Publicado em 01/10/2018 15:26 e atualizado em 01/10/2018 19:48
Antonio Palocci revelou detalhes do esquema de propinas na Sete Brasil, nas obras de Belo Monte, na compra de blocos de exploração na África e na relação entre o grupo Schahin, o PT e o instituto de pesquisas Vox Populi. Palocci também colaborou nos autos do inquérito aberto para apurar o vazamento da operação contra Lula.
O juiz federal Sérgio Moro levantou sigilo sobre um dos termos de colaboração premiada de Antônio Palocci, ex-ministro dos governos Lula e Dilma. No seu primeiro anexo de delação premiada, Palocci detalha o suposto loteamento de cargos na Petrobrás em troca de financiamento para campanhas petistas. (Veja mais no site do Estadão.
Na Reuters: Lula ordenou construção de sondas e recursos ilícitos abasteceriam campanha de Dilma, diz Palocci em delação
BRASÍLIA (Reuters) - O então presidente Luiz Inácio Lula da Silva ordenou, numa reunião realizada no Palácio do Alvorada no início de 2010, que o então presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, encomendasse a construção de 40 sondas e que dinheiro ilícito arrecadado com contratos da estatal serviriam para bancar a campanha presidencial da petista, Dilma Rousseff, afirmou o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci Filho em delação premiada tornada pública nesta segunda-feira.
Palocci relatou na delação que Lula, naquele encontro, encarregou-o de "genreciar os recursos ilícitos que seriam gerados e o seu devido emprego na campanha de Dilma Rousseff para a Presidência da República".
Essa foi, segundo o delator, a primeira reunião realizada por Lula em que "explicitamente tratou da arrecadação de valores a partir de grandes contratos da Petrobras". Palocci coordenou a campanha de Dilma em 2010.
"Que isso se dava, segundo Lula relatou e conforme narra o colaborador, para garantir que o projeto seria efetivamente desenvolvido por Gabrielli; que esta foi a primeira reunião realizada por Luiz Inácio Lula da Silva em que explicitamente tratou da arrecadação de valores a partir de grandes contratos da Petrobras", segundo relato de Palocci feito na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba no dia 13 de abril deste ano.
O juiz federal Sérgio Moro retirou nesta segunda-feira parte do sigilo da delação premiada de Palocci. No final de abril, o ex-ministro havia firmado colaboração com a PF, local onde está preso desde setembro de 2016, após uma das fases da operação Lava Jato.
Os termos da colaboração vinham sendo oficialmente mantidos em sigilo até então. Moro incluiu parte de informações da colaboração do ex-ministro em ação penal referente ao Instituto Lula.
Em nota, a defesa do ex-presidente afirmou que a conduta de Moro de levantar o sigilo de parte da delação de Palocci "apenas reforça o caráter político dos processos e da condenação injusta imposta ao ex-presidente Lula".
"Moro juntou ao processo, por iniciativa própria (“de ofício”), depoimento prestado pelo sr. Antonio Palocci na condição de delator com o nítido objetivo de tentar causar efeitos políticos para Lula e seus aliados, até porque o próprio juiz reconhece que não poderá levar tal depoimento em consideração no julgamento da ação penal. Soma-se a isso o fato de que a delação foi recusada pelo Ministério Público. Além disso, a hipótese acusatória foi destruída pelas provas constituídas nos autos, inclusive por laudos periciais", disse a nota.
"Palocci, por seu turno, mentiu mais uma vez, sem apresentar nenhuma prova, sobre Lula para obter generosos benefícios que vão da redução substancial de sua pena --2/3 com a possibilidade de “perdão judicial”-- e da manutenção de parte substancial dos valores encontrados em suas contas bancárias", complementa a defesa do ex-presidente.
A revelação dos termos da delação de Palocci também tornou público os benefícios acertados. Ele terá de pagar 35 milhões de reais e terá, caso cumpra as exigências, direito a reduzir sua pena em dois terços.
O Antagonista: PALOCCI DIZ QUE PT ABRIU CONTAS NO EXTERIOR
Antonio Palocci disse para a PF que o PT teve contas secretas no exterior, abertas pelo próprio partido ou por empresários.
Essa ORCRIM tem de ser eliminada para sempre.

Decisão de abrir delação de Palocci foi provocada por pedido de Lula
A decisão de Sérgio Moro de incluir –e dar publicidade ao– anexo 1 da delação de Antonio Palocci foi tomada em pedido apresentado pela própria defesa de Lula, que tentava suspender a ação penal até depois das eleições.
Moro indeferiu o pedido, mas entendeu necessária a inclusão das peças, para permitir o amplo exercício do contraditório por parte dos advogados.
Como o processo está na reta final, as partes precisam apresentar alegações finais, e os investigados têm de saber o conteúdo da delação de Palocci que tenha a ver com essa ação penal.
Palocci: ‘nacionalização do pré-sal’ ajudaria empreiteiras
Em sua delação, Antonio Palocci também disse que os governos petistas tinham a ideia de “nacionalização do projeto do pré-sal”.
Por quê? Segundo o ex-ministro de Lula e Dilma Rousseff, “pelo aspecto social, de geração de empregos” etc. — e para o “atendimento dos interesses das empreiteiras nacionais”.
Palocci acrescentou que seria “muito mais fácil discutir com OAS, Odebrecht, Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa contribuições para campanhas eleitorais do que tentar discutir o mesmo assunto com empresas estrangeiras”.
Lembrem-se disso toda vez que o PT e similares aparecerem com um discurso “nacionalista”. Como dizia Millôr Fernandes sobre a frase de Samuel Johnson, “o patriotismo é o último refúgio do canalha”: “No Brasil, é o primeiro”.
Palocci: única política do PP era ‘arrecadar dinheiro’
Em sua delação premiada, Antonio Palocci também disse que a única política do PP dentro da Petrobras era “arrecadar dinheiro”.
“Não havia sentido”, disse o ex-ministro da Fazenda, em acreditar que o PP estaria contribuindo com políticas para a exploração do petróleo. Lula –é claro– sabia e não fez nada.
EXCLUSIVO: PALOCCI DIZ QUE PT FICAVA COM 3% DOS CONTRATOS DE PUBLICIDADE DA PETROBRAS
No anexo 1 de sua delação premiada, que O Antagonista obteve em primeira mão, o ex-ministro Antonio Palocci revela o esquema de propinas nos contratos de publicidade da Petrobras.
Segundo ele, as empresas de marketing e propaganda contratadas pela gestão de Wilson Santarosa, “destinavam cerca de 3% dos valores dos contratos de publicidade ao PT através dos tesoureiros”.
Santarosa, que comandava a Gerência Executiva de Comunicação Institucional da estatal, era conhecido líder sindical dos petroleiros do PT de Campinas, ligado a “Lula, Luiz Marinho e Jacob Bittar”.

PALOCCI: “ERA COMUM LULA ESBRAVEJAR SOBRE ASSUNTOS ILÍCITOS QUE TINHAM OCORRIDO POR SUA DECISÃO”
No Anexo 1 da sua delação, Antonio Palocci diz “que era comum Lula, em ambientes restritos, reclamar e até esbravejar sobre assuntos ilícitos que chegavam a ele e que tinham ocorrido por sua decisão; que a intenção de Lula era clara no sentido de testar os interlocutores sobre seu grau de conhecimento e o impacto de sua negativa”.
“Palocci é meu amigo”
Lula, em 26 de abril do ano passado, escreveu no Twitter que não tinha nenhuma preocupação com a delação de Antonio Palocci.
Pois é.

Fonte: Reuters/O Antagonista/Estadão
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