quarta-feira, 30 de maio de 2018

INTERNACIONAL: Crédito do banco dos Brics ao Brasil deve alcançar US$ 1 bilhão



O Novo Banco do Desenvolvimento (NDB), o banco dos Brics, começou a financiar diretamente empresas no Brasil sem garantia soberana. O montante total de crédito para o país poderá alcançar US$ 1 bilhão neste ano

O Novo Banco do Desenvolvimento (NDB), o banco dos Brics, começou a financiar diretamente empresas no Brasil sem garantia soberana. O montante total de crédito para o país poderá alcançar US$ 1 bilhão neste ano. "Estamos em posição de acelerar no Brasil", afirmou o presidente do banco, K.V. Kamath, ao Valor, ao informar que o conselho de governadores (formado por ministros de finanças e presidentes de bancos centrais) aprovou o primeiro financiamento com essas características, no caso para a Petrobras, no valor de US$ 200 milhões.
Expectativa - A expectativa é que a recuperação da economia brasileira eleve a demanda de financiamento de projetos, tanto do setor público (União, Estados e municípios, além de bancos públicos e de desenvolvimento) como do privado.
Empresas privadas - O crédito a empresas privadas, que para os cinco sócios deve ficar em torno de 30% do total, para o Brasil poderá ser maior. Isso se explica em parte porque as operações com o setor público no país dependem da concessão de garantia soberana pelo governo federal. Para 2018, a Secretaria do Tesouro fixou em US$ 2,8 bilhões o limite global para autorizações de operações de crédito com financiamento externo, dos quais US$ 800 milhões são reservados a operações com os Estados, municípios e o Distrito Federal. Em 2017 as recomendações da Comissão de Financiamento Externo (COFIEx) para operações com garantia soberana totalizaram US$ 6,5 bilhões.
Atraso - Além disso, o Brasil está atrasado no recebimento de financiamento do banco dos Brics. Em quase três anos de funcionamento da instituição, foram aprovados quatro projetos para o país, num total de US$ 621 milhões: US$ 300 milhões para o BNDES; US$ 50 milhões para o Pará (desenvolvimento urbano); US$ 71 milhões para o Maranhão (logística e rodovia); e os US$ 200 milhões para a Petrobras.
Parcela da carteira total - Esses créditos representam cerca de 12% da carteira total do NDB. A China e a Índia receberam bem mais, pois são as economias que mais crescem e conseguem gerar projetos de modo mais fácil e centralizado.
Correção - O NDB diz estar se esforçando para corrigir o déficit de financiamento para Brasil e África do Sul e ter um portfólio equilibrado entre os cinco sócios. A instituição tem regras para evitar a concentração em alguns poucos países, sobretudo quando a carteira de crédito alcançará proporções maiores no médio e longo prazo.
Medidas - Para isso, o banco sinaliza que medidas importantes estão sendo adotadas, inclusive por meio dos dois escritórios regionais nesses países, que farão prospecção de projetos e terão missão de contribuir para a sua estruturação. O acordo para a abertura do escritório das Américas em São Paulo deve ser assinado com o Brasil em julho, na cúpula dos Brics em Joanesburgo (África do Sul). Haverá uma representação também em Brasília.
Projetos aprovados - O NDB aprovou nesta segunda seis projetos, no total de US$ 1,6 bilhão. Agora o banco tem 21 projetos aprovados, acumulando US$ 5,1 bilhões. Além da Petrobras, outra empresa privada que recebeu financiamento foi a Transnet, da África do Sul, também de US$ 200 milhões. Os custos de financiamento são considerados competitivos em linha com os praticados no mercado (Libor mais prêmio de 200 a 300 pontos-base). Para o setor público, o custo é de Libor mais 100 pontos-base.
Companhias - As duas companhias são grandes e de capital aberto, e têm os governos como sócios, "mas as operações são significativas porque começa a haver um perfil de presença do banco em aportar recursos para o setor privado", diz o vice-presidente brasileiro do banco, José Buainain Sarquis.
Em linha - O projeto com a Petrobras está em linha com a prioridade do NDB de apoiar projetos de infraestrutura sustentável. Resultará na redução das emissões de óxido sulfúrico, implantação de infraestrutura para segregar águas pluviais e rejeitos hídricos da refinaria e na redução de emissões de dióxido sulfúrico.
Indústria brasileira - Para a indústria brasileira, é da maior importância que o governo entre no Fundo de Preparação de Projetos, do banco dos Brics, para poder reduzir o "gap" com os outros sócios. "Temos um problema importante que é a dificuldade de elaborar projetos de qualidade, e o NDB tem ferramenta de financiamento para isso", diz Diego Bonomo, gerente-executivo de Comércio Exterior da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Rússia e China assinaram acordos com o banco para entrar no fundo em 2017. A Índia assinou para entrar neste ano, mas Brasil e África do Sul ainda não assinaram.
Cúpula - A CNI destaca também o fato de o Brasil sediar a cúpula dos Brics no ano que vem, quando o país terá novo governo. "É importante que o banco seja prioridade do novo governo, que este compreenda que, de todos os bancos multilaterais, o NDB é onde o país tem maior participação e precisamos evitar qualquer ideologização do banco", diz Bonomo.
Diferença fundamental - Ele nota que uma diferença fundamental com Banco Mundial e Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) é que o NDB não tem condicionalidades de mudança de política pública.
Rating - O banco espera receber seu rating internacional em julho. Na reunião de segunda-feira (28/05) em Xangai, o NDB decidiu, em todo caso, acelerar emissões de títulos de dívida e financiamentos em moeda local nos cinco sócios, mas a sequência é bem diferenciada. Kamath anunciou que o board aprovou o plano de captar 5 bilhões de yuan (US$ 782 milhões) na moeda chinesa, para financiamentos na segunda maior economia do mundo. Valor idêntico será captado mais tarde no mercado chinês, com parte do dinheiro podendo ser usado nos outros sócios.
Emissões - Virão mais tarde emissões na África do Sul, Índia, Rússia e, por último, no Brasil. "O Brasil não está no topo da lista porque as condições não são ideais", disse o CFO (Chief Financial Officer) Leslie Maasdorp. "O real é volátil e é mais arriscado operações nessa situação, mas vemos que o governo está trabalhando para retomar crescimento sólido."
Capital - A instituição tem capital autorizado de US$ 100 bilhões, e capital subscrito de US$ 50 bilhões, dos quais US$ 10 bilhões serão pagos em sete parcelas - US$ 2 bilhões por cada sócio.
Aporte - O Brasil já aportou US$ 700 milhões e deve desembolsar mais US$ 300 milhões até dezembro. A China e a Rússia anteciparam o pagamento de suas faturas de 2019. Com US$ 10 bilhões de capital aportado pelos cinco sócios, o banco calcula poder emprestar quatro vezes mais, US$ 40 bilhões, com dez anos de maturidade. De forma que cada sócio deverá ter entre US$ 800 milhões e US$ 1 bilhão de crédito anual, na média.



Data de Publicação: 30/05/2018 às 20:00hs
Fonte: Portal Paraná Cooperativo internacional_29_05_2018

Nenhum comentário:

Postar um comentário