quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Congressistas apontam desafios para os sistemas agroflorestais no Brasil

Congressistas apontam desafios para os sistemas agroflorestais no Brasil





Congressistas apontam desafios para os sistemas agroflorestais no Brasil
27/10/16 - 10:18 


Os desafios para os sistemas agroflorestais foram o tema central da programação desta quarta-feira do Congresso Brasileiro de SAFs. O evento está sendo realizado na Universidade Federal de Mato Grosso, em Cuiabá (MT). Demandas de pesquisa, linhas de financiamento, transferência de tecnologia, extensão rural e pagamento por serviços ambientais foram alguns dos pontos destacados em palestras e mesas redondas.
O pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste (Dourados-MS) Milton Padovan apresentou uma pesquisa feita com agricultores e técnicos na qual levantou diversas informações sobre percepção, adoção, intensão de adoção e gargalos sobre sistemas agroflorestais em configuração de sistemas agrosilvipastoris (ILPF) e em agroflorestas biodiversas.
Na adoção de ILPF, a falta de mão-de-bra qualificada, as variações de mercado da espécie arbórea utilizada, a falta de compensação pelos serviços ambientais e baixa atenção dada aos agricultores familiares nos modelos estudados são fatores limitantes apontados.
Já nas agroflorestas biodiversas os principais fatores limitantes são a crença na demora na obtenção de lucro, a falta de assistência técnica capacitada, a falta de incentivos governamentais e o desconhecimento técnico sobre SAFs.
Diante destas informações, Padovan elenca como desafios, entre outros, o fortalecimento de linhas de crédito para as modalidades de sistemas agroflorestais, o incentivo às políticas de pagamento por serviços ambientais, a melhoria da assistência técnica e extensão rural, a ampliação de pesquisas e da divulgação de resultados com diferentes espécies arbóreas e a intensificação das pesquisas focadas na avaliação econômica dos sistemas.
O pesquisador ainda ressaltou a necessidade da inovação nas ações de transferência de tecnologia, de modo a facilitar a apropriação dos conhecimentos pelos produtores.
"É preciso avançar em outras metodologias de transferência de tecnologia. É preciso encontrar outras ferramentas, outras alternativas", destacou Milton Padovan.
Em uma mesa redonda sobre os desafios da pesquisa em SAFs, o professor da Esalq/USP Marcos Bernardes ressaltou a necessidade da pesquisa ser desenvolvida mais próxima dos agricultores, estudando as experiências empíricas de campo. Também enfatizou a necessidade dessa interação ser feita no nível das instituições, de maneira institucionalizada, e não apenas dependendo de interações pessoais de alguns pesquisadores.
Ao apresentar dados de pesquisa sobre efeitos do sombreamento de árvores em outras culturas, o professor ainda destacou a necessidade de realização de estudos sobre as interações complexas entre os componentes de um sistema agroflorestal, de maneira a aprofundar o conhecimento.
A programação desta quarta-feira também contou com mesas redondas sobre os desafios para as políticas públicas em SAFs e para crédito rural e comercialização. O congresso ainda teve quatro minicursos, quatro palestras técnicas e apresentações de trabalhos em formato oral e em pôsteres.
Quinta-feira
A programação teórica do X Congresso Brasileiro de Sistemas Agroflorestais terminará nesta quinta-feira com o tema perspectivas em SAFs. Durante a manhã serão realizadas três mesas redondas e uma conferência. No período da tarde haverá uma plenária final com as conclusões gerais do evento e com a elaboração de uma carta de intensões dos congressistas.
Na sexta-feira, como parte adicional da programação, serão realizadas visitas técnicas a propriedades que trabalham com sistemas agroflorestais.
O CBSAF é promovido pela Sociedade Brasileira da SAF e realizado pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Governo de Mato Grosso por meio SEAF e Sema, Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), Instituto Ouro Verde, Grupo Semente e Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

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