quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Sebrae quer juros de 15% a 18% ao ano para micro e pequenas empresas

27/01/2016 17h07 - Atualizado em 27/01/2016 17h18


Sebrae quer juros de 15% a 18% ao ano para micro e pequenas empresas




Afif Domingos fala em 2 linhas de crédito: capital de giro e investimentos.
Segundo ele, governo discute limite de R$ 30 mil para cada uma das linhas.

Alexandro MartelloDo G1, em Brasília


O diretor-presidente do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Guilherme Afif Domingos, falou nesta quarta-feira (27), após reunião com o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, em criar linhas de crédito para capital de giro e investimento (esta última via cartão BNDES) com taxas de juros de 15% a 18% ao ano.
"Queremos finalmente dar foco a uma politica de crédito a micro e pequena empresa, pois 95% das empresas do país [estão no Simples]. Desse total, 80% ou um pouco mais estão até a terceira faixa do simples, até 360 mil de faturamento anual. Queremos dar um foco nesse tipo de operação que não existe no BNDES. Há uma zona cinza no sistema financeiro, mas que é onde estão alojadas a maioria das empresas brasileiras, o grande polo de geração de empregos no país", declarou ele.
Segundo ele, as taxas de juros de 15% a 18% ao ano não terão subsídio por parte do governo, pois seriam asseguradas por fundos garantidores de crédito. Afif explicou que o fundo de aval do Sebrae para seguro do crédito conta com R$ 700 milhões de patrimônio e pode "alavancar" até R$ 3 bilhões em empréstimos aos micro e pequenos empreendedores. Ele observou que também há outros fundos garantidores no Banco do Brasil e no BNDES que podem ser utilizados para a mesma finalidade.
"Temos condições de ter linhas de crédito desburocratizadas. Isso tudo são matérias em discussão. Para alguém que hoje paga por um capital de giro, quando encontra, 4% a 6% ao mês, ou 50% a 60% ao ano, que é o custo do dinheiro para o pequeno empresário, vai melhorar. Essa taxa entre 15% e 18% [ao ano] já inclui o fundo garantidor, ou seja, o seguro de crédito", declarou Afif Domingos a jornalistas.
O diretor-presidente do Sebrae não soube precisar o volume total de crédito que poderia ser oferecido às micro e pequenas empresas inscritas no Simples - o programa unificado de pagamento de tributos. Segundo ele, o limite individual, para as empresas que faturam até R$ 3,6 milhões por ano (o atual teto do Simples) seria de R$ 30 mil na linha de capital de giro e de mais R$ 30 mil para investimentos, por meio do cartão BNDES.
Para as empresas com faturamento menor, esse limite também poderá ser mais baixo. "Vai ter que analisar a própria necessidade. Se não vai pegar um dinheiro que não precisa tanto. Também pode quebrar pegando empréstimos", declarou ele.
A expectativa de Afif Domingos é de que essas linhas de crédito possam ser anunciadas até o fim de fevereiro, mas não deu prazo para que elas possam ser buscadas nas instituições financeiras. "Vamos fazer reunião com agentes financeiros. Tem de mexer em sistemas. Isso pode demorar um pouco. A gente tem que contornar esse problema", explicou.

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