Economia da Venezuela 'não é sustentável' no médio prazo, diz FMI
Declaração é de diretor do Departamento do Hemisfério Ocidental do FMI.
Situação 'piorou ainda mais' por crise no setor energético, afirmou.
A situação econômica na Venezuela "não é sustentável" no médio prazo, com uma deterioração da capacidade produtiva aprofundada pela queda dos preços do petróleo, advertiu nessa quarta-feira (27) um diretor do Fundo Monetário Internacional (FMI).
Werner apresentou um relatório do FMI sobre as perspectivas econômicas para a América Latina e o Caribe, segundo o qual a região teria um retrocesso econômico de 0,5% neste ano, o segundo consecutivo, arrastada principalmente pelo pobre desempenho da Venezuela e do Brasil."Com esse choque petroleiro de aproximadamente 20 pontos do Produto Interno Bruto, a situação econômica claramente não é sustentável no médio prazo na Venezuela", disse na Cidade do México, Alejandro Werner, diretor do Departamento do Hemisfério Ocidental do FMI.
Segundo o FMI, a queda do preço do petróleo para a Venezuela, de onde vem 96% de suas receitas, representa uma queda de US$ 80 bilhões em 2013 a entre 20 e 25 bilhões em 2015.
os efeitos sobre a qualidade de vida, sobre a saúde da população já começam a ser significativos"
Alejandro Werner
Nos últimos meses, a situação na Venezuela "piorou ainda mais" por uma crise no setor energético, resultado "da falta de infraestrutura e da conjuntura climática", acrescentou o diretor.
Depois de, em 2015, a inflação na Venezuela ter chegado a 180,9%, o FMI prevê um aumento de preços de 700% no fim deste ano.
"Há anos, incluindo quando os preços do petróleo eram altos, a economia venezuelana "já dava sinais de deterioração" e para reativá-la é preciso "uma virada substancial na política econômica", que é difícil de prever.
"O prognóstico é muito difícil, mas claramente é uma situação em que os efeitos sobre a qualidade de vida, sobre a saúde da população já começam a ser significativos (...) há uma inflação muito elevada e uma escassez de bens básicos de entre 40% e 50%", acrescentou.
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