quarta-feira, 1 de abril de 2015
Investimento em renda fixa arrecada R$ 21,8 bilhões, mas perde da inflação
Os fundos de investimentos - de curto prazo, referenciados na taxa de depósito interfinanceiro (DI), de renda fixa e de Previdência renda fixa - captaram R$ 21,88 bilhões até 26 de março
No entanto, a rentabilidade dessas carteiras perdeu da inflação.
De acordo com a última pesquisa Focus do Banco Central com analistas, o mercado espera que a inflação oficial medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) tenha fechado o mês de março em 1,40%. É um patamar bem superior a rentabilidade bruta das carteiras remuneradas a juros.
Num horizonte de prazo maior, o mercado também espera que a alta dos juros básicos da economia (Selic) controle a inflação e ofereça ganho real às aplicações.
"Os fundos DI continuam a melhorar seu desempenho, em razão da intenção da nova equipe econômica em conter a inflação, com juro real líquido entre 0 e 3% ao ano, dependendo da taxa de administração, alíquota de imposto de renda e da política econômica do governo", afirma o administrador de investimentos, Fabio Colombo.
Segundo o relatório diário da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) publicado ontem, a rentabilidade bruta dos fundos de curto prazo ficou em 1,07% nos últimos 30 dias até 26 de março, seguido por 1,09% em fundos DI, média de 1,12% em planos de Previdência privada renda fixa, e de 1,24% nos demais fundos de investimentos em renda fixa.
Essas 4 modalidades de carteiras remuneradas a juros por títulos públicos e papéis privados reúnem R$ 1,722 trilhão em patrimônio líquido, ou 61,5% dos 2,8 trilhões do total da indústria de fundos.
O gestor de fundos macro da Queluz Investimentos, Alexan- dre Horstmann, diz que o investidor pessoa física não deve olhar apenas a rentabilidade bruta isolada de um único mês. "Num horizonte de médio prazo, as aplicações a juros vão bater a inflação", aponta.
Horstmann citou, por exemplo, que os títulos públicos Tesouro mais Inflação - que compõem boa parte das carteiras - estão prometendo juros reais de 6,5% ao ano. Ao mesmo tempo, a Selic [taxa básica de juros] que indexa o título Tesouro Pós pode subir para 13,25% ao ano na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, enquanto a expectativa de inflação esperada pelo mercado é de 8,13%.
Além da preocupação com a inflação, o administrador Fabio Colombo orienta que nessas aplicações mais conservadoras, o investidor pessoa física deve estar "mais atento" à taxa de administração cobrada pelos bancos de varejo.
Dados da Anbima mostram que os fundos DI no segmento de varejo possuem taxas de administração mais altas (3% ao ano) para aplicações iniciais abaixo de R$ 1 mil. Para aportes de entrada entre R$ 1 mil e R$ 10 mil, a taxa de administração cai para 1,04% ao ano.
Alternativas arriscadas Diferente do cenário anterior voltado para conservadores, para o investidor capaz de suportar a volatilidade do mercado, ou seja, que possui um perfil mais agressivo, a recomendação é aplicar parte dos recursos em renda variável com o horizonte de longo prazo.
"Hoje, o ativo mais barato que temos no mercado brasileiro é a Bolsa de Valores. Para quem não vai utilizar recursos no curto prazo há boas oportunidades em ações. Os estrangeiros estão comprando", considerou Fabio Colombo.
Já Horstmann, da Queluz Investimentos, argumenta que os fundos multimercados são mais arriscados, mas também tem a capacidade de conseguir ganhos em qualquer situação do mercado. "Os multimercados podem se beneficiar até de momentos de pessimismo na e c o n o m i a", diz o gestor.
No mês, até o dia 26 de março último, as carteiras multimercados macro tinham ganhos de 3,18%; os fundos multiestratégia exibiam ganhos de 2,82%; e os multimercados estratégia específica exibiam ganhos de 1,67%.
Data de Publicação: 01/04/2015 às 20:00hs
Fonte: DCI
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