segunda-feira, 3 de agosto de 2015
AGRONEGÓCIO: Nem agroboy, nem caipira
Um playboy que enriqueceu às custas da produção rural e desfila de caminhonete zero quilômetro
Um caipira mal instruído que vive da subsistência. Se essas são as imagens que você tem de um agricultor, leia essa reportagem até o final para desfazer esses equívocos. No Dia do Agricultor(a), celebrado nesta terça-feira (28/07), o Agronegócio Gazeta do Povo mostra que não há mais espaço para estereótipos no campo.
Visão - “A visão coronelista do agricultor ou aquela dos filmes de humor do Mazzaropi praticamente não existem mais. A sociedade está percebendo isso”, aponta o coordenador do Núcleo de Agronegócios da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), José Luiz Tejon Megido. À frente de negócios que envolvem múltiplos riscos e movimentam milhões de reais, o produtor precisou incorporar tecnologia e conhecimentos multidisciplinares.
Estudos - Essa mudança vem à tona em estudos que revelam agricultores com hábitos mais urbanos. Além de mais presente na cidade, o produtor rural aderiu à era da informação ampliando o consumo de notícias e dedicando mais tempo aos estudos. Isso explica por que agricultores como os irmãos Erik e Rudolf Petter, de Castro, nos Campos Gerais, não desgrudam das ferramentas tecnológicas como o smartphone e o tablet. “Antes o produtor acompanhava só a previsão do tempo e o resto precisava ir à cooperativa para saber. Hoje é preciso ficar de olho nos preços, na Bolsa de Chicago, nos acontecimentos políticos do país”, diz o primogênito Erik.
Negócios - A transformação muda até a maneira de fazer negócios. Neste mês, os Petter venderam R$ 80 mil em touros por meio de um aplicativo de celular. “Já mandei animal até para o Acre sem ver a cara do comprador”, relata Rudolf.
Qualificação - O cenário faz da qualificação uma peça chave. Pós-graduações e cursos complementares atraem adeptos do campo para profissionalizar a gestão. “Hoje o produtor não é mais um simples fornecedor. Ele comanda o negócio”, observa Joseli Machado Corominas, coordenadora do Centro Europeu, que lançou um curso de Gestão do Agronegócio. “Temas como robótica, telecomunicação e gestão de dados vão se tornar rotina nas fazendas. Como é impossível entender profundamente de tudo, o papel do agricultor será organizar esses conhecimentos”, diz Tejon.
Estratégia - Essa é a estratégia adotada pelo agricultor Florian Schudt, de Itaberá (SP), que comanda a fazenda com a postura de um CEO. Agrônomo por formação, ele aproveita a passagem no curso de Economia e o MBA em Gestão de Risco no Agronegócio para analisar minuciosamente cada gasto da propriedade. “Tudo é um cálculo econômico. Buscamos uma alocação eficiente de recursos, investindo sempre com uma expectativa de obter o retorno.” A estratégia o ajudou a ampliar a área plantada de 1,2 mil hectares em 2009 para 3,2 mil atuais.
Data de Publicação: 03/08/2015 às 09:30hs
Fonte: Gazeta do Povo
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