segunda-feira, 30 de março de 2015

'Discordo', responde Levy a pergunta sobre ser 'difícil' trabalhar com Dilma

30/03/2015 14h43 - Atualizado em 30/03/2015 15h47 'Discordo', responde Levy a pergunta sobre ser 'difícil' trabalhar com Dilma No sábado, ele publicou 'manifestação pessoal' sobre reportagem de jornal. Levy fala em 'mal entendido' e 'enorme afinidade' com a presidente Dilma. Darlan Alvarenga Do G1, em São Paulo
O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, tentou desfazer, nesta segunda-feira (30), o mal-estar criado por uma declaração sua dada na semana passada. Segundo ele, tratou-se de um "mal-entendido'. O ministro fez questão de ressaltar também que "não há nenhuma desafinação" com a presidente Dilma Rousseff. Em encontro com empresários em São Paulo, Levy respondia a perguntas da plateia e interrompeu o presidente do Lide (Grupo de Líderes Empresariais), João Doria Jr, que mediava o encontro, quando este último comentou que "É duro ser ministro de um governo como o da dona Dilma". “Não é verdade. Discrepo, discrepo, tá certo. Discrepo" (sinônimo de discordar, divergir), disse. Na última sexta, falando a ex-alunos da escola de negócios da Universidade de Chicago (EUA), onde estudou, Levy disse, de acordo com o jornal "Folha de S. Paulo", que a presidente Dilma Rousseff nem sempre faz as coisas da maneira mais fácil e efetiva, embora tenha um desejo genuíno de acertar. De acordo com o jornal, a fala do ministro foi uma crítica à "pessoa" da presidente. Dilma diz ter 'clareza' de que ministro Joaquim Levy foi 'mal interpretado' Dilma tem desejo de acertar, mas nem sempre da maneira mais fácil, diz Levy "Acho que há um desejo genuíno da presidente de acertar as coisas, às vezes não da maneira mais fácil, mas... Não da maneira mais efetiva, mas há um desejo genuíno", disse o ministro na palestra ("I think that there is a genuine desire by the president to get things right, sometimes not the easiest way, but... Not the most effective way, but there is this genuine desire", em inglês). 'Não há nenhuma desafinação. Há uma afinidade' Nesta segunda, Levy admitiu que conversou sobre o assunto com Dilma, mas destacou manter com a presidente uma "enorme afinidade". "Não há nenhuma desafinação. Há uma afinidade", disse, em entrevista a jornalistas. "Houve um pouco de mal entendido, mas a confiança mútua acho que é muito sólida", completou. Segundo ministro, o mais importante no momento é trabalhar em conjunto pela aprovação das medidas de ajuste fiscal no Congresso Nacional. "A presidente está trabalhando para as coisas se endireitarem no Brasil", afirmou. "Todo mundo tem que trabalhar junto para alcançar esses objetivos de uma economia aberta, competitiva, em que as empresas sejam livres, em que haja mais concorrência para a gente poder crescer", destacou. Levy lamentou interpretação Já na noite de sábado (28), o ministro emitiu uma "manifestação pessoal" na qual "lamentou" a interpretação dada à sua fala. "O ministro sublinha os elementos dessa fala que são os seguintes: aqueles que têm a honra de encontrarem-se ministros sabem que a orientação da política do governo é genuína, reconhecem que o cumprimento de seus deveres exige ações difíceis, inclusive da Exma. Sra. Presidente, Dilma Rousseff, e eles têm a humildade de reconhecer que nem todas as medidas tomadas têm a efetividade esperada", afirmou a nota, que destaca não ser oficial. "Isto não é uma nota oficial, mas uma manifestação pessoal do ministro em face de uma matéria online que comenta a fala do ministro em uma conversa informal com membros do setor financeiro em que ele procurou transmitir os pontos principais do ajuste econômico em face da evolução economia global e da exigência de crescimento no Brasil, e a importância de se executá-lo rapidamente", diz o texto. Neesta segunda, a própria presidente Dilma Rousseff minimizou a questão, e afirmou "ter clareza" de que Levy foi "mal interpretado". "Em política, vocês sabem que às vezes eu não posso seguir um caminho curto porque eu tenho de ter o apoio de todos aqueles que me cercam. Então, tem a questão de construir consensos. Eu acho que é nesse sentido que ele falou e não tem por que criar maiores complicações por isso. Ele já explicou isso exaustivamente. Ele ficou bastante triste com isso e me explicou", afirmou Dilma. Desonerações No mês passado, Dilma classificou como "infeliz" uma declaração de Levy sobre a politica de desonerações do governo. Na ocasião, o ministro anunciava uma redução das desonerações e afirmou que "essa brincadeira" não deu resultados e custou "extremamente caro". No dia seguinte, em visita ao Uruguai, questionada sobre a declaração do ministro, a presidente afirmou: "Acredito que a desoneração da folha foi importantíssima – e continua sendo. Se ela não fosse importante, nós tínhamos eliminado e simplesmente abandonado. Acho que o ministro foi infeliz no uso do adjetivo." tópicos: Dilma Rousseff, Economia, Joaquim Levy

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