terça-feira, 30 de agosto de 2016

Fábrica de celulose deve trazer incertezas ao mercado de celulose



Projeto OKI, da APP, deve colocar mais pressão sobre preços e recuperação só deve ocorrer no fim do próximo ano



Envolto em questionamentos, o projeto OKI da Asia Pulp & Paper (APP) lançou mais incertezas sobre os preços da celulose, em um momento já marcado pelo excesso de oferta no mercado global. Mais do que qualquer outro projeto recente, a evolução da nova fábrica na Indonésia tem sido acompanhada com lupa, na medida do possível, pela indústria global.
Dúvidas quanto à origem da madeira que alimentará a unidade de 2,8 milhões de toneladas por ano - a maior do mundo -, à data exata de início de produção, ao ritmo inicial de operação e ao impacto que a megaunidade terá nos preços da matéria-prima alimentam debates no setor.
Prevista para novembro, a partida do projeto OKI, que recebeu investimentos de US$ 2,6 bilhões financiados por bancos estatais chineses, deve determinar a direção dos preços internacionais da celulose de fibra curta nos seis meses seguintes, na avaliação do vice-presidente de celulose da consultoria RISI, Kurt Schaefer.
"As novas capacidades de produção serão a chave do mercado no segundo semestre e teremos quatro projetos em fibra longa e o OKI, em fibra curta", disse Schaefer, em conferência na semana passada.
Na indústria, o receio é que o estresse enfrentado neste momento pelo mercado, com preços que tocaram o custo de produção de um produtor asiático de alto custo, possa se reinstalar já no quarto trimestre ou, no mais tardar, no começo de 2017 com a oferta adicional da APP.
Nesse cenário, as cotações encontrariam fôlego para uma eventual recuperação somente entre setembro e outubro, e provavelmente insuficiente para repor as perdas acumuladas desde o ano passado. No momento, a sazonalidade tem impedido uma virada para cima das cotações.
Na China, os preços caíram 0,42%, para US$ 494,30 a tonelada, na segunda semana de agosto, segundo a Foex, enquanto na Europa houve estabilidade, com recuo de apenas 0,03%, a US$ 671,20 por tonelada. Com o fim das férias no Hemisfério Norte, a expectativa é que as cotações ganhem alguma força com a demanda que se mantém em trajetória ascendente.


Data de Publicação: 30/08/2016 às 09:45hs
Fonte: Painel Florestal

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