Publicado em 02/03/2018 22:06
Em evento promovido pelo Americas Society and Council of the Americas (AS-COA), juiz responsável pela Lava Jato em Curitiba ainda disse que não viu como grande problema os vazamentos durante as investigações (no ESTADÃO)
NOVA YORK - Fazendo uma forte defesa das investigações promovidas pela Lava Jato, o juiz Sérgio Moro afirmou que a possível alteração da lei que leva os réus a cumprir pena depois da condenação em segunda instância é um dos principais riscos ao combate à corrupção no Brasil. Moro também citou o ministro do STF Luis Roberto Barroso, que classificou como "trágica" a possibilidade de revisão da decisão. O juiz falou em evento em Nova York, promovido pelo Americas Society and Council of the Americas (AS-COA).
"Espero que o Supremo Tribunal Federal mantenha a regra atual de execução da pena após condenação em segunda instância. Essa foi uma mudança fundamental", destacou. "Se houver uma reversão desse precedente, eu acompanharia as palavras do ministro Barroso de que seria trágico. Mas eu tenho a firme esperança de que o Supremo vai manter essa regra", disse Moro.
Em 2016, o STF permitiu a execução da pena após a condenação na segunda instância. No ano passado, ministros do STF deram declarações indicando que o Supremo pode rever a decisão. Dentre eles, Gilmar Mendes - que, à época, foi voto decisivo para a decisão, mas hoje indica ter mudado de ideia. A presidente do STF, Cármen Lúcia, contudo, já sinalizou que o tema não voltará à pauta da Corte em março e considera inadmissível pautar a questão em virtude da provável prisão do ex-presidente Lula.
Outro tema polêmico tocado por Moro em Nova York foi o foro privilegiado. Ele defendeu que seria "sábio" manter o foro para o presidente da República, mas ressaltou que não está certo de que tal prerrogativa deveria ser mantida para outras autoridades. O juiz afimrou que há políticos no Brasil que ainda têm privilégios e há pessoas frustradas em não ver o fim das investigações da Operação Lava Jato.
Segundo Moro, não há "um trabalho mágico" para melhorar a democracia, pois atacar a corrupção é uma atividade longa e contínua que deve ser adotada por todos os setores da sociedade. Ele afirmou que, às vezes, escuta no Brasil comentários de cidadãos que perguntam se bastariam as investigações da Operação Lava Jato.
"No caso Watergate, nos EUA, algumas pessoas perguntavam se as investigações já não eram suficientes. Como juiz, não tenho poder discricionário para escolher casos e deixar alguns de lado", afirmou. "Ao invés de ter a regra da impunidade, precisamos sim da regra da aplicação da lei. Nesse aspecto, o trabalho nunca acaba."
Lava Jato. Moro aproveitou o evento para agradecer as autoridades internacionais que colaboraram com as investigações, em especial as suíças e as norte-americanas. "Não teríamos o caso sem a colaboração das autoridades bancárias da Suíça", disse.
Segundo Moro, houve também auxílio oficial do governo dos Estados Unidos, que liberou provas quando foram pedidas. Ele ainda falou que o combate à corrupção se tornou um assunto comum na América Latina e os países da região vêm cooperando entre si para investigações e indiciamentos por parte da Justiça em casos de magnitude internacional.
Ele também rebateu as críticas de que a Lava Jato atuou com uma visão parcial e ideológica. "Um ex-presidente da Câmara está preso", ressaltou. "Algumas vezes, as pessoas têm desilusões sobre ídolos. É tempo para as pessoas perceberem a verdade. É preciso verificar não as opiniões políticas, mas documentos, suspeitas de lavagem de dinheiro, questões como prática de crime", afirmou.
Ele também apontou que podem ter ocorrido vazamentos de informação durante as investigações da Lava Jato, mas garantiu que não foi responsável por nenhum dos episódios. "Alguns no Brasil falam de vazamentos, mas e sobre as questões que estão sendo investigadas? Sou contra vazamentos, mas não os vejo como um grande problema."
'As pessoas têm ilusões sobre ídolos, mas é hora de verem a verdade', diz Moro em Nova York (na FOLHA)
Num debate em Nova York, o juiz Sergio Moro defendeu o fim do foro especial, dizendo que ele deve ser mantido só para o presidente, alertou para retrocessos no combate à corrupção que podem ocorrer nos próximos meses, em alusão às eleições, e defendeu a sua conduta nos julgamentos da Lava Jato.
