente dos produtores para traçar um “raio x” da cultura no Estado.
Além da verificação da eficiência da tecnologia das sementes, outros itens serão avaliados pelas equipes técnicas que irão a campo para visitar mais de 150 propriedades rurais. Serão objetos de atenção a incidência de pragas e doenças que atingem a safra, sistema de adubação, infraestrutura e armazenagem. “Poderemos fazer uma análise bem completa da cultura, através da obtenção de informações estratégicas sobre o andamento da lavoura e o que a afeta. E isso possibilitando a aproximação com os governos municipal, estadual e federal para desenvolvimento de ações de políticas públicas”, disse o presidente da entidade, Ricardo Tomczyk.
Diário de Cuiabá
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