02/12/15 - 00:00
Em homenagem ao Dia Mundial do Solo, promulgado pela Organização das Nações Unidas (ONU), que será comemorado neste sábado (5), bem como o ano de 2015 ter sido instituído como Ano Internacional dos Solos, pela FAO, a Secretaria da Agricultura vai promover no dia 9 (quarta-feira), em Carambeí – nos Campos Gerais – o “Seminário de Boas Práticas no Uso e Manejo sustentável dos Solos”.
Nesse seminário serão divulgadas as ações de produtores agrícolas que comprovadamente adotaram as boas práticas de uso e manejo sustentável dos solos no Paraná. O objetivo desta ação é demonstrar para a sociedade paranaense as boas práticas adotadas por agricultores e instituições que tiveram a iniciativa de preservar, conservar e manter o solo paranaense, recurso natural da maior importância para a sustentabilidade do agronegócio do Estado.
É o uso correto do solo que está na pauta das preocupações do secretário de Estado da Agricultura e do Abastecimento, Norberto Ortigara. Isso porque, segundo ele, o Paraná já foi considerado referência mundial no uso e conservação do solo e da água no final da década de 80 e início da década de 90. Naquela época, foram investidos recursos públicos num amplo programa de conservação de solos, com formulação de políticas públicas que beneficiaram o meio rural.
A consequência do bom uso e da conservação de solos foi a evolução da produtividade de grãos que colocou o Paraná como o segundo maior produtor de grãos, apesar de ter apenas 2,3% da área em relação ao território nacional.
Segundo o técnico do Deral (Departamento de Economia Rural), Edmar Gervásio, no período de 1998 até a atual safra 2015/16 a produtividade do milho, que ao lado da soja é o grão mais cultivado no Estado, saltou de 3.705 quilos por hectare para 8.580 quilos por hectare, um aumento superior a 131%.
ASSISTÊNCIA TÉCNICA - Para o secretário-executivo da Campanha Plante Seu Futuro, José Tarciso Fialho, muito do abandono das boas práticas agrícolas também é consequência da omissão da assistência técnica. Segundo ele, grande parte dos agricultores deixaram as boas práticas agrícolas de lado seduzidos pela eficiência dos trabalhos mecânicos, mas não foram devidamente instruídos sobre a melhor forma de utilizá-los.
“A gente reconhece a eficiência das máquinas e da importância desses equipamentos”, disse Fialho. No entanto, lembrou que o agricultor deixou de fazer os ajustes necessários para a manutenção das curvas de nível e dos terrações na propriedade, ou seja, faltou assistência técnica.
“Essas técnicas passaram a ser um empecilho para a atividade mecânica, quando o correto seria fazer o ajuste necessário para potencializar o uso das máquinas”, esclareceu Fialho. Segundo ele, na década de 80 foi possível disseminar as técnicas de terraceamento, de curvas de nível e plantio direto com qualidade, o que estancou a severa erosão que havia no solo, graças também à disponibilidade de mão de obra que havia na época.
Isso porque, diz Fialho, o ajuste necessário requer dedicação, cuidado, e atenção, requisitos que hoje estão escassos com a falta de trabalhadores no campo. “Foi mais fácil para quem decidiu recorrer exclusivamente ao uso das máquinas sem os ajustes necessários ao tipo de solo e topografia da localidade”, disse Fialho.
“Também é muito mais fácil plantar morro abaixo do que fazer curva, que é mais desgastante”, acrescentou. Fialho ressalta que o bom uso e conservação do solo exige a adoção de um conjunto de técnicas. Para ele, a curva de nível ou o plantio direto, sozinhos não resolvem o problema do desgaste do solo. “É preciso fazer o plantio direto, a cobertura vegetal, a rotação de culturas e as curvas de nível, tudo ao mesmo tempo, e isso dá trabalho”, destacou.
REVERSÃO - A decisão agora é reverter o agricultor desse comodismo, para o bem da agricultura e da produção de alimentos de todo o Estado. As ações estão sendo retomadas, como é o caso do Programa de Gestão de Solo e Água, com recursos do Estado, financiados pelo Banco Mundial.
Outra ação importante foi o desencadeamento da Campanha Plante Seu Futuro, que agrega as instituições representativas do setor rural como Seab, Faep, Ocepar, Itaipu, Embrapa, Emater, Iapar, Adapar, Ceasa, FAO.
Ele explica que o solo é responsável por estocar água e nutrientes que dão vida à produção agrícola. A população urbana não percebe o valor econômico, ambiental e social do solo. Ocorre que mais de 80% da população brasileira reside nas cidades, e para esta população, de modo geral, o solo é percebido não como algo a ser preservado para a nossa sobrevivência e das gerações futuras, mas como algo localizado na zona rural e disponível para uso ilimitado.
Nesse sentido, Fialho destacou que qualquer programa de conservação de solo para ser bem sucedido deve necessariamente atingir também o meio urbano, para que a população em geral tenha melhor compreensão em torno de sua preservação. “É preciso mostrar às pessoas na cidade que a conservação de solos é tão importante quando a conservação da água e que os dois elementos estão unidos”.

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