segunda-feira, 2 de julho de 2018

Próximo presidente terá de atacar logo não só rombo fiscal, mas também desemprego alto, dizem analistas



Publicado em 02/07/2018 17:07 e atualizado em 02/07/2018 17:55



Por Iuri Dantas, Reuters



SÃO PAULO (Reuters) - Principal alvo de preocupação do mercado financeiro, a política econômica do sucessor de Michel Temer terá obrigatoriamente não só que resolver a óbvia questão fiscal, mas também a resistente e elevada taxa de desemprego, se quiser ver a atividade econômica entrar num caminho mais sustentável de crescimento.
E para isso, segundo economistas ouvidos pela Reuters, será preciso trabalhar numa reforma da Previdência, reduzir gastos e elevar a arrecadação de impostos. E diretamente para o emprego, há quem defenda programas com recursos públicos para estimular a atividade econômica e abertura de novas vagas.
"As correntes econômicas, quaisquer que sejam aqueles que vencerem as eleições, precisarão olhar o emprego", disse o professor de economia do IBMEC Walter Franco Lopes.
Segundo ele, o próximo governo deve buscar ainda durante o período de transição, após o pleito de outubro, negociar com o Congresso mudanças para que o próximo Orçamento traga políticas de geração de vagas.
A retomada mais lenta e o estresse no câmbio têm contribuído para elevação da dívida pública e maior resistência da taxa de desemprego, que caiu a 12,7 por cento nos três meses encerrados em maio, mas num movimento marcado pelo desalento dos trabalhadores, que desistiram de procurar uma vaga diante da fraca atividade econômica e baixa confiança dos agentes econômicos.
A reforma da Previdência é tida como imprescindível, mas não suficiente para o cumprimento das obrigações fiscais no primeiro ano do próximo governo, que exigiria também cortes de gastos e medidas para elevar a arrecadação de impostos.
"A bola estará com o próximo governo e está totalmente claro que é um governo que vai ter de lidar com o desafio fiscal, qualquer outra medida é de fôlego curtinho", avaliou o coordenador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas, Armando Castelar. "Política de emprego neste momento é reduzir incerteza e melhorar a confiança", acrescentou ele.
O risco político associado às eleições deste ano ganhou força entre investidores recentemente. Ao mesmo tempo, a greve dos caminhoneiros e a normalização da política monetária nos Estados Unidos e na União Europeia deterioram expectativas sobre o crescimento da economia neste ano.
Os mercados financeiros têm reagido mal a esse cenário. O Ibovespa fechou o primeiro semestre com queda acumulada de 4,76 por cento, enquanto Banco Central e Tesouro passaram a intervir nos mercados de câmbio e juros futuros para acalmar investidores. Paralelamente, a retomada da economia brasileira vem sendo alvo de constantes reduções.
Pesquisa Focus semanal do BC com cerca de 100 economistas indicava avanço de 3 por cento neste ano há alguns meses, frente a cerca de 1,50 por cento agora.
"A questão é que o próximo presidente tem que se preocupar com as questões de Estado primeiro e isso deve custar a ele no início do mandato problema de popularidade", afirmou o diretor de macroeconomia do IPEA, José Ronaldo de Castro.
SITUAÇÃO FISCAL
Para ele, é importante a revisão na forma de concessão e de reajustes da Previdência, sem retirada de benefícios, além de uma avaliação sobre a efetividade de programas na redução da desigualdade e da pobreza para identificar a necessidade de outras alterações nas políticas públicas.
O apoio do mercado a ajustes nas chamadas despesas obrigatórias deve-se ao engessamento do Orçamento da União, com mais de 95 por cento de seus recursos já carimbados para destinações específicas.
A falta de margem de manobra das finanças federais ficou latente na greve dos caminhoneiros, quando o governo precisou usar praticamente toda a reserva do Orçamento para atender reivindicações bilionárias dos motoristas, além de elevar tributos sobre alguns setores econômicos.
"A dívida pública continua a crescer e está numa trajetória insustentável. Se continuarmos nessa trajetória mais cedo ou mais tarde teremos crise de confiança", disse o professor do IBMEC, Carlos Primo Braga, ex-diretor de Política Econômica e Dívida do Banco Mundial.

