Publicado em 01/05/2018 14:45
por Rodrigo Cosntantino
Em sua página pessoal do Facebook hoje, o gerente da Gazeta do Povo, Ewandro Schenkel, postou uma ótima notícia sobre o sucesso recente do grupo, com direito a um GIF de um sujeito festejando de maneira bem empolgada alguma conquista qualquer:


Como alguém que, modéstia às favas, faz parte dessa guinada cultural do grupo, atuando como um dos âncoras do novo projeto com meu blog e o podcast Ideias, só posso celebrar essa incrível conquista. As decisões tomadas pelo comando foram corajosas, não só ao abandonar o papel impresso, mantendo apenas um caderno de fim de semana, como ao dar claramente uma guinada à direita, cedendo muito mais espaço para articulistas liberais e conservadores.
O sucesso relativo certamente tem ligação direta com essas mudanças. É sempre importante questionar o que mudou, pois isso deve explicar os novos resultados. E o que mudou, no caso da Gazeta, foi claramente o grande espaço cedido aos formadores de opinião de direita, independentes, sem medo da patrulha do politicamente correto.
O jornal já tinha uma linha editorial alinhada e muito bem escrita, mas seu foco era mais regional, o que fazia o conteúdo permanecer desconhecido para muita gente. Entre as mudanças, estava justamente a ideia de tornar a Gazeta mais nacional, e nomes conhecidos no Brasil todo foram contratados com isso em mente. De fato, boa parte do meu público, por exemplo, vem de fora do Paraná, com maior concentração em Rio e São Paulo. A Gazeta, hoje, é um veículo de comunicação que fala com o país todo.
Alguns leitores, que assinaram recentemente o jornal por conta do meu blog ou de outros articulistas associados à “nova direita”, reclamam quando antigos jornalistas recebem destaque com textos “lulistas” e vermelhos. A reclamação é legítima, claro, mas é preciso entender que a Gazeta não é um jornal de direita, e sim uma casa plural que dá mais espaço para a direita do que todos os demais, e que também possui uma linha editorial bastante alinhada ao liberalismo com viés mais conservador. Basta ler os valores divulgados pelo grupo para que isso fique evidente.
Há, ainda, textos avulsos e alguns traduzidos do exterior com mensagens que não se encontram no restante da mídia. Condenação explícita ao aborto ou à ideologia de gênero, textos em defesa do direito de ter armas, artigos que destacam as conquistas de Trump ou atacam as bandeiras “progressistas”, reportagens que derrubam mitos e falácias da esquerda (como esse hoje sobre alimentos transgênicos), tudo isso e muito mais você encontra por aqui. De vez em quando pinta um vermelhinho, mas faz parte: é o preço a ser pago pela diversidade, e até a Fox News tem seus “liberais” democratas.
O que isso tudo mostra é que havia e ainda há uma enorme demanda reprimida por conteúdo mais direitista, por opinião embasada e independente sem receio da patrulha esquerdista, por quem diga o que precisa ser dito sem rodeios, por quem desafie em vez de seguir as Fake News que abundam na mídia mainstream, infelizmente cada vez mais torcedora e partidária.
Logo, aproveito para agradecer a todos aqueles que assinaram a Gazeta para ter acesso ao conteúdo que eu produzo, além de tantos outros materiais de ótima qualidade, e para convidar quem ainda não é assinante para se-lo: garanto que não vai se arrepender! Ao menos esse tem sido o feedback dos milhares de novos assinantes. Por apenas R$ 14,90 mensais você estará comprando informação de verdade e opinião independente. Isso não tem preço! E como custa pouco…
Rodrigo Constantino
Emprego será crucial na eleição, mas receituário é incerto, por Bruno Boghossian (na FOLHA)
Corrida presidencial tem 13,7 milhões de desempregados em busca de propostas
A manutenção de níveis elevados de desemprego e a criação de vagas com baixa remuneração refletem o marasmo de uma economia hesitante. As crises políticas que paralisaram o governo Michel Temer e a incerteza sobre o receituário que emergirá das urnas em outubro adiaram investimentos que poderiam consolidar o ciclo de recuperação de renda e de vagas de trabalho.
A trajetória vacilante das taxas de emprego será ponto central da eleição. Do eclético rol de presidenciáveis que se apresentaram até agora, emergem mais dúvidas do que indícios claros sobre a política econômica que estará em vigor em janeiro de 2019, com impacto sobre o trabalho e o rendimento dos eleitores.
Qual será a política de valorização do salário mínimo de Jair Bolsonaro (PSL)? Ciro Gomes (PDT) revogará a reforma trabalhista? Joaquim Barbosa (PSB) conquistará a confiança de setores que geram empregos? Geraldo Alckmin (PSDB) ampliará investimentos para recuperar contratações na construção civil?
As plataformas do futuro presidente serão determinantes, uma vez que a tímida retomada da economia durante o governo Temer não produziu números expressivos de abertura de vagas de trabalho.