Sem tocar no nome do ex-presidente Lula, que condenou em janeiro no caso do tríplex, Moro disse ainda que “as pessoas têm ilusões sobre alguns ídolos, mas é hora de verem a verdade”.
“Se você for ao processo, vai ver que ninguém está sendo investigado ou julgado por causa de sua opinião política, mas por causa de lavagem de dinheiro, propina, atos criminosos.”
Depois de sua fala, Moro não quis esclarecer se seu comentário sobre ídolos se referia a Lula nem comentar declarações do ex-presidente em entrevista nesta semana à Folha, quando disse que o juiz deveria ser exonerado. “Não respondo a entrevistas de gente processada”, disse.
Sem mencionar Lula, o juiz também disse ser “fundamental” a regra que determina o cumprimento da pena logo depois de uma condenação em segunda instância, dizendo que uma reversão desse mecanismo seria “trágica”.
Em seu discurso, Moro falou ainda sobre um “novo espírito” de combate à corrupção que toma os tribunais brasileiros no rastro da Lava Jato, que comparou com a Operação Mãos Limpas, na Itália, e ao julgamento do escândalo Watergate nos EUA.
“O povo não está insatisfeito com a democracia, está insatisfeito com os problemas da democracia”, ele afirmou.
“E um desses problemas é a corrupção generalizada e a impunidade. As pessoas começam a perder a confiança no estado de direito, nos políticos, nos juízes e nos procuradores, então começam a perder a confiança na democracia. Por isso precisamos continuar o nosso trabalho.”
Questionado durante o debate se no Brasil há uma onda de “criminalização da política” e se a Justiça é seletiva, Moro disse que “não há problemas entre políticos e juízes” e que “alguns políticos estão criminalizando a política porque cometeram crimes e devem ser julgados”.
Ele afirmou, no entanto, que concorda com a ideia de que há privilégios para políticos no país e criticou o foro especial. “Talvez isso deveria ser mudado. Seria uma ideia inteligente e talvez manter isso para só o presidente, mas não tenho muita certeza.”
“Estamos falando de poder, de política”, disse. “As pessoas lutam por poder e algumas não querem mudar, querem ficar no poder, querem privilégios mesmo que esses privilégios violem a lei.”
Moro também defendeu “reformas gerais” para combater a corrupção e que uma investigação judicial não é o suficiente para limpar o cenário, mas que isso depende de “um governo amigável”.
Ciro diz que “Lula está fora da eleição”
Ciro Gomes disse a uma rádio do Ceará, segundo o R7:
“Lula está fora da eleição e isso aumenta a minha responsabilidade”.
Ele disse também que criminoso condenado pela Lava Jato vai apoiá-lo no segundo turno:
“Tem muita gente no PT que faz intriga, mas minha relação com o Lula é muito antiga e, mesmo que o PT lance um candidato, nós vamos nos encontrar mais adiante.”
Só Moro pode salvar o PT
A única chance do PT é que Sergio Moro prenda Lula imediatamente.
Só assim o partido poderá pensar num plano B.
Leia um trecho da entrevista do criminoso à France Presse:
Passa pela cabeça do senhor que poderia ir preso? Como lida com isso? Já pensou como seria um Lula na cadeia?
Passa todo dia. Eu não tenho problema. O problema é que eu não tenho medo e não estou preocupado. (…) Toda história tem consequências. Uma prisão pode durar muito tempo, como a de (Nelson) Mandela, que durou 27 anos, ou pode durar muito pouco tempo, como a de (Mahatma) Gandhi.
A única preocupação que eu tenho nesse momento é tentar mostrar minha inocência. Se eles resolverem me condenar e me prender, eles estarão condenando um inocente, prendendo um inocente. Isso tem um preço histórico. Se querem tomar essa decisão, vão arcar com a responsabilidade do que vai acontecer no país. Por isso é que eu durmo tranquilo.
Não vou para nenhuma embaixada, não peço asilo político, não vou me esconder, não vou me matar. Eu vou brigar. A única coisa que me motiva é brigar, porque eu tenho uma única coisa para defender, que é minha inocência.
Eu estou disposto a ir às últimas consequências para provar minha inocência.
E isso significa ir até o último momento da campanha eleitoral…
Lógico, lógico, por que é que não iria? Está cheio de pessoas que não têm 1% de aceitação e querem ser candidatos, porque é que eu que tenho 40% não quero ser?
