quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Com privatização da Celg, produtores esperam melhorias na distribuição de energia em Goiás

Com privatização da Celg, produtores esperam melhorias na distribuição de energia em Goiás





Com privatização da Celg, produtores esperam melhorias na distribuição de energia em Goiás
01/12/16 - 14:51 

Para o presidente da Aprosoja-GO, a venda da companhia energética era necessária

A Celg Distribuição, empresa de distribuição de energia elétrica de Goiás, foi arrematada pela empresa italiana Enel com lance de R$ 2,187 bilhões, valor 28,03% maior que o preço mínimo, fixado em R$ 1,7 bilhão. Com proposta única, esse primeiro leilão de privatização do governo Temer foi realizado nesta quarta-feira (30), na BM&F Bovespa, em São Paulo.
Segundo o governo de Goiás, que detinha 49% das ações da Celg D – outros 50,93% eram controlados pela estatal federal Eletrobrás e 0,07% por acionistas minoritários –, a privatização representa investimentos de R$ 2 bilhões na ampliação da distribuição de energia no Estado. O governador Marconi Perillo declarou que a privatização da Celg D é estratégica para o crescimento da economia goiana nos próximos anos.
Marconi também afirmou que o volume de R$ 1,050 bilhão recebido pela venda da participação estadual na companhia “garantirá novos investimentos em obras públicas essenciais para o desenvolvimento econômico e humano”.
Para o presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Goiás (Aprosoja-GO), Bartolomeu Braz Pereira, a venda da companhia energética era necessária, pois a gestão estatal foi deficitária. “Nossa expectativa é que a empresa que comprou a Celg D cumpra com as determinações exigidas pelo setor privado, que são boa distribuição, aumento de carga, enfim, esperamos a estrutura energética que Goiás sempre sonhou para o desenvolvimento de todas as cadeias produtivas, como a irrigação”, disse Bartolomeu.
Controladora
Operar em Goiás não será novidade para a Enel. A empresa italiana é dona da usina hidrelétrica de Cachoeira Dourada, a maior do Estado e privatizada em setembro de 1997. Agora, ao ampliar sua atuação em Goiás, a nova controladora da Celg Distribuição passa a atender mais 237 municípios (98,7% do território goiano), com 2,61 milhões de unidades consumidoras.
A Enel terá pela frente o endividamento da empresa, que chegou a R$ 2,64 bilhões em 2015 e a necessidade de investimentos bilionários no curto prazo. Em seu planejamento estratégico, a companhia italiana, que também controla as distribuidoras Ampla (RJ) e Coelce (CE) prevê investir no Brasil R$ 11,3 bilhões no período de 2017 a 2019.
Leilão
A Celg D foi federalizada em janeiro de 2015 e o processo de venda do seu controle acionário começou em maio do mesmo ano, com a inserção da companhia no Programa Nacional de Desestatização (PND), ainda na gestão da presidente Dilma Rousseff. Mas o primeiro edital de privatização só foi publicado em junho de 2016, sob a presidência de Michel Temer.
Marcado para o dia 19 de agosto, o leilão não aconteceu por falta de interessados. A saída foi reduzir o lance mínimo de R$ 2,8 bilhões para R$ 1,79 bilhão. O novo preço levou em conta o valor de mercado da companhia de R$ 4,448 bilhões, menos a dívida de R$ 2,656 bilhões.
O leilão foi acompanhado pela secretária da Fazenda de Goiás, Ana Carla Abrão Costa; pelo presidente da Celg Participações (CelgPar), Fernando Navarrete; e por diretores da Eletrobrás, Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES), Ministério de Minas e Energia e Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
A venda da Celg Distribuição abre caminho para novas privatizações. No próximo ano, o governo federal pretende leiloar seis distribuidoras de energia estaduais que hoje estão sob controle da Eletrobrás.

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