O crescimento se escorou nas atividades do agronegócio e da exportação (que tradicionalmente empregam pouco), no consumo turbinado pela liberação do FGTS e na capacidade ociosa da indústria. As taxas de desocupação continuaram altas.
O debate sobre a geração de empregos alterou o curso da disputa presidencial de 2016 nos Estados Unidos. Na ocasião, a economia americana estava em crescimento, mas Donald Trump seduziu uma fatia do eleitorado insatisfeita com a depressão do mercado de trabalho ao prometer revigorar a indústria pesada.
As circunstâncias são diferentes no Brasil, mas a estagnação dos níveis de emprego mantém hoje um contingente de 13,7 milhões de pessoas sem trabalho. Muitos deles votarão em outubro e vão querer saber o que será feito por eles.
Em outubro vamos decidir sobre qual o modelo de país que queremos (editorial do ESTADÃO)
O maior desafio que os eleitores deverão enfrentar em outubro é a escolha do modelo de país que queremos não para os próximos quatro anos, e sim para as próximas décadas.
As eleições deste ano terão especial importância porque as escolhas produzirão efeitos, para o bem ou para o mal, muito além do horizonte temporal dos mandatos do próximo ocupante do Palácio do Planalto e dos representantes no Congresso. Há que se ter máximo cuidado ao votar em meio à grande oferta de irresponsabilidades que, embora muito agradáveis aos ouvidos, apresentarão ao País uma conta impagável.
“Nessa eleição, estarão em jogo dois modelos: um para mudar a voz do Brasil no mundo, inserir o País nos mercados internacionais; ou um modelo de mercado fechado. O resultado disso é, de um lado, crescimento sustentável e, de outro, a Grécia”, advertiu o diplomata Rubens Barbosa, presidente do Instituto de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Irice) e ex-embaixador do Brasil nos Estados Unidos.
Barbosa foi um dos convidados para o terceiro de uma série de seis eventos do Fórum Estadão: A Reconstrução do Brasil, promovido pelo Estado em parceria com a Unibes Cultural e apoio do Centro de Liderança Pública (CLP) e Tendências Consultoria Integrada, além do Irice.
Os temas da terceira edição do Fórum, ocorrida na quarta-feira passada no teatro da Unibes Cultural, foram o papel do Brasil no mundo e os desafios do federalismo no País.
O Brasil vem perdendo protagonismo internacional, principalmente, pelos inúmeros erros da política externa dos governos lulopetistas, pautada muito mais pela “solidariedade” a governos amigos do que pela inarredável defesa dos interesses nacionais.
Sob os governos petistas, o Brasil se isolou ou foi isolado. Para Rubens Barbosa, o País não sabe sequer quais são “seus rumos e seu lugar na América Latina”. Esta visão é compartilhada pela economista Lídia Goldenstein, membro do Conselho de Comércio Exterior da FIESP. “Temos de ter uma estratégia que repense o Brasil em um mundo que não é mais o que estamos pensando”, disse ela.
O enorme trabalho para reerguer o País dos escombros do populismo lulopetista, já bem encaminhado pelo governo do presidente Michel Temer, não pode deixar de ser uma agenda prioritária para qualquer um que pretenda sucedê-lo com responsabilidade. E não se pode mais tomar este conjunto de medidas sem considerar todas as implicações externas de se fazer política em um mundo globalizado.
O ex-chanceler Celso Lafer, também presente ao Fórum, ressaltou a importância de o País traçar a estratégia de posicionamento global. “A partir da avaliação do que é mais imperativo (para o Brasil) é preciso ver o que os cenários internacionais oferecem na atual conjuntura”, disse.
No segundo painel, sobre os desafios do federalismo no País, tratou-se da concentração dos recursos públicos na União. Tal como está, o atual modelo de distribuição de atribuições entre a União, os Estados e os municípios cria um impasse quanto à administração de políticas públicas e à devida prestação de contas aos cidadãos. “Até quando vamos viver nesse destrambelhamento federativo? Não temos nada de patrimônio, é tudo da União”, disse Paulo Ziulkoski, presidente da Confederação Nacional de Municípios (CNM). Marcos Mendes, chefe da assessoria especial do Ministério da Fazenda, ponderou que a flexibilidade do atual modelo federativo é boa, não obstante a necessidade de ser reformado em alguns pontos, sobretudo em virtude da crise econômica.
Com pertinência, Cibele Franzese, professora da Escola de Administração da FGV, lembrou que “a confusão do pacto federativo” começou em 1988, com a promulgação da Carta Magna, quando se desenhou um Estado de bem-estar social sem se dizer quem faz o quê.
É evidente que em outubro optar-se-á por uma ou outra candidatura; no entanto, como se vê, a escolha de fundo é bem mais complexa.
Fonte: Gazeta, Folha, Estadão
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