15 dias a mais de planta verde no campo pode significar o surgimento de 2 novas gerações do fungo
Confira a entrevista com Erlei Melo Reis - Doutor em Fitopatologia
O professor Erlei Melo Reis, doutor em Fitopatologia, acredita que a decisão da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (ADAPAR) de ampliar o plantio da soja até 14 de janeiro de 2018 precisaria ser melhor analisada e que, em termos de proliferação da ferrugem asiática, "não é uma decisão acertada".
Ele explica que qualquer estratégia relacionada a um maior ou menor período de presença de plantas verdes no solo influencia diretamente no comportamento dessa doença. Com um maior período, ocorre também uma maior produção de esporos da ferrugem, que surge mais cedo e com maior intensidade, exigindo também que os produtores realizem um maior número de aplicações.
Este fator pode trazer prejuízos diretamente no custo de produção além de propiciar o surgimento de fungos resistentes com a intensificação do uso de fungicidas de sítio específico. Ele diz entender a posição dos produtores em necessitar deste plantio estendido, mas que uma posição macro deveria ser tomada para "minimizar os danos".
Não há dados que afirmem veemente que os 15 dias a mais de plantio irão afetar diretamente nessa situação, mas Reis lembra que a geração de esporos dura de 7 a 8 dias - de forma que essa medida geraria o tempo mínimo para mais duas gerações de fungos, trazendo risco tanto para a soja que está sendo plantada agora, quanto para a próxima safra.
O fato de essas lavouras só poderem ser plantadas após o milho e o feijão minimiza o problema. "Nesse sentido, a decisão é correta", avalia o professor, "mas ter plantas próximas pode agravar o problema".
Contudo, a presença da ferrugem sempre irá depender do ambiente, dependendo diretamente da frequência de chuvas, e não da quantidade.
Reis aconselha aqueles produtores que estejam em uma área onde o fungo está presente ou já se manifestou a evitar o plantio. Para aqueles que decidirem colocar a semente no solo, o cuidado deve estar em torno de monitorar a lavoura com visitas frequentes, fazer a aplicação assim que surgir a ferrugem, utilizar fungicidas eficientes e prestar atenção na rotação dos princípios ativos, além de fazer uso de fungicidas multissítios.
Por: Aleksander Horta e Izadora Pimenta
Fonte: Notícias Agrícolas
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