terça-feira, 29 de março de 2016

Projeto de Melhoramento Genético desenvolve cultivares resistentes às raças do Fusarium oxysporum

Projeto de Melhoramento Genético desenvolve cultivares resistentes às raças do Fusarium oxysporum






Projeto de Melhoramento Genético desenvolve cultivares resistentes às raças do Fusarium oxysporum
29/03/16 - 15:09 


Para o desenvolvimento de uma nova cultivar de hortaliça, um dos fatores mais importantes, e que deve ser levado em conta, é a incorporação de resistência a diversos patógenos. Na Embrapa Hortaliças (Brasília-DF) essa sempre foi uma premissa básica nos projetos de Melhoramento Genético. Com o fungo de solo Fusarium oxysporum não foi diferente - desenvolver cultivares de tomate com resistência às raças 1 e 2 de F. oxysporum f. sp. lycopersici sempre esteve nas linhas gerais dos projetos de melhoramento de tomate. Essa era a situação até 2005, quando a raça 3, uma nova variante do patógeno capaz de atacar as cultivares resistentes às raças 1 e 2, foi registrada no Brasil
A partir desse registro, foram realizadas buscas por fontes de resistência e o consequente desenvolvimento de linhagens resistentes à nova raça, e que já contabiliza uma vitória: o desenvolvimento do BRS Imigrante, híbrido tipo salada, que combina alto rendimento com a resistência às três raças do fungo, além do begomovírus, e que foi lançado pela Embrapa Hortaliças em 2014.
De acordo com o pesquisador Ailton Reis, coordenador dos trabalhos, o fungo F. oxysporum ataca várias culturas, a partir de sua característica de assumir diversas formas (formae speciales), apontadas como varientes do patógeno capazes de atacar diferentes grupos de plantas, a exemplo do F. oxysporum f. sp. lycopersici, que ataca o tomate. Segundo ele, apesar do sucesso obtido com o desenvolvimento da cultivar BRS Imigrante, "com boa aceitação, principalmente no Espírito Santo e no Rio de Janeiro, onde os tomaticultores sofrem grandes perdas devido ao ataque desse fungo, os problemas com o patógeno continuam na ordem do dia".
A raça 3, por exemplo, tem se espalhado pela Rigião Sudeste, chegou à Região Nordeste (Bahia) e, recentemente, foi detectada em tomate de mesa nas regiões do Cerrado de Goiás e de Minas Gerais. "É um cenário preocupante, pois o patógeno agora passa a ser uma ameaça a mais para os plantios de tomate indústria, que se localizam principalmente nos cerrados paulista, mineiro e goiano", assinala o pesquisador, para quem a situação demanda um esforço ainda maior no desenvolvimento de novas cultivares resistentes.
Aface
Os trabalhos de pesquisa com o fungo não têm como único foco o desenvolvimento de tomates resistentes ao F. oxysporum f. sp. lycopersici. Esforços também têm sido despendidos contra a presença de outra variante do patógeno, a raça 1 do F. oxysporum f. sp. lactucae, que vem provocando severos danos à cultura da alface nas regiões Sul e Sudeste do Brasil, o que demonstra a sua versatilidade. "O fungo que ataca o tomate é diferente daquele que afeta a alface (formae speciales diferentes)", sublinha Reis.
O F. oxysporum f. sp. lactucae foi detectado inicialmente no Brasil, em 2007, pelos pesquisadores do Incaper (Instituto Capixaba de Pesquisa) o que motivou a formação de uma parceria envolvendo a instituição do Espírito Santo e a Sakata Seeds Sudamérica. Com os parceiros, a Embrapa Hortaliças realizou um levantamento da ocorrência de raças do patóeno no Brasil, quando foi identificada apenas a raça 1, "apesar de no Japão já ter sido detectada as três raças do patógeno". Na esteira dessa identificação foram buscadas, então, novas fontes de resistência à raça 1 de F. oxysporum f. sp. lactucae no banco de germoplasma de alface.
"Os resultados foram bastante promissores, sendo identificadas fontes de resistência nos principais tipos de alface (crespa, americana e lisa). Desenvolvemos materiais resistentes de alface, dos quais três devem ser lançados este ano e um deles, especificamente, apresentou resistência a essa espécie de Fusarium", assinala Reis.
Marcadores moleculares
Os trabalhos prosseguem, agora incorporando outras ferramentas. O grupo de pesquisa vem se debruçando sobre o desenvolvimento de marcadores moleculares ligado à virulência do patógeno e à resistência genética das plantas. De acordo com o pesquisador, com esses novos componentes a identificação das raças do fungo contam com uma boa perspectiva de aceleração, facilitada pelos marcadores específicos para as três raças de F. oxysporum f. sp. lycopersici e para a raça 1 de F. oxysporum f. sp. lactucae. "Com o marcador, o processo de identificação de raças leva no máximo duas semanas, contra dois meses sem o seu uso", sintetiza o pesquisador.

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