terça-feira, 4 de outubro de 2016

Um quarto da área de soja já está plantado

Um quarto da área de soja já está plantado





Um quarto da área de soja já está plantado
04/10/16 - 21:43 



Agricultores antecipam, cada vez mais, o início do cultivo da oleaginosa, para tentar evitar as geadas no milho safrinha. Expectativa dos produtores é que fatores internos provoquem a alta do dólar para antecipar a venda do grão
O plantio de soja da safra de verão 2016/2017 já foi iniciado nos 32 municípios da região de Maringá e, em alguns, já está na fase final, como em Ivatuba, onde 90% da área destinada ao grão já foram semeados, e Floresta, com 70%. Pelo acompanhamento do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento, o plantio na região chegou a 25% e deverá avançar bem nesta semana, porque a chuva, que começou ontem não deverá ser forte o suficiente para impedir o trabalho das máquinas no campo e, a partir de amanhã, o sol deve voltar forte.

A estimativa do Deral é que a região plante 263 mil hectares com soja nesta safra. A área aumentou com os municípios de São Tomé e Japurá, da região de Cianorte, agora, integrando a jurisdição do Núcleo de Maringá da Secretaria da Agricultura.

Em todo o Estado, neste ano, serão plantados um total de 5,24 milhões de hectares, cerca de 40 mil hectares a menos que o contabilizado em 2015.

No Estado, a expectativa de produção está 11% maior, passando de 16,5 milhões de toneladas, na safra passada, para 18,3 milhões de toneladas, para a atual. Na região de Maringá, a produtividade deve ficar entre 3,3 mil a 3,6 mil quilos, por hectare; em sacas representa entre 55 e 60. Os números são semelhantes aos dos melhores da história no Paraná e bem acima da safra de verão passada, quando, por causa de um veranico na fase de preenchimentos dos grãos, excesso de chuvas às vésperas da colheita, e enchentes, que prejudicaram a produção nas margens dos rios, a produtividade caiu para 2.964 quilos, por hectare, pouco mais de 49 sacas.

A estimativa do Deral não prevê problemas no decorrer da safra. Dessa vez, o cultivo ocorre durante o fenômeno meteorológico conhecido por La Niña, que, dependendo da intensidade, pode resultar em muitas chuvas no Paraná. O que provoca debate entre os especialistas é que, geralmente, as chuvas, sob o La Niña, são mal distribuídas.
Ciclo adiantado
A soja, mais uma vez, será praticamente o único grão na safra de verão no noroeste paranaense, porque a região não tem tradição de plantar feijão e arroz e o milho deverá se resumir a raros plantios para consumo nas próprias propriedades ou para ser colhido verde, quase sempre destinado à produção de pamonha.

Segundo o economista Dorival Basta, do Deral, os agricultores da região adiantam o plantio a cada ano. O normal, até alguns anos atrás, era começar a plantar a partir da primeira chuva de outubro, mas ultimamente os municípios às margens do Rio Ivaí estão plantando em setembro. Neste ciclo, teve produtor em Floresta e Ivatuba plantando no dia 10 do mês passado.

Outro fato novo é o adiantamento do plantio no chamado arenito, que geralmente era a última região a semear, na segunda quinzena de outubro ou nos primeiros dias de novembro. Neste ano, em Flórida e Lobato alguns produtores anteciparam para o dia 10 de setembro, uma semana antes do fim do vazio sanitário.

O agricultor Giovanni Pirotti, que planta em Atalaia, diz que a pressa em antecipar a safra de soja é para que o campo esteja pronto para o cultivo do milho segunda safra, o "safrinha", que precisa ser plantado o mais cedo possível, no fim de janeiro ou primeira quinzena de fevereiro, para que esteja pronto para ser colhido até o fim de julho, quando há o risco de a agricultura ser atingida por geadas.

Pirotti e Ailton Picinin, que plantam em Flórida, foram os primeiros a antecipar o cultivo da soja no arenito, há dois anos, mas atualmente vários produtores seguem caminho semelhante, depois de constatarem que a antecipação não prejudica a produtividade, como se acreditava até algum tempo atrás.
Preço
O preço da soja está em torno de R$ 67, a saca. Segundo o economista do Deral, Marcelo Garrido Moreira, o valor reflete a expectativa de safra cheia e o dólar menos valorizado em relação ao ano passado. "O que vai definir o valor da safra daqui para frente será o comportamento do clima e o câmbio", diz. Muitos produtores ainda apostam numa valorização do dólar até a colheita no início do ano que vem para fechar os contratos de exportação.



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