quarta-feira, 1 de julho de 2015

Não tem como voltar para a capinação, diz gerente da Basf sobre herbicidas

Segundo Ademar De Geroni, retirar produtos como glifosato do mercado deixaria lacuna que demoraria até dez anos para ser preenchida pela indústria química
Umas eventual retirada de herbicidas do mercado poderá provocar prejuízos sérios para o agronegócio e a economia brasileira de forma geral. Foi o que afirmou o gerente sul-americano de inovação da Basf, Ademar De Geroni, sobre a iniciativa do Ministério Público Federal de Brasília (MPF/DF) de pedir uma análise mais detalhada de alguns desses produtos. Na semana passada, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recebeu o prazo de 90 dias para finalizar as pesquisas sobre os impactos de cinco fórmulas de agrotóxicos na saúde humana. O principal alvo é o glifosato, princípio ativo mais conhecido e utilizado contra as ervas daninhas. “Creio que na área de dessecação é difícil achar uma solução que auxilie o produtor, e seria uma situação de impacto na agricultura, de não controlar as plantas daninhas de forma eficiente, gerando uma queda drástica na produtividade. Não tem como voltar (para a capinação): só na soja são 31 milhões de hectares”, explicou o executivo. No catálogo da Basf, há cerca de 10 herbicidas que funcionam como “tecnologias parceiras” do glifosato. O herbicida já tem sido menos eficiente, diante da resistência maior de ervas daninhas como a buva, uma das mais prejudiciais ao campo. A empresa alemã gasta anualmente cerca de 350 milhões de euros em pesquisa e desenvolvimento de novos produtos, sendo mais de 20% só em herbicidas. Entretanto, alega a indústria, mesmo com todo o investimento, ainda não há substitutos seguros para os herbicidas estudados pela Anvisa. Se estes produtos forem proibidos, as empresas ficarão devendo uma solução imediata, já que a pesquisa e a parte burocrática de registro de novos produtos podem demorar uma década. “Não é simplesmente criar o herbicida, mas formular a variedade resistente (a esse produto) e fazer a introspecção do produto, do gene na variedade, para depois inserir no mercado, o que leva 8 a 10 anos, não menos que isso”, diz o gerente da Basf. “Tirando um produto como o glifosato, vai cair cerca de 20, 30, 40% em produtividade, dependendo do nível de infestação, e outros fatores. Sem dúvida, é bastante significativo, inviabilizaria muitas áreas”, argumenta. Quando há proibição de um modo de ação, explica De Geroni, isso expõe as plantas daninhas a outro nível de resistência, gerando problemas maiores. “Nosso posicionamento nessa questão é que precisa ter sustentabilidade no agro, e isso só se faz com ferramentas suficientes”, avalia. Data de Publicação: 01/07/2015 às 12:20hs Fonte: Globo Rural

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