quinta-feira, 5 de maio de 2016

Seminário explora possibilidades para mercado de biodiesel em Mato Grosso

Seminário explora possibilidades para mercado de biodiesel em Mato Grosso





Seminário explora possibilidades para mercado de biodiesel em Mato Grosso
05/05/16 - 09:36 



O Secretário de Projetos Estratégicos de Mato Grosso, Gustavo Oliveira, defendeu a substituição de combustíveis fósseis por energias renováveis durante o Seminário “Biodiesel: Oportunidades e Benefícios do Uso Voluntário”. O evento foi realizado no Sistema Federação das Indústrias no Estado de Mato Grosso (Sistema Fiemt), em Cuiabá, nesta quarta-feira (04). 
O evento foi promovido pelo Sindicato das Indústrias de Biodiesel no Estado do Mato Grosso (Sindibio-MT), a Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil (Aprobio), a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e a União Brasileira de Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio), procurou mostrar a uma plateia de empresários, líderes de associações empresarias, representantes de prefeituras municipais que constituem os potencias consumidores do chamado biodiesel voluntário.
Representando o governador do Estado, Pedro Taques (PSDB), Gustavo Oliveira tratou da possibilidade de consumo de biodiesel superior ao previsto em lei, de 7% por litro de diesel (B7). Segundo ele, a prefeitura de Cuiabá divulgará edital para renovação da frota dos ônibus de transporte coletivo de passageiros na cidade e seria interessante que a medida constasse como regra da concessão, o que poderia gerar investimentos em inovação tecnológica e novos empregos.
Desde o ano passado, de acordo com a resolução nº 3 do Conselho Nacional de Política Energética, frotas cativas como empresas de ônibus, transporte rodoviário, coletas de lixo, frotas oficiais de poderes públicos, podem adquirir misturas de até B20 (20% de biodiesel por litro de diesel) e B30 (30% de biodiesel por litro de diesel) para transporte ferroviário, máquinas e tratores agrícolas.
Além de segundo maior produtor de biodiesel do país, o estado de Mato Grosso apresenta uma curva crescente de 3% no consumo de combustíveis, devido ao agronegócio, enquanto a média nacional registra uma queda de 6%.
Ao iniciar sua apresentação, o representante da Mercedes Benz, Nilton Shiraiwa, ressaltou que diante de testes realizados em 2009 – onde um veículo rodou cerca de 1 milhão de quilômetros com a mistura B20 - a empresa não faz nenhuma restrição quanto à sua utilização, pois não foram detectados problemas como criação de borra ou oxidação do sistema de injeção.
O diretor do Departamento de Combustíveis Renováveis do Ministério de Minas e Energia, Ricardo Dornelles, apresentou no evento toda a fundamentação legal e regulatória para o novo mercado do biodiesel brasileiro. “Esse é o momento para os agentes da cadeia produtiva do biocombustível sentarem e fazerem suas contas junto com os potenciais consumidores”, manifestou.
Segundo ele, pelos valores praticados no último leilão de venda do óleo renovável pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) o biodiesel produzido em MT chegou a ser até 0,38 centavos mais barato que o diesel por litro - não consideradas a margem das distribuidoras.
Dornelles disse ainda que o B20 e B30 já são permitidos e regulamentados pelo CNPE, sem necessidade de autorização previa da ANP. “Os biocombustíveis são produtos do ‘bem’ e agora o novo mercado precisa do engajamento de governos municipais e estaduais para que as oportunidades econômicas, como no caso de Mato Grosso, e ambientais sejam aproveitadas por todos”.
No seu entender, o consumo voluntário de biodiesel é uma oportunidade onde todos ganham, porque o consumidor reduz o custo com combustível, o distribuidor faz novos clientes e o produtor tem faturamento maior.
Aproveitar oportunidades foi o tema da palestra do presidente do Sindibio, Rodrigo Guerra, para quem a resolução do CNPE abre todo um campo de possibilidade de fomento da economia de Mato Grosso e do Brasil.
O diretor superintendente da APROBIO, Julio Minelli, enalteceu em sua palestra os benefícios ambientais e de saúde pública do biodiesel, abordando o estudo encomendado pela Associação em parceria com o Instituto Saúde e Sustentabilidade que apontou que a utilização de B20 evita a morte de 14 mil pessoas/ano somente nas regiões metropolitanas de RJ e SP.
"Ainda que o diesel não seja o responsável por toda a poluição local em Cuiabá, o biodiesel pode contribuir para a melhora da qualidade do ar e a diminuição do material particulado que é bastante forte na região" ressaltou Minelli.
Carlos Melnec, diretor executivo de revenda da Volvo em Mato Grosso, citou a experiência de Curitiba, onde os ônibus do transporte coletivo são abastecidos com o combustível vegetal, e disse que os veículos pesados da marca podem ser utilizados em qualquer estado, pois já estão aptos a rodar com B30.
Ao lado dos benefícios ambientais, está também a agregação de valor à produção de soja do Estado e a geração de empregos de qualidade inerentes ao Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel, explicou o diretor superintendente da Ubrabio, Donizete Tokarski.
“O biodiesel é um produto que tem a cara de Mato Grosso. A indústria e a sociedade precisam refletir que tipo de combustível nós queremos e se apropriar dos benefícios da ampliação do uso deste biocombustível”, destacou Tokarski.

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