A colheita de algodão em Mato Grosso no ciclo 2015/2016 avança para seu término já com perspectivas de aumento na produção na próxima temporada. Em antecipação ao aumento da oferta, os cotonicultores buscam intensificar as vendas com os países compradores da pluma, como afirmou o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), João Carlos Jacobsen, disse, durante visita a Mato Grosso esta semana.
Até o sábado (3), 11 representantes de empresas asiáticas e que são grandes consumidoras de algodão visitam as lavouras de algodão nos Estados que lideram a produção. Os empresários vindos de Bangladesh, China, Coreia do Sul, Índia, Tailândia e Vietnam - que têm potencial de compra de 70% das exportações do algodão brasileiro -passaram por Mato Grosso no início desta semana e seguiram para a Bahia e Goiás.
Conforme a Abrapa, o objetivo da visita é promover o algodão brasileiro para o mercado externo, evidenciando suas características de rastreabilidade, qualidade e sustentabilidade. Os países representados por esses compradores estão entre os 10 maiores importadores desta commodity do Brasil, e responderam, em 2015, por quase 50% da exportação nacional da fibra. Jacobsen comentou que as missões empresariais de compradores ao Brasil se mostram como uma estratégia eficaz de aproximação e desenvolvimento de negócios. “(...) e será especialmente importante nesta safra que tem previsão de superar em 19% o volume de exportação em relação à safra anterior”.
Mato Grosso detém participação decisiva nesse acréscimo, segundo Jacobsen, que destaca a produtividade das lavouras mato-grossenses. “Em Mato Grosso a produtividade é muito boa e poderá aumentar um pouco a partir da próxima safra”. Na Bahia deve haver redução da área plantada, em função dos preços que estão menos remuneradores que os da soja. “Lá tem uma safra só por ano e a tomada de decisão do produtor depende de toda uma cadeia, não só do algodão”.
Já em Mato Grosso, que mantém duas safras no mesmo ano, o custo elevado do frete influencia o produtor a buscar agregação de valor à produção com a cotonicultura, avalia o presidente da Abrapa.
O algodão brasileiro é produzido em escala empresarial e dentro de elevados padrões de tecnologia, segundo a Abrapa. A produção é totalmente mecanizada, desde o plantio até a colheita, com a adoção de métodos de ponta em beneficiamento e armazenagem. Análise e classificação da produção são realizadas de acordo com padrões internacionais. Além disso, é utilizado um sistema de identificação e rastreamento de fardos.
O Brasil destaca-se como líder mundial na produção de algodão sustentável. Na safra 2015/2016, mais de 70% da produção foi certificada com pelo programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR) e 67% da produção recebeu a licença de comercialização Better Cotton Initiative (BCI), confirmando o país como o maior fornecedor de Better Cotton para o mercado mundial. PRODUÇÃO E COMERCIALIZAÇÃO - Levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) indica incremento de 42% no volume exportado de pluma, que subiu de 164,422 mil toneladas nos 7 primeiros meses de 2015 para 233,845 mil toneladas no acumulado de janeiro a julho deste ano.
Da atual safra estão comercializados 61% da produção de pluma, que nesta temporada está estimada em 926,02 mil toneladas, segundo levantamento do Imea. Na safra anterior foram colhidas 939,922 mil toneladas. A colheita avança para quase 80% da área plantada, com 606,968 mil hectares colhidos.
Sobre a demanda do mercado, o diretor do Sindicato das Indústrias do Vestuário de Mato Grosso (Sindvest/MT), Sérgio Antunes, lembra que o consumo reduziu com o enfraquecimento do poder de compra da população, mas com a variação cambial, a entrada no país dos produtos acabados importados diminuiu. “Com isso, a malharia brasileira passou a vender mais internamente”.
Fonte: Só Notícias/Agronotícias/Gazeta Digital (foto: Edson Rodrigues/arquivo)

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