quarta-feira, 29 de março de 2017

Pecuaristas de Mato Grosso afirmam que frigoríficos usam Operação da PF para pressionar preços

Da Redação - Viviane Petroli
29 Mar 2017 - 17:31



Os pecuaristas de Mato Grosso afirmam que os frigoríficos estão usando a Operação Carne Fraca da Polícia Federal para pressionar o preço da arroba do boi gordo para baixo. Entre o dia 16 e 28 de março a arroba em Mato Grosso registrou uma desvalorização de R$ 126,81 para R$ 123,11 em média no Estado.
 
Nesta quarta-feira, 29 de março, a JBS anunciou férias coletivas em 10 frigoríficos no Brasil, dos quais quatro estão localizados em Mato Grosso. Na semana passada a empresa havia suspendido por três dias os abates em 33 de suas 36 unidades de bovinos no país, sendo 10 em Mato Grosso.


Após operação da PF, JBS dá férias coletivas de 20 dias para funcionários de frigoríficos em Mato Grosso
 
Somente na unidade de Juína a JBS, onde os abates serão suspensos por 20 dias em decorrência às férias coletivas anunciadas pela empresa, atende uma produção de 4 milhões de animais. As férias coletivas serão concedidas também para as unidades de Diamantino, Alta Floresta e Pedra Preta.
 
Mato Grosso é detentor de um rebanho bovino superior a 30 milhões de cabeças. O Estado abate ao ano entre 4,5 milhões e 5,5 milhões de cabeças, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
 
Conforme a Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), os frigoríficos em Mato Grosso estão utilizando a instabilidade no mercado internacional da carne como pretexto para paralisar as atividades e assim pressionar o preço do boi gordo.
 
Pecuaristas em Mato Grosso, segundo a entidade, em 12 dias da deflagração da operação da Polícia Federal registraram 10% de desvalorização da arroba do boi gordo, como é o caso das regiões Norte e Noroeste do Estado, onde a arroba passou de R$ 126 para até R$ 113.
 
O presidente da Acrimat, Marco Túlio Soares, declara que “Não podemos compactuar com a manipulação da indústria sobre o mercado”.
 
“A seriedade da produção mato-grossense está mais que comprovada. Por isso, não vamos admitir que os frigoríficos sem compromisso com o desenvolvimento da atividade articulem para derrubar preços, prejudicando ainda mais o pecuarista de nosso Estado”, pontua Marco Túlio ao observar que Mato Grosso não possui nenhuma unidade frigorífica sob suspeita.
 
De acordo com o vice-presidente da Acrimat, Amarildo Merotti, “Em Mato Grosso, JBS, Marfrig, Minerva e Frialto representam 70% do abate, o que compromete a competividade do setor, prejudicando os pecuaristas e, principalmente o mercado consumidor".
 
O diretor-executivo da Acrimat, Luciano Vacari, destaca que em pouco tempo mostrou-se para os principais clientes da carne brasileira "quais eram e onde estavam os problemas" e garantiu-se a qualidade da produção. “Por isso, não vamos admitir que a indústria brasileira utilize como argumento problemas já solucionados para pressionar preços e prejudicar o setor produtivo”.

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