Mortes nas ruas
O site do PT reproduziu a entrevista de Lula à France Presse.
O repórter perguntou:
“Líderes do PT e de movimentos sindicais estão dizendo que se o senhor for impedido de ser candidato, ou preso, pode haver distúrbios e até mesmo mortes nas ruas.”
Ele respondeu:
“Eu não trabalho com essa hipótese, só vou discutir essa hipótese quando acontecer.”
Qual hipótese? De haver mortes nas ruas?
Lula agora dá ‘bons conselhos’ a Maduro
Na entrevista que deu à France Presse, Lula disse que Nicolás Maduro não pode “permitir o equívoco de isolar a Venezuela” e tem de pensar na economia de seu país “com muito carinho”.
O petista disse que, em 2013, quando o atual ditador herdou o poder de Hugo Chávez, ele enviou uma carta dizendo que Maduro deveria “trabalhar para harmonizar a Venezuela”. Mas, “por razões que ele não tem que me explicar, ele não adotou as coisas”.
O PT apoiou —e apoia— Chávez e Maduro desde que eles chegaram ao poder. Hoje, a crise humanitária e o desastre econômico da ditadura venezuelana ficaram evidentes, sobretudo após o êxodo em massa para os países vizinhos.
Lula sabe que filho feio não tem pai.
“Lula ilude cada vez menos” (editorial da FOLHA)
A Folha de S. Paulo, em editorial, diz que Lula ilude cada vez menos.
Leia aqui:
“Sobre os favores que recebeu de empreiteiras, Lula recusa-se a comentar seu aspecto ético; prefere, aqui, refugiar-se nas formalidades do campo jurídico.
Nesse vaivém vertiginoso ele prossegue, esperando que a realidade política predomine sobre a realidade dos fatos — e que a esperteza triunfe sobre a lei. É popular, mas ilude cada vez menos.”
‘Os Caça-Corruptos’ passaram batidos
O repórter da Folha em Nova York que cobriu a palestra de Sergio Moro hoje descreveu do seguinte modo a capa da revista “Americas Quarterly” que aparecia em um cartaz do evento:
“O juiz aparece vestido como soldado, metralhadora em punho e uma bandeira do Brasil no peito, debaixo de uma manchete que o chama de ‘caçador da corrupção’.”
A capa em questão é uma paródia do filme “Ghostbusters” –“Os Caça-Fantasmas”, na tradução brasileira. Brian Winter, o editor da revista, divertiu-se no Twitter: “Aposto que o jovem repórter que a Folha mandou para o nosso evento de hoje nunca viu ‘Ghostbusters'”.
Pelo visto, falta muita coisa na dieta das novas gerações de jornalistas –até o repertório clássico da Sessão da Tarde.

Álvaro Dias a O Antagonista: “Eleitores de Bolsonaro estão raciocinando com o fígado”
Na entrevista de Álvaro Dias a Claudio Dantas, de O Antagonista, o pré-candidato diz que as pesquisas de intenção de voto não retratam a realidade das urnas e que os eleitores que apoiam Jair Bolsonaro estão pensando com “o fígado”.
“A análise de pesquisas muitas vezes é equivocada. Há que se valorizar mais o índice de rejeição do que o índice de intenção de voto. A rejeição é a obra feita, é passado e presente, isso já foi construído, dificilmente será removido, está na história do candidato. A intenção de voto é coisa futura.”
Segundo o senador, o debate será “revelador”.
“Aqueles que conseguem construir personagem antes de começar o confronto acabam desmistificados pelo confronto. Não creio que sejam, os números frios de uma pesquisa, orientadores do futuro. Acho que vale muito mais avaliar o potencial de votos. Quem tem a rejeição menor tem o potencial de votos maior.”
Questionado sobre as razões que levam hoje boa parte do eleitorado a apoiar Bolsonaro, Dias disse que “os eleitores estão raciocinando com o fígado”, em razão da “enorme decepção com os governos”.
“É a reação da revolta, diríamos ‘está raciocinando com o fígado’. Mas depois vai chegar o momento durante o debate da campanha em que o cidadão vai fazer a análise madura. Imagino que aí vai se votar com a inteligência e não com o fígado.”
Clique AQUI para assistir ao trecho da entrevista:
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Álvaro Dias sobre altos percentuais de Bolsonaro: "Eleitores estão raciocinando com o fígado" 05:1
Fonte: Estadão/O Antagonista
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