Meta fiscal para 2019 continua prevendo déficit primário de R$ 139 bilhões e PIB menor (ESTADÃO)

O relatório do projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2019 manteve as metas fiscais encaminhadas pelo governo, que autorizam déficit de até R$ 132 bilhões para o setor público consolidado. Apesar disso, o relator, senador Dalírio Beber (PSDB-SC), ressaltou que o cenário econômico já não é mais tão favorável quanto previu o governo, que esperava crescimento de 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB) para este ano.
ctv-y9u-dinheiroGoverno poderá rever suas estimativas no projeto de Lei Orçamentária Anual (LOA), que deve ser enviado até 31 de agosto Foto: Estadão
"Não vemos necessidade de alteração nas projeções apresentadas, apesar de as estimativas mais atuais indicarem que o crescimento econômico para 2018 já não deverá ocorrer na mesma magnitude esperada pelo governo", diz o texto.
Em caso de necessidade, porém, o governo poderá rever suas estimativas no projeto de Lei Orçamentária Anual (LOA), que deve ser enviado até 31 de agosto. "No entanto, se esse quadro de fragilidade se confirmar e eventualmente determinar alterações nas expectativas, o próprio texto do substitutivo permite que o Poder Executivo se utilize de novos parâmetros para elaborar o projeto do Orçamento de 2019", diz o relatório.
A meta fiscal para o ano que vem permite déficit de até R$ 139 bilhões nas contas conjuntas do Tesouro Nacional, do INSS e do Banco Central. As estatais federais, por sua vez, poderão ter déficit de até R$ 3,5 bilhões.
A única contribuição positiva deve vir dos Estados e municípios e suas estatais, para os quais a meta é de superávit de R$ 10,5 bilhões em 2019.

Greve dos caminhoneiros leva indústria do Brasil a contrair em junho pela 1ª vez em 15 meses, mostra PMI

Por Camila Moreira
SÃO PAULO (Reuters) - A greve dos caminhoneiros no final de maio afetou a entrega de insumos à indústria brasileira e prejudicou a produção e o número de pedidos, levando o setor a registrar contração em junho pela primeira vez em 15 meses, mostrou a pesquisa Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) divulgada nesta segunda-feira.
O IHS Markit informou que o PMI da indústria brasileira recuou a 49,8 em junho de 50,7 em maio, na primeira vez em que vai abaixo da marca de 50 que separa crescimento de contração desde março de 2017.
A produção industrial apresentou queda e interrompeu em junho uma série de 15 meses de crescimento, com recuo na quantidade de novos trabalhos e escassez de insumos.
Os pedidos recebidos diminuíram pela primeira vez desde fevereiro de 2017, com a demanda afetada pelos protestos dos caminhoneiros, que bloquearam estradas em todo o país no final de maio, prejudicando o abastecimento de combustíveis, alimentos e outros insumos.
Por outro lado, a demanda externa melhorou, com as novas vendas para exportação crescendo no ritmo mais rápido desde novembro em sintonia com a desvalorização do real ante o dólar.
Entretanto, a escassez de alguns itens e a demanda forte por eles levaram os fornecedores a elevar os preços, e assim a inflação dos custos dos insumos atingiu em junho o segundo nível mais alto nos 12 anos da série do PMI.
A carga adicional de custos foi repassada aos clientes, e a taxa de inflação dos preços dos produtos finais foi em junho a mais forte desde fevereiro de 2016.
Os empresários da indústria voltaram a demitir funcionários no mês passado buscando reduzir custos, encerrando oito meses seguidos de crescimento de emprego no setor.
O cenário provocou recuo do grau de otimismo na indústria para um recorde de baixa de oito meses, embora os produtores ainda prevejam crescimento da produção nos próximos 12 meses, de acordo com o IHS Markit.

Caminhoneiros e Copa pesam sobre vendas de shoppings no 2º tri; melhora só no 4ºtri

Por Gabriela Mello
SÃO PAULO (Reuters) - Os shoppings brasileiros devem colher resultados mais fracos no segundo trimestre deste ano sobre igual período de 2017, com uma combinação de eventos que inclui a greve dos caminhoneiros e a Copa do Mundo de futebol se somando ao ritmo mais lento que o esperado da recuperação econômica do país.
"A tendência é um segundo trimestre mais negativo", disse à Reuters Gustavo Cambauva, analista do BTG Pactual. Ele destacou que, diferentemente de 2017, a Páscoa, uma das datas mais importantes para o varejo, este ano não caiu em abril, enquanto maio foi afetado pela greve de caminhoneiros e junho pela Copa do Mundo.
Dados mais recentes divulgados pela Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) mostram que o fluxo de visitantes nos mais de 570 empreendimentos do país caiu 2,3 por cento em maio sobre um ano atrás, interrompendo uma sequência de altas desde o começo deste ano em decorrência da paralisação de 11 dias dos caminhoneiros.
Somente na última quarta-feira, dia 27, a maioria das lojas em shoppings da Multiplan e do Iguatemi na região da Vila Olímpia, em São Paulo, fecharam depois do almoço para o jogo do Brasil contra a Sérvia pela Copa do Mundo, às 15h.
O faturamento do varejo brasileiro acumulou queda média de 25 por cento nos três dias de jogos da seleção brasileira, de acordo com um levantamento divulgado na sexta-feira pela empresa de meios de pagamento Cielo.
"Somado a esses fatores, o clima também não ajudou. Esse ano, tivemos temperaturas mais altas no outono/inverno, prejudicando as vendas de vestuário de inverno que possuem um ticket (preço) mais alto", completou Cambauva.
Representantes das principais administradoras de shopping centers do país já alertavam em teleconferências sobre os resultados do primeiro trimestre sobre os desafios que o setor teria no decorrer de 2018.
No fim de abril, o vice-presidente financeiro da Multiplan, Armando d'Almeida Neto, destacou as distrações com a Copa do Mundo e as incertezas com o cenário eleitoral entre os obstáculos do segundo trimestre. Já o presidente-executivo da BRMalls, Ruy Kameyama, advertiu que fatores sazonais poderiam interferir no indicador de vendas em mesmas lojas do período.
A Abrasce espera que o faturamento do setor entre abril e junho cresça menos que os 4,3 por cento apurados no primeiro trimestre. "Eu ainda não apostaria em retração apesar desses impactos no fluxo (de consumidores), e sim em um crescimento mais próximo de 3 por cento", disse o presidente da entidade, Glauco Humai.
De acordo com dele, o aumento das vendas no Dia das Mães (+6 por cento) em maio, e no Dia dos Namorados (+5 por cento) em junho, deve ajudar a minimizar os efeitos negativos da greve dos caminhoneiros e da Copa do Mundo.
Para Cambauva, do BTG Pactual, o terceiro trimestre também deve ser difícil na comparação com 2017, quando o setor varejista se beneficiou dos saques das contas inativas do FGTS, uma medida que injetou um total de 44 bilhões de reais na economia do país.
Em antecipação ao provável desempenho aquém do inicialmente esperado, as ações de operadores de shopping centers do país amargaram queda de dois dígitos entre abril e junho. Iguatemi caiu quase 20 por cento no segundo trimestre, enquanto Multiplan perdeu 16,2 por cento e BRMalls teve baixa de cerca de 17 por cento. O Ibovespa recuou neste mesmo intervalo aproximadamente 15 por cento.
"O terceiro trimestre ainda vai ser amarrado e o quarto tende a melhorar, dependendo do candidato eleito", concordou o presidente da Abrasce.
Apesar da fraqueza no primeiro semestre, a entidade ainda não planeja revisar a projeção de alta de 6 a 6,5 por cento no faturamento dos shoppings do país em 2018. No ano passado, o setor cresceu 6,2 por cento, para 167,75 bilhões de reais.
O segundo semestre é normalmente melhor para os shoppings que o primeiro, mas as incertezas desencadeadas pelas eleições em outubro devem influenciar o comportamento dos lojistas e dos consumidores, explicou um analista do setor que preferiu não se identificar.
"A base do ano passado é certamente mais forte e a confiança também piorou um pouco... Lojistas podem esperar para promover maiores ações de marketing, então a aposta maior (de crescimento) será o quarto trimestre mesmo", disse o analista.

Dólar sobe quase 1% e vai acima de R$ 3,90 com cena externa

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar saltou quase 1 por cento nesta segunda-feira e passou o patamar de 3,90 reais, acompanhando a cena externa com movimentos de maior aversão ao risco e sem atuações extraordinárias do Banco Central brasileiro.
O dólar avançou 0,87 por cento, a 3,9111 reais na venda, maior nível de fechamento desde 7 de junho (3,9258 reais).
Em junho, a moeda norte-americana fechou com valorização de 3,76 por cento, quinto mês seguindo em elevação, período em que acumulou ganhos de quase 22 por cento.
"A disputa comercial entre os Estados Unidos e a China segue no foco dos mercados, apoiando o dólar forte", trouxe a corretora Rico Investimentos em relatório, citando ainda o baixo volume financeiro devido ao jogo do Brasil contra o México pelas oitavas de final da Copa do Mundo disputado no fim da manhã.
No exterior, o dólar subia cerca de 0,35 por cento frente a uma cesta de moedas e divisas de países emergentes, como o peso chileno, com os investidores ampliando as apostas de intensificação das tensões comerciais entre Estados Unidos e seus parceiros comerciais, em especial a China.
A tensão crescia antes de 6 de julho, quando os EUA devem impor tarifas sobre 34 bilhões de dólares em exportações chinesas.
E mesmo com a forte valorização do dólar frente ao real, o BC não anunciou intervenções adicionais no mercado de câmbio nesta sessão. Apenas ofertou e vendeu integralmente o lote de até 14 mil swaps tradicionais, equivalentes à venda futura de dólares, para rolagem dos contratos que vencem em agosto.
Com isso, rolou o equivalente a 700 milhões de dólares do total de 14,023 bilhões de dólares que vence no próximo mês.
"Quando o dólar bateu em 3,95 reais (no intradia), o BC entrou e derrubou. Estamos muito próximos disso. Se fizer de novo, o mercado passa a entender que está defendendo esse teto para a moeda norte-americana, afirmou o operador da Advanced Corretora, Alessandro Faganello.
Na noite de sexta-feira, o BC informou que continuaria atuando de forma coordenada com o Tesouro no mercado para "prover liquidez e contribuir para o seu bom funcionamento", e que vai rolar integralmente swaps que vencem em agosto.

Top-5 de pesquisa Focus passa a ver taxa básica de juros mais baixa ao final de 2019

SÃO PAULO (Reuters) - O grupo dos economistas que mais acertam as previsões na pesquisa Focus do Banco Central passou a ver a taxa básica de juros mais baixa no final de 2019, em meio a expectativas de menor crescimento econômico para o próximo ano.
O chamado Top-5 agora calcula a Selic a 7,88 por cento no ano que vem na mediana das projeções, sobre8 por cento anteriormente, mas manteve a expectativa de que a taxa terminará 2018 na atual mínima histórica de 6,5 por cento.
A visão dos economistas como um todo não mudou e a pesquisa aponta que continuam vendo a Selic a 6,5 por cento neste ano e a 8 por cento em 2019.
Diante das incertezas que rondam a economia brasileira, o BC decidiu não se comprometer com sinalizações sobre seus próximos passos na política monetária, mas reafirmou que ela tem foco exclusivo na inflação, seus balanços de risco e atividade econômica, segundo a ata de seu último encontro.
O Focus mostrou ainda que cenário para a atividade econômica ficou mais pessimista para o ano que vem, com a projeção para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) reduzida a 2,50 por cento, frente a 2,60 por cento. Para este ano permanece a expectativa de crescimento de 1,55 por cento.
A estimativa de alta do IPCA em 2018 subiu 0,03 ponto percentual e foi a 4,03 por cento, com a conta para 2019 permanecendo em 4,10 por cento.
Para o dólar, os especialistas consultados viam a moeda a 3,70 reais neste ano, contra 3,65 reais antes. Para 2019, a expectativa continuava em 3,60 reais.

IPC-S acelera alta a 1,19% em junho sob peso de alimentos e transportes, diz FGV

SÃO PAULO (Reuters) - O Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) acelerou a alta a 1,19 por cento em junho de 0,41 por cento em maio, pressionado pelos preços de alimentos e transportes na esteira da greve dos caminhoneiros no final de maio.
O dado divulgado nesta segunda-feira pela Fundação Getulio Vargas (FGV) mostrou ainda maior pressão em relação ao avanço de 1,17 por cento registrado na terceira quadrissemana do mês.
Em junho, os preços do grupo de Alimentação subiram 1,59 por cento frente ao avaço de 0,24 por cento em maio, enquanto o grupo Transportes apresentou alta de 1,25 por cento frente ao aumento de 0,48 por cento no mês anterior.
No final de maio a paralisação dos caminhoneiros prejudicou o abastecimento de alimentos e combustíveis, entre outros insumos, elevando os preços.
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Fonte: Reuters

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