quinta-feira, 2 de abril de 2015
Exames descartam febre aftosa em Mato Grosso 02/04/2015 07:55
O Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea), descartou a existência de focos de febre aftosa e estomatite vesicular em animais de uma propriedade em Mirassol D´Oeste (300 quilômetros de Cuiabá). Por meio de uma Nota Técnica emitida ontem, o órgão esclareceu que apesar de sinais clínicos que levaram a suspeita das doenças, durante abordagem padrão, e a tomada de providências imediatas para impedir possível disseminação, os resultados laboratoriais foram negativos.
Como explica o Indea, a doença confirmada é zoonose ocupacional que acomete principalmente ordenhadores, apresenta-se com sintomatologia branda e caracteriza-se principalmente por lesões cutâneas nas mãos e mais raramente antebraço. Em bovinos, principal espécie acometida, as lesões nas mucosas e pele são verificadas na boca, focinho e úbere, com morbidade baixa e normalmente evolui para autocura.
Mato Grosso, detentor do maior rebanho de bovinos do país registrou seu último caso de aftosa em janeiro de 1996 e desde os anos 2000 possui status de livre com vacinação, emitido pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE). A febre aftosa é a principal barreira sanitária do mundo e as exportações de cortes bovinos são o principal item da pauta estadual, dentro do complexo carnes.
Como relatam os técnicos e médicos veterinários do Indea/MT, no dia 27 de março o órgão recepcionou em Mirassol D´Oeste animais provenientes de outro Estado, e obedecendo aos procedimentos padronizados para vigilância em propriedade rural, detectou sinais clínicos compatíveis com síndrome vesicular em bovinos, a febre aftosa. A origem dos animais e nome da propriedade, não foram revelados pelo Indea.
No dia seguinte, os médicos veterinários realizaram a inspeção clínica em todos os animais existentes. Desses, 21 bovinos apresentaram lesões vesiculares. Ao todo foram avaliados 289 bovinos, 23 ovinos e dois equinos. “Todos os animais suspeitos tiveram amostras recolhidas para exames laboratoriais e imediatamente a propriedade foi interditada para o trânsito de animais vivos, produtos, subprodutos de origem animal e materiais possíveis veiculadores do agente etiológico”, explica trecho da Nota Técnica.
As amostras de epitélio e soro sanguíneo foram recebidas pelo Laboratório de Referência Nacional do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Lanagro-MG), no dia 29 de março, para análises, cujos resultados preliminares de identificação viral descartaram a ocorrência de febre aftosa e estomatite vesicular. Testes complementares para efeito de diagnóstico diferencial identificaram Parapoxvirus, agente causal da pseudovaríola, doença não pertencente à lista da OIE, ou seja, enfermidade que possa levar a embargos comerciais ao Estado e até ao país.
Mesmo descartando a febre aftosa, “as atividades de vigilância veterinária nas seis propriedades com vínculo ao foco foram iniciadas ontem, sendo designada uma equipe para cada propriedade, visando maior celeridade nas investigações epidemiológicas e desencadeamento das ações necessárias”.
Como destaca a nota, mesmo com resultado negativo à febre aftosa, estão sendo executas ações de mitigação de risco, principalmente por meio da restrição de trânsito animais vivos, produtos, subprodutos de origem animal e materiais possíveis veiculadores do agente etiológico.
Fonte: Diário de Cuiabá (foto:assessoria/arquivo